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Não se pode falar da história
da Viação Fortaleza, sem antes falar da história
de vida de seu diretor presidente, Inauro Antunes, 72 anos, cujo
amor pelo ônibus ele diz que já nasceu com ele. "Se
a parteira não corre, eu nascia dentro de um ônibus",
costuma dizer o diretor para resumir sua grande paixão por
esse meio de transporte. Para quem não acredita em destino,
a história desse empresário pode ser uma prova de
que o destino existe. Muito menino ainda, Inauro perdeu a mãe
e precisou trabalhar para se manter. Aos nove anos de idade, teve
seu primeiro "emprego" e foi justamente numa empresa de
ônibus, como lavador de peças. O mais interessante
dessa história é que não era simplesmente uma
empresa mas A EMPRESA. Aquela empresa da qual ele anos mais tarde
viria a ser acionista majoritário - A Viação
Fortaleza. Sua vida inteira foi dedicada ao transporte coletivo.
Depois que iniciou a "carreira" na Fortaleza, trabalhou
também na Auto Viação Mauá e na Auto
Viação ABC e depois passou a ajudar o irmão
que possuía uma pequena empresa de ônibus operando
nas serras de Macaé.
Com 10 contos de réis no bolso, fruto da venda da sociedade
ao irmão, Inauro Antunes não teve dúvida. Era
hora de alçar vôos mais altos. Queria ter seu próprio
negócio. E esse negócio só poderia ser empresa
de transporte de passageiros. Comprou, então, um ônibus
velho da Viação Fluminense e, aos poucos, foi recuperando-o
e colocando-o em condições de operar. Dono de um espírito
desbravador, o empresário resolveu colocar seu ônibus
em circulação em um local que ainda não estivesse
sendo atendido e que pudesse ser uma boa promessa de demanda. O
lugar escolhido foi Itaúna, um bairro emergente de São
Gonçalo. Foi assim que fundou a Viação Itaúna.
Nessa empresa, foi de tudo um pouco: eletricista, lanterneiro, mecânico,
cobrador, motorista e administrador. Seu amor pelo trabalho e por
ônibus era tão grande que ele já sabia que sua
vida seria dedicada a esse tipo de negócio. Tanto é
que guarda até hoje a primeira féria feita como cobrador
no primeiro dia de funcionamento da Itaúna. "Nunca fiquei
sem dinheiro. Tinha sempre aquele da primeira féria. E por
mais dificuldade financeira que estivesse passando, não gastava
de jeito nenhum", lembra o empresário. "Às
vezes, minha filha pega aquelas moedas e limpa uma por uma",
conta.
O destino fez valer seu escrito
A Viação Itaúna cresceu de um para 42 veículos
e tornou-se uma grande empresa, que Inauro Antunes vendeu anos mais
tarde, em 1974, e que veio a originar a Coesa. Depois de vender
a empresa, o empresário passou três anos afastado do
setor de transporte. "Foi o único período da
minha vida em que fiquei longe do ônibus", afirma. Em
1977, o destino fez valer seu escrito e a Viação Fortaleza,
empresa para a qual trabalhou quando criança, entrou definitivamente
na vida de Inauro. A empresa, fundada em 1952 por Alberto Lemos
e Maria de Jesus Lemos, estava sendo vendida e foi ele quem a adquiriu.
Quando assumiu a direção da Fortaleza, eram 17 ônibus
velhos operando apenas uma linha - Santa Rosa-Centro. Inauro, então,
procurou a prefeitura de Niterói, explicou seus planos de
fazer um transporte digno e pediu um crédito de confiança
para colocar a empresa em condições de oferecer um
transporte à altura da expectativa da população.
Foi assim que, pouco a pouco, o empresário implantou seu
estilo de administração e conseguiu ampliar de uma
para três as linhas da empresa e de 17 para 48 o número
de veículos, gerando também mais emprego.
Localizada em Pendotiba, Niterói, no Estado do Rio de Janeiro,
a Viação Fortaleza conta atualmente com 48 ônibus,
270 funcionários e opera as linhas Santa Rosa - Centro, Santa
- Rosa - Centro (via Fagundes Varela) e a intermunicipal Santa Rosa
- Passeio, no Centro do Rio. Segundo o empresário, quando
a Fortaleza foi fundada, na época das jardineiras, fazia
as linhas Jurujuba - Centro, Pendotiba - Centro e Fortaleza de Santa
Cruz - Centro. O nome Fortaleza, inclusive, é uma homenagem
à Fortaleza de Santa Cruz, local histórico e ponto
turístico de Niterói. Inauro se lembra bem dos primeiros
anos da empresa. Além de ter trabalhado na Fortaleza, morava
perto da garagem. "Isso aqui era tudo estrada de chão.
Uma grande fazenda", conta. De acordo com o empresário,
depois de alguns anos de sua fundação, a Fortaleza
começou a operar também a linha Santa Rosa - Centro.
Mais tarde, a empresa foi dividida, gerando a Pendotiba, que ficou
com as linhas de Pendotiba e Jurujuba. À Fortaleza coube
a operação da linha de Santa Rosa já que a
de Fortaleza de Santa Cruz não existia mais. O empresário
só lamenta que nos últimos anos o número de
viagens diárias venha caindo sensivelmente. "Quando
comecei aqui, fazíamos em média 12 viagens em 8 horas.
Hoje, só fazemos cinco. O problema é fruto dos grandes
congestionamentos causados pelo aumento no número veículos
nas ruas e também das mudanças feitas no trânsito
em 1995. Essas mudanças atingiram diretamente nossas linhas,
com alterações nos itinerários. Isso nos prejudicou
bastante", avalia.
Sonho de muito rodoviário
Esse problema no entanto não afeta em nada a qualidade do
transporte oferecido pela Fortaleza que prima, principalmente, pelo
bom atendimento. A população sempre aprovou os serviços
da Viação Fortaleza e a tem como exemplo de empresa
de transporte. Isso pode ser constatado através das filas
de candidatos na porta da garagem procurando por vaga para trabalhar
na empresa. De acordo com pesquisas de opinião já
realizadas, trabalhar na Fortaleza é um sonho de muitos rodoviários
de Niterói, que conhecem a boa fama da empresa. O Serviço
de Atendimento ao Cliente também comprova a satisfação
dos usuários. De acordo com a psicóloga Flávia
Viana Guedes Pereira, o número de elogios supera o de reclamações.
"Nossos motoristas e cobradores são sempre elogiados
pelos clientes". Flávia explica que a direção
da empresa tem como principal preocupação a satisfação
dos funcionários e clientes. O foco do seu trabalho é
o treinamento e capacitação dos profissionais. A empresa
dispõe inclusive de um curso de Formação de
Motorista para funcionários com carteira de habilitação
D e boa ficha funcional. O curso conta com ônibus exclusivo
e é ministrado pelo instrutor Georgean Eiras Furlane. As
aulas acontecem três vezes na semana e o aluno leva em média
de oito meses a um ano para se formar, incluindo aí o período
de treinamento como manobreiro. "Nosso curso é chamado
de escolinha de motorista e é bastante conhecido entre os
rodoviários aqui da região".
Segundo o diretor-presidente quem já trabalhou na Viação
Fortaleza não fica desempregado. "Todo mundo sabe que
se trata de um bom profissional", diz. O relacionamento da
Fortaleza com a comunidade vizinha e com os clientes é outro
motivo que faz com que a empresa tenha uma ótima imagem junto
à população de Niterói. "Estamos
sempre em contato com os centros comunitários e procuramos
atender seus pedidos para transporte de grupos de igrejas, funerais
etc. Essa relação é importante pois sabemos
que podemos contar com eles também a qualquer hora que precisarmos",
afirma Inauro defende uma filosofia de administração
calcada não apenas no respeito ao funcionário, mas
na solidariedade humana. "Eu já fui empregado e sei
quais as dificuldades, as angústia de um trabalhador",
costuma dizer. Hoje, o empresário tem à frente da
Fortaleza seus dois filhos - Lucinei e Lucinauro Martins Antunes,
diretores financeiro e operacional respectivamente. Os filhos vêm
dando continuidade ao trabalho de Inauro Antunes. Seguem seu exemplo
e promovem uma administração madura, priorizando sempre
a satisfação das pessoas envolvidas direta ou indiretamente
com o negócio ônibus. Um negócio que, segundo
Inauro, está no sangue. "O óleo diesel entranha
na nossa pele", tenta explicar mais uma vez essa paixão
que o destino resolveu com um casamento perfeito entre um homem
e uma empresa.
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