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Esta seção visa apresentar as principais linhas de ação do Programa Ambiental Fetranspor, iniciado em 1997 com um projeto de eficiência energética, passando à gestão ambiental empresarial e à educação ambiental do setor, alcançando a inovação tecnológica do controle de emissões de poluentes locais (Material Particulado), a utilização de combustíveis alternativos, em especial o biodiesel, chegando, finalmente, às iniciativas de compensação ambiental quanto aos níveis de emissão de gases de efeito estufa.
A eficiência energética do setor vem sendo aumentada através da atuação do Programa EconomizAR, parceria da Fetranspor com a Petrobras/Conpet. Os resultados apresentados pelo programa Economizar desde sua implantação, em 1997, permitem inferir uma redução de aproximadamente 1,3 milhões de toneladas de CO2 e 27 mil toneladas de material particulado que deixaram de ser emitidos na atmosfera e uma economia de 478 milhões de litros de diesel não queimados.
Em 2007, a Fetranspor realizou, de forma pioneira, o maior experimento com Biodiesel B5 em 3.500 ônibus da frota do Estado do Rio de Janeiro. Isto significou uma redução total de material particulado de 10% para cada ônibus e uma economia de 3,3 milhões de litros de óleo diesel, o equivalente ao reflorestamento de aproximadamente 11 mil árvores e a não emissão de 7 mil toneladas de CO2.
Em outubro de 2008, com a assinatura do Acordo Judicial, que determinou o início do abastecimento do diesel S50 na frota cativa de ônibus do município do Rio de Janeiro, a Fetranspor, coordenadora do programa estadual de monitoramento da emissão de fumaça preta de sua frota filiada, iniciou um estudo para verificar o ganho ambiental obtido com a introdução do diesel mais limpo. Esse estudo apresentou uma redução total dos índices de opacidade (fumaça-preta) em 10% com o diesel mais limpo.
O programa de combustíveis alternativos contempla, ainda, o experimento com Biodiesel B20, o qual entrou em vigor em 2009. Este experimento rodará com uma frota de 15 ônibus durante 12 meses ininterruptos e terá como parceiros o Governo do Estado, BR Distribuidora, Shell, Ipiranga, Mercedes Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus. Espera-se obter uma redução de aproximadamente 148 mil toneladas de CO2 e 3 mil toneladas de material particulado.
A partir de 2010, a Fetranspor pretende iniciar testes na frota da cidade do Rio de Janeiro com veículos híbridos, em substituição aos veículos a diesel convencionais, visto que a tecnologia híbrida pode permitir o aumento de até 30% na eficiência energética do veículo (em km/l).
Aliado aos Programas acima, em 2007 a Fetranspor iniciou o seu Programa de Compensação Ambiental através do replantio de 120 mil mudas de espécies de mangue, em parceria com a ONG Fundação Onda Azul no município de Magé, quantificando uma anulação de 36 mil toneladas de CO2 na atmosfera.
Já em 2010, a Fetranspor pretende lançar o seu Programa de Compensação Ambiental Compartilhado. A idéia é a adesão voluntária pelos usuários do transporte público que desejarem participar da diminuição de emissão dos gases de feito estufa, gerados pelo translado físico e individual dos mesmos, da forma que se segue:
Atualmente, os 100 maiores clientes do vale-transporte eletrônico, o RioCard, respondem por 7,5% de todas as viagens de ônibus do Estado do Rio de Janeiro. Na tentativa de minimizar os impactos gerados pelo setor de transpotes, a criação do RioCard Ecológico surge como alternativa para a compensação ambiental de outras 120 mil toneladas de CO2 anualmente. A Fetranspor acredita no interesse crescente de grandes empresas clientes do RioCard no Estado do Rio de Janeiro em participar de um programa conjunto de mitigação dos efeitos adversos da emissão de gases poluentes, geradores e intensificadores do aquecimento global do planeta.
A Fetranspor, alinhada com a preocupação mundial com a problemática ambiental, projeta desenvolver, implementar e operar, com a ajuda de seus usuários e empresas clientes, o maior programa de compensação ambiental do setor de transporte do país, sinalizando aos demais setores da economia ações possíveis, e pró-ativas, de responsabilidade ambiental compartilhada.
O Programa Ambiental Fetranspor está estruturado para reduzir e compensar a emissão de 428 mil toneladas de CO2 anualmente. Esta redução pode ser entendida como a anulação de 24% de todas as emissões de gases de efeito estufa da frota total filiada ao sistema Fetranspor. Isso significa dizer que mais de 4.920 ônibus estarão rodando pelas ruas e rodovias do Estado do Rio de Janeiro com emissão zero de gases de efeito estufa.
Conforme será demonstrado na parte introdutória deste documento, o setor de transporte urbano de passageiros por ônibus consome apenas 2,7% de todos os derivados de petróleo no país. Apesar do setor de transporte (rodoviário, aquaviário, dutoviário, aéreo e ferroviário) ser apontado como o principal da economia mundial a contribuir para o aquecimento global, pode-se entender que o transporte coletivo por ônibus não se enquadra neste paradigma. Em relação ao inventário total de emissões de CO2 do país, o setor de transporte coletivo urbano de passageiros por ônibus responde por apenas 0,42% das emissões totais.
Este é, certamente, o segmento de transporte menos impactante no que tange às emissões totais de gases de efeito estufa, diretamente associados ao volume total de combustíveis fósseis queimados. Em termos de volume de passageiros transportados, ou de viagens realizadas, segundo dados oficiais do próprio governo do Estado do Rio de Janeiro, 46% de todas as viagens motorizadas, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, são realizadas por coletivos urbanos.
O que se pretende demonstrar neste trabalho é a reduzida participação do transporte por ônibus na emissão total de gases de efeito estufa. O setor responde por menos de 3% das emissões totais de CO2 oriundas da queima de derivados de petróleo no país. Todavia, é responsável por metade das viagens motorizadas de passageiros somente na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. O setor que menos emite é o que mais transporta e o que mais ações realiza para a redução, compensação e neutralização dos níveis de emissão de gases poluentes (locais e globais).



