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"Nenhum
governo pode aceitar a ilegalidade"
O
noticiário em jornais, TVs e rádios, nos últimos
dias, destaca a conjugação de recursos orçamentários,
humanos e tecnológicos entre órgãos da União,
do Estado do Rio de Janeiro e de municípios, para intensificação
das medidas de prevenção e repressão à
criminalidade que, de modo crescente, vem assustando a sociedade
carioca e fluminense. O assassinato do jornalista Tim Lopes simboliza
o ápice do desafio imposto à Nação pelo
crime organizado.
O serviço público de transporte coletivo, incluindo
usuários e operadores, tem sido vítima dessa tragédia
urbana que macula o conceito de nação civilizada que
o Brasil procura ser e com o qual pretende aparecer no mundo.
Os dados publicados pela Secretaria de Segurança Pública
deste Estado, no Diário Oficial, comprovam o elevado número
de roubos em coletivos, incêndios e depredações
de ônibus. Sem contabilização ainda, alastra-se
o transporte clandestino neste Estado. Mais e mais vans, kombis
e ônibus piratas invadem os mercados atribuídos às
empresas permissionárias, retirando passageiros - única
fonte de receita das transportadoras legais - e conseqüentemente
levando muitas delas a riscos de insolvência. Suspensão
de benefícios aos rodoviários, redução
de frota e decorrente desemprego de trabalhadores do setor, diminuição
dramática dos investimentos que logo mais adiante irão
comprometer seriamente a qualidade do transporte rodoviário
coletivo neste Estado, tudo está acontecendo a exigir ação
enérgica das autoridades.
Recentemente, o governo federal, em grande solenidade, em Brasília,
divulgou documento intitulado "Proposta para uma Política
Nacional para o Transporte Urbano" e criou o Fórum de
Acompanhamento da Agenda Comum para Melhoria da Circulação
Urbana, além de comissões interministeriais que, em
curto prazo, definirão medidas para incremento de financiamento
do transporte coletivo e para elaborar, também em curto prazo,
anteprojeto de lei de diretrizes de desenvolvimento urbano na parte
relativa aos transportes.
O Fórum reunirá autoridades federais, estaduais e
municipais, direta ou indiretamente responsáveis pelo transporte
público, e irá contar com representação
da Frente Parlamentar de Transporte Urbano da Câmara dos Deputados
e de fóruns de secretários de Transportes, Trânsito
e de instituições representativas dos transportadores,
como a NTU.
Estão aí lançadas as bases para força-tarefa
que certamente, dentre outros campos, irá contribuir para
o combate ao crime no transporte público. Pois, como bem
disse a coordenadora geral do Grupo Executivo de Transporte do Governo
Federal, Iêda Maria de Oliveira Lima, em entrevista publicada
no Jornal do Brasil, do dia 22 de maio, "Nenhum governo pode
aceitar a ilegalidade".
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