José Carlos Reis Lavouras
Presidente do Conselho de Administração da Fetranspor
O Brasil, na eleição
que registrou a maior votação para um presidente em
todo o mundo da atualidade, escolheu o brasileiro que vai conduzir
esta Nação continental nos próximos quatro
anos. Pela primeira vez, um pernam-bucano, um ex-operário,
um ex-retirante, chega ao posto máximo desta República.
E com a expressiva preferência de 52 milhões de brasileiros.
É inegável que se vira uma nova página na história
do país. Nunca a expressão “o governo do povo
pelo povo” foi tão exata, nesses quinhentos e dois
anos pós-descobrimento. A Fetranspor, em nome de todo o empresariado
de transporte coletivo por ônibus deste Estado, faz votos
que essa nova página seja escrita com palavras de paz, ordem
pública, união em torno de interesses maiores, fraternidade,
progresso.
Jamais se teve, no Brasil, um presidente com perfil tão próximo
daquele do cliente do transporte coletivo, razão de existência
de todo o sistema Fetranspor. É de trabalhadores que lutam
com dificuldades, de pessoas de mãos calejadas, de gente
que luta, sonha e chora que se compõe a maior parte dos passageiros
do transporte coletivo. Desses, aqui no Rio de Janeiro, mais de
80% se deslocam utilizando ônibus. Quantas vezes o presidente
eleito terá andado de ônibus em sua vida, nas cidades
por onde passou, trabalhando, lutando por seus companheiros de profissão,
criando o partido pelo qual se elegeu, treze anos depois da primeira
tentativa de chegar à Presidência da República?
Por quantas vezes a primeira-dama não terá utilizado
o transporte coletivo para levar os filhos ao colégio, comprar-lhes
roupas, sapatos, visitar o médico?
Com certeza, o próximo governo – como foi prometido
durante a campanha – estará interessado em ouvir todos
os segmentos da sociedade brasileira. E ouvirá a população,
necessitada de uma qualidade de vida mais digna, que, muitas vezes
pode ser adquirida por medidas simples como a priorização
do transporte coletivo nas vias públicas, que lhes poderá
assegurar viagens mais rápidas na ida para o trabalho ou
na volta para casa, nos horá-rios de pico. Ou a adoção
de medidas que assegurem às transportadoras condições
de prestar bons serviços, com segurança, sem que rodoviários
e passageiros temam por sua integridade física, ou sintam-se
expostos a humilhações impostas por bandidos.
O presidente eleito afirmou, em sua primeira manifestação:
“Nesta eleição, a esperança venceu o
medo”. Que toda a sociedade brasileira possa se livrar de
seus medos, e se tome pela esperança. Parafraseando o velho
ditado, um presidente sozinho não faz verão. Ele precisa
de todos os seus Ministé-rios, do Congresso Nacional, do
bom relacio-namento com a comunidade internacional, precisa do povo.
Que as comemorações de rua, passada a euforia, manifestem
toda essa alegria e confiança através da consciência
de cada brasileiro, de que todos precisamos ajudar ao brasileiro
que chegou “lá”, superando dificuldades que começaram
pela miséria e passaram pela prisão política
e pela discriminação social. Afinal, todos, de todos
os partidos, de todas as condições sociais, de todos
os credos, de todas as raças, queremos o mesmo. Que a esperança
vença o medo. E que o sonho de uma pátria mais justa
se realize.
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