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GOVERNO FEDERAL LANÇA POLÍTICA
NACIONAL DE TRANSPORTE URBANO
O ministro da Secretaria Especial
de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República
(SEDU/PR), Ovídio de Angelis, lançou, em 22 de maio
último, no auditório do Memorial JK, em Brasília,
a Política Nacional para o Transporte Urbano.
Iniciativa do governo federal voltada para a construção
de uma qualidade de vida melhor nas grandes cidades brasileiras,
a existência de uma política nacional de transportes
vai instrumentalizar estados e municípios para responder
de forma mais ágil a questões como falta de segurança
pública no transporte coletivo, operação ilegal
de transporte de passageiros, impacto ambiental da atividade e outros,
de suma importância no dia-a-dia das cidades de médio
e grande porte.
A liberdade de ir e vir afetada pelos constantes congestionamentos,
o cinza substituindo, cada vez mais, o verde na paisagem das cidades,
os passeios públicos ocupados por veículos. O espaço
viário, estrangulado pelo crescimento desordenado, transforma
o belo cenário das cidades brasileiras em intricados complexos
de túneis e viadutos, cada dia apresentando tráfego
mais pesado e céus mais poluídos. Enquanto isso, desperdiça-se
tempo, combustível e saúde da população
no trânsito, fonte inesgotável de estresse, poluição
sonora e áerea.
Planejamento - A preocupação com a formulação
de uma política nacional de transportes que minimizasse esse
tipo de problema não aconteceu agora. Desde maio de 2000,
por orientação do presidente da República,
o Ministro Ovídio de Angelis criou o Grupo Executivo de Transporte
Urbano - GTRAN, para cuidar do assunto em sua Secretaria, que, desde
então, vem coordenando todo o processo, do esboço
à definição das propostas.
O GTRAN iniciou seus trabalhos lançando, em seminário
nacional, proposta de diretrizes gerais da Política Nacional
para o Transporte Urbano, após estudar e analisar os principais
problemas do setor. Com a participação de 39 entidades
representantes das três esferas governamentais e da iniciativa
privada, detalhou a proposta da política e discutiu-a em
várias regiões do país, em audiências
públicas com participação de cerca de 5.000
responsáveis por políticas locais, formadores de opinião
e representantes dos usuários.
Principais objetivos - Tornar o transporte coletivo mais rápido,
confortável, acessível, seguro e adequado às
necessidades da população; reduzir impactos negativos
(econômicos, sociais e ambientais) das viagens urbanas, dentre
eles os custos dos diversos modais - ônibus, metrôs
e trens -, as mortes por acidentes de trânsito e a poluição
do meio ambiente; estimular as administrações municipais
e estaduais a administrarem melhor as concessões do transporte
público coletivo; incentivar a modernização
tecnológica do transporte coletivo, para torná-lo
mais eficiente; e assegurar crescente grau de satisfação
da sociedade e dos usuários com esse serviço público
são os principais objetivos da política lançada
pelo governo.
Pesquisa do IPEA, em 1998, mostrou que apenas em dez cidades brasileiras
(João Pessoa, Recife, Brasília, Belo Horizonte, Juiz
de Fora, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Curitiba e
Porto Alegre) os usuários de automóveis desperdiçavam,
nos congestionamentos, por ano, cerca de 240 milhões de horas
e 200 milhões de litros de gasolina. No caso do transporte
coletivo, o consumo era de mais de quatro milhões de litros
de diesel. A emissão de poluentes registrada, acima dos níveis
permitidos, era de 123 milhões de toneladas/ano de monóxido
de carbono, pelos automóveis, e 726 mil toneladas/ano, pelos
ônibus. A frota de ônibus necessária, a mais,
para manter uma certa regularidade das viagens, variava entre 0,6%
(Campinas) e 30% (São Paulo). Em 90% dos casos estudados,
os automóveis respondiam pelo desperdício de combustíveis
e pela poluição indesejáveis e ocupavam, por
pessoa transportada, em média, 23 vezes mais espaço
nas ruas do que os ônibus. Esses desperdícios custam
ao país 6% do PIB ao ano.
Com base nesse e em outros estudos, dentre as cinco diretrizes gerais
da PNTU, a primeira é a melhoria do transporte coletivo urbano,
através de medidas como maior acessibilidade ao transporte
coletivo e a deslocamentos a ele complementares, prioridade de circulação
no sistema viário principal, redução de acidentes
e assaltos, redução do tempo de deslocamento a pé,
oferta de alternativas para deficientes e ciclistas e aprimoramento
da gestão de demanda e oferta. No item "Modernização
das Relações Institucionais" , está prevista
a adoção de modelos de delegação que
estimulem "uma relação contratual saudável
entre órgão gestor e empresas concessionárias"
. A intenção é dividir responsabilidades de
forma mais eficaz, com flexibilidade que permita rapidez na adoção
de medidas para fazer face à demanda .
Fórum Nacional e Projeto de Lei
de Diretrizes
Para unir esforços e recursos técnicos
e financeiros das três esferas de governo, com os da iniciativa
privada, dos trabalhadores e organizações não
governamentais atuantes neste setor, o presidente da República
criou, por decreto, o Fórum de Acompanhamento da Política
de Transporte Urbano, que será o responsável pela
implementação e ajustes da Agenda Comum para a Melhoria
da Circulação Urbana, composta de programas e projetos
a serem executados de forma conjunta por esses agentes.
Outros dois decretos presidenciais criam duas Comissões Interministeriais,
uma para elaborar o Projeto de Lei de Diretrizes de Política
Nacional para o Transporte Urbano, com base na proposta da SEDU/PR;
e outra para propor medidas de remoção dos fatores
impeditivos ao financiamento do transporte coletivo urbano. Dessa
forma, espera-se alavancar processo de revisão de todo o
sistema de transporte do país, combatendo-se os problemas
da forma mais rápida possível. A agenda Comum vai
funcionar em três níveis: emergencial, com implementação
prevista para o prazo de um ano; de curto prazo, até quatro
anos, e de médio prazo, com programas e projetos que irão
demandar prazos de oito anos para sua implantação.
O governo Fernando Henrique Cardoso atuará apenas na Agenda
Comum Emergencial. As Agendas de curto e médio prazo têm
custos e fontes de financiamento sendo estimados e negociados pelos
agentes responsáveis pelo transporte urbano, sob coordenação
do governo federal, por meio do Fórum de Acompanhamento da
Política Nacional para o Transporte Urbano.
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