10° Etransport´2002 - Um Congresso com muita estrada

Tendo se iniciado como modesto Encontro dos Transportadores de Passageiros no Rio de Janeiro, em 1989, já em sua segunda edição teve caráter regional e passou a publicar a Carta do Rio de Janeiro, com as diretrizes, opiniões e posicionamentos do setor perante a sociedade, e na terceira, atingiu âmbito nacional. De lá para cá, vem agregando autoridades de transporte de outros países, transformou-se em Congresso e gerou a Feira Rio Transportes – ou Fetransrio. Tornouse bienal, contou com participação de governadores de Estado, ministros da República, secretários de Transporte de vários estados e municípios brasileiros e técnicos renomados, fazendo história no segmento.

Por ocasião da décima versão do Etransport, evento promovido pela Fetranspor e sindicatos filiados com apoio de CNT, NTU, Abrati, Anttur, ANTP, Fabus e Simefre (vide programação), a revista Ônibus faz uma retrospectiva e vai buscar alguns registros dos eventos anteriores, a fim de mostrar seu crescimento e importância em forma de declarações de personalidades ligadas aos temas ali analisados, muitas delas cheias de emoção, envolvimento, interesse.


3º Encontro: preocupação com mãodeobra e modernidade

Em outubro de 1991, no Riocentro, o então superintendente da Fetranspor Alberto Moreira, afirmava: ”O dono de ônibus de ontem é o empresário de ônibus de hoje, que está preocupado com a mãodeobra, a modernidade, a eficiência e a produtividade”. O governador Leonel Brizola, que viria a ser responsável por uma das maiores crises do setor, com a encampação de empresas, seu sucateamento e posterior devolução, reconhecia: “o ônibus é responsável por mais de 90 por cento do transporte no Rio de Janeiro”. Ipiranga e Petrobrás participavam da exposição, mostrando as vantagens do gás natural para o meio ambiente.


4º Encontro: empresário quer fazer valer sua experiência

No encontro seguinte, em que o presidente da Fetranspor, José Carlos Reis Lavouras, indica a posição dos empresários como “em busca do objetivo máximo de prestação de melhor serviço de transporte coletivo aos milhões de cidadãos que nos confiam diariamente suas vidas”, Alberto Moreira foi firme ao mostrar essa determinação: “O setor privado não pode continuar aguardando que o governo planeje sozinho, quando o setor detém a experiência”.

Os temas giraram em torno das questões de Recursos Humanos, ValeTransporte, Comunicação e Marketing, Delegação de Serviços Públicos de Transporte Coletivo, Modal Rodoviário, Tributos e Responsabilidade Civil. Dentre os palestrantes, o exministro dos Transportes Eliseu Resende. Houve até uma mensagem do Papa João Paulo II, lida por Dom João D’Ávila Moreira Lima: ”O Santo Padre almeja que as atividades do 4º Etransport contribuam para o bem comum e para o aprimoramento do serviço de transporte público no Rio de Janeiro”.


Evento tem nível internacional


5° Etransport: Alberto Moreira fala
em nome dos transportadores

Durante o 5º Encontro, também no Riocentro, a feira atinge sua maioridade, dividindose em três salões, e o número de workshops chega a 15, muitos deles realizados concomitantemente, o que gerou dúvidas na platéia, pela importância dos assuntos abordados. Foram palestrantes, dentre outras personalidades, os publicitários Mauro Salles e Washington Olivetto, que falaram sobre a mídia e a imagem do sistema. O especialista em assuntos econômicos da Cepal (Comissão para a América Latina e Caribe da ONU), Ian Thompson, enfocou a experiência chilena com a desregulamentação do transporte. Um momento de emoção foi o recebimento, pelo presidente da Federação, José Carlos Reis Lavouras, das mãos do diretor regional do Senai, Roberto Boclin, da medalha “Educatio et Labor”, conferida in memoriam a seu pai, empresário José Alves Lavouras.


6º e 7º Etransport têm grande participação de autoridades


O jurista Ives Gandra Martins,
durante o 6° Etransport

No evento seguinte, de 5 a 7 de outubro no Riocentro, 16 foram os temas analisados e discutidos. O 6º Etransport’94 contou com premiação do Rodoviário do Ano, presenças do ministro dos Transportes Bayma Denys, do técnico belga Marc Hustin, do exministro Cloraldino Severo e do jurista Ives Gandra Martins dentre os palestrantes e debatedores.

O 7º Etransport registra o décimo aniversário do valetransporte, já consolidado como conquista social do trabalhador brasileiro. O secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, Francisco Pinto, testemunha: “A cada ano, o Etransport vai se consolidando e crescendo em representatividade e na contribuição para a evolução do setor, seja na parte da tecnologia, seja na parte institucional.” Os profissionais rodoviários foram homenageados, recebendo certificados de eficiência e cidadania. A exposição evolui para 1ª Feira Rio Transportes e se torna um marco ao colocar, ao lado dos estandes, desde modelos antigos de ônibus, como jardineiras com janelas de madeira envernizada, até ônibus urbanos com plataforma eletrohidráulica para portadores de deficiência.


8º Etransport lança PAM e PDBQ

 
8° Etransport: O então prefeito Conde fala, ladeado pelo governador Marcello Alencar e pelo presidente da Fetranspor   O então secretário estadual de transportes (RJ), Francisco Pinto, dá a mensagem do poder público durante o 8° Etarnsport

O 8º Etransport iria se transformar em outro grande marco: lançaria os prêmios Alberto Moreira, destinado aos rodoviários que mais se destacassem no desempenho de suas funções, e Daniel Barata, voltado para as empresas cujos processos de gestão de qualidade conseguissem melhor avaliação. O ministro Eliseu Padilha, dos Transportes, prestigiou o Etransport, já na condição de Congresso, e em caráter bienal. Foi realizado no Museu de Arte Moderna.


9º Etransport: último evento de transportes do século XX


9° Etarnsport: o ministro Eliseu Padilha foi um dos palestrantes

Esta foi uma das mais marcantes características do 9º Etransport. O setor queria “luzes para o século XXI”. O ministro Eliseu Padilha adianta aos participantes o andamento da Lei 8.693, que dispõe sobre a descentralização dos serviços de transporte ferroviário e enfatiza a vontade do governo federal de ter a iniciativa privada como parceira. O senador Ney Suassuna propõe o diálogo entre transportadores e governo e o ministro Ovídio de Ângelis, da SeduPR, fala sobre a política nacional de transporte urbano, que já começa a se delinear. Os juristas Sérgio Cavallieri e Manoel Luiz Zuanella fazem palestras inesquecíveis sobre a responsabilidade social das empresas de transporte. O jurista Frederico Coelho de Souza afirma: “O Estado socializou os ganhos, a eficiência e privatizou os riscos.” A mensagem do presidente da Fetranspor na publicação sobre o evento, termina com a frase: “Honremse o 9º Etransport e a 3ª Fetransrio. Que seus resultados não sejam sonhos à beiramar!

10º Etransport

A próxima edição da revista Ônibus trará cobertura completa da décima versão desse evento, a se realizar quando esta edição estiver sendo distribuída.

   
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