Slogan
é "ônibus e kombis trabalhando juntos por você"
A Prefeitura Municipal de
Magé, Rio de Janeiro, lançou, através do decreto
nº 1920, o Sistema Complementar de Transporte Público
- SCTP - que busca, ao mesmo tempo, eliminar o transporte ilegal,
complementar o serviço de ônibus, e atender locais
onde não havia nenhum tipo de transporte regular. O sistema
conta com 20 linhas operadas por kombis com pintura padronizada,
dirigidas por motoristas identificados por crachás e que
cumprem rotas alimentadoras do sistema de ônibus.
Para entender o que é esse sistema, Ônibus ouviu o
secretário municipal de Serviços Públicos,
Dalmar Lírio de Almeida, o Mazinho.
R.O: O que é o SCTP e o que traz
de novo para a população?
Dalmar: O Sistema Complementar de Transporte Público traz
uma grande diferença, que é fazer com que o transporte
operado por kombis não seja "alternativo", mas
complementar, possibilitando a convivência harmônica
entre os ônibus e as kombis.
R.O: O SCTP vai mesmo terminar com o transporte
ilegal na região?
Dalmar: Com certeza, porque temos aliados - as próprias kombis
legalizadas. Os operadores não receberam apenas um papel
para colocarem nos pára-brisas. Os veículos têm
pintura diferenciada, com o itinerário mostrado ali na frente
e na lateral. Com 10 dias de operação, esses motoristas
já começaram a reclamar das "bandalhas"
e denunciá-las. Todos são moradores da cidade e donos
do seu negócio, pois os tratamos individualmente. Eles receberam
autorizações semelhantes às dos táxis.
São nossos parceiros.
R.O: Na sua opinião, quem é
beneficiado por esse novo sistema, e quem sai perdendo?
Dalmar: Ninguém perde. O grande beneficiado é
o próprio sistema de transporte do município e, conseqüentemente,
o povo.
R.O: Mas essa não é uma concorrência
danosa para o transporte regular feito por empresas de ônibus?
Dalmar: Não há concorrência danosa. Os
operadores têm as mesmas obrigações que as empresas
de ônibus. Têm de ter ponto final, linhas estabelecidas
pela Prefeitura, pagar ISS. Essas medidas são resultado de
um estudo. Levamos um ano fazendo o projeto. Discutimos com os empresários
de ônibus, com o sindicato dos rodoviários, com o representante
dos operadores de kombis, com a Câmara Municipal através
do presidente da Comissão de Transportes, e com o presidente
da Associação Comercial, Industrial e Agrícola
do Município. As questões técnicas foram determinadas
pelo Departamento de Engenharia de Trânsito da Prefeitura.
R.O: Quanto à segurança dos
passageiros, quais as medidas que o SCTP implantou?
Dalmar: Exigir dos operadores que tenham curso de direção
defensiva, proibir terminantemente a superlotação
é exigir seguro obrigatório.
R.O: Por que foi determinado o número
de 140 kombis legalizadas?
Dalmar. Na verdade, cadastramos aquelas pessoas que estavam
operando no início de 2001. Em janeiro de 2002 foi feito
novo cadastramento. Aquelas que continuavam, tentamos contemplar
com o projeto. Mas havia 170 e só tínhamos condições
de assimilar 140. Houve um sorteio para decidir os 30 que ficariam
de fora. Esses poderão ter nova oportunidade caso sejam criadas
novas linhas.
R.O: E a fiscalização, como
é feita?
Dalmar: pelo Departamento de Engenharia e pela Guarda
Municipal. Para se ter uma idéia, entre ontem e hoje foram
apreendidos 15 veículos. A Prefeitura aplica multa, de acordo
com o Código de Posturas, de R$ 200,00. Não podemos
manter o veículo preso. Desde que regulamentamos o transporte
municipal, a fiscalização é total, inclusive
nas linhas intermunicipais, que só podem funcionar com o
alvará do Detro.
R.O: O que a Prefeitura Municipal de Magé
espera da população, para que esse novo sistema tenha
condições de dar bons resultados?
Dalmar: É importante o cidadão se conscientizar,
exercer seu direito de cidadania. Denunciar os erros, tanto das
kombis quanto dos ônibus, anotando número do veículo,
horário, local e ligar para a Secretaria de Serviços
Públicos, através do telefone (21) 2633-1208. E usar
somente veículos legalizados, sejam ônibus ou kombis.
Para motorista de kombi, a situação
está melhor assim
Segundo o motorista Francisco de Souza Jr., proprietário
da kombi 033, que faz a linha Piabetá-Magé via Capela,
depois do decreto a situação melhorou. Ele transporta
cerca de 150 passageiros/dia, em oito viagens e está mais
tranqüilo com o veículo legalizado. A única coisa
que falta para ficar perfeito é que a estrada tenha uma condição
melhor. Mas, mesmo assim, está otimista: "já
estão asfaltando", anima-se. Francisco fez transporte
ilegal durante 5 anos.
Coordenada:
Diretor de Trânsito e Transporte diz que "o mais importante
é o resgate da credibilidade do sistema de transporte do
município"
Álvaro González Rodríguez, diretor
de Trânsito e Transporte de Magé, demonstra grande
preocupação com a credibilidade do sistema de transporte
público. Acredita que cabe ao poder concedente estabelecer
normas que visem ao ordenamento do trânsito, à utilização
racional do transporte, e a oferecer conforto e segurança
à população. O SCTP não foi uma ação
isolada, conta. Faz parte de um planejamento voltado, principalmente,
para as duas localidades mais importantes e movimentadas do Município:
a sede, Magé, e o 6º distrito, Piabetá, onde
todas as ruas eram de mão dupla, sem nenhuma ordenação.
Lá foi implantado plano viário, com estabelecimento
de mão e contramão, sinalização vertical,
colocação de semáforos e outras medidas.

Álvaro explica, sobre o STCP, que os pontos estabelecidos
para as kombis foram colocados a uma distância de 50m dos
pontos de ônibus, em Magé e Piabetá, e que as
linhas existentes são de três tipos: as idênticas
às dos ônibus, nos locais onde estes sozinhos não
conseguem dar conta da demanda; com mesma origem e destino, porém
por caminhos diferentes; e aquelas que vão onde não
havia nenhum tipo de atendimento de transporte. Cada kombi tem obrigação
de transportar uma gratuidade por viagem, necessariamente no segundo
banco, a fim de garantir maior segurança em caso de acidente.
Cada motorista pode ter um auxiliar e os veículos têm
de ser emplacados no Município. Nas linhas em que a demanda
é maior que o número de kombis disponíveis,
criou-se sistema de rodízio. Em outras, existem motoristas
"curinga". Ele tem convicção de que o novo
sistema vai dar uma "alívio" aos operadores das
empresas de ônibus, que terão maiores condições
para investir na frota. Vê o ônibus como a "espinha
dorsal" do transporte público do Município, e
considera que o equilíbrio econônimo-financeiro dos
operadores, abalado, precisa ser preservado a fim de se manter também
o equilíbrio na prestação do serviço.
Álvaro afirma que será aplicado rigor nas vistorias
feitas pela Prefeitura que verifica, além dos itens exigidos
pelo Detran, outros como a iluminação interna dos
veículos, o letreiro indicativo do destino (quando não
está operando, a kombi tem de circular com os dizeres "fora
de serviço") e outros. Ele esclarece que os motoristas
trabalham uniformizados e que, nos dois primeiros meses, os vidros
traseiros veicularão mensagens institucionais em cartazes
adesivos. Um dos pontos importantes para a solução
"boa para todos" foi a negociação direta
com os "kombeiros", como são chamados no Município,
através de contratação individual e de fidelidade
ao cadastro.
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