Fetranspor lança projeto de conscientização
contra perigos do álcool
Projeto

Foi lançado, em 14 de outubro último, no auditório da Rio Ita, projeto do sistema Fetranspor, voltado para os rodoviários, cujo objetivo é “Alcoolemia Zero”. A idéia é conscientizar os funcionários das transportadoras sobre os efeitos nocivos do álcool na saúde humana e os reflexos que provoca no comportamento do indivíduo na comunidade, na empresa, na família e na condução dos veículos, mesmo se ingerido em pequenas dosagens.

Ainda sem nome definitivo (a Federação vem colhendo sugestões), o projeto está sob coordenação do assessor médico da Fetranspor, Dr. Fernando Moreira, que se dispõe a prestar orientações às empresas interessadas, promover visitas a garagens, criar agentes multiplicadores no sistema, agindo em conjunto com as unidades operacionais do Sest/Senat e buscar parcerias, pois o problema é de toda a sociedade. “Estamos começando pelo nosso setor, tentando fazer a nossa parte, mas o alcoolismo é um problema de todos”, registra.

Desafio lançado na Semana Nacional do Trânsito

A idéia marcou o evento de abertura da Semana Nacional de Trânsito no -segmento de transporte do Rio de Janeiro, realizado no Capit 7 – José Alves Lavouras no dia 18 de setembro. Durante discussão do tema “Uso e Abuso do Álcool na Socie-dade e a Repercussão na Economia das Empresas de Transportes”, foi lançado, pela Fetranspor, o desafio de se criar programa para combater a ingestão de álcool, como forma de prevenção de acidentes.

Após palestras do presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas, Dr. José Mauro Braz de Lima; do presidente consultivo da entidade, Dr. Francisco Sant’Anna; do presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Emergência, Dr. Marcos Musafir; da diretora geral do Hospital Estadual São Francisco de Assis/UFRJ, Dra. Ângela Mendes Abreu; e do assessor médico da Fetranspor, Dr. Fernando Moreira, Urquiza Nóbrega, superintendente da Federação, propôs realização de trabalho permanente de conscientização, mobilizando empresários e rodoviários, com apoio acadêmico e científico das entidades ali representadas e de outras, que viessem a se agregar.

Estado precisa de parceiros

Segundo o médico José Mauro, além da pesquisa e do atendimento ao acidentado, hoje existe uma preocupação muito grande com a sua reabilitação e reinserção na sociedade. A reconhecida falta de recursos do Estado obriga as entidades a buscarem parcerias com a iniciativa privada, explicou, fazendo questão de registrar a “posição de vanguarda, em um país que tem tantas coisas a serem discutidas” assumida pela Fetranspor, em antiga parceria com UFRJ e Abrad que “produziu frutos inestimáveis”.

Afirmando “que não podemos ficar apenas na superficialidade, a abordagem tem de ser sistemática”, o especialista enalteceu o trabalho conjunto com o HESFA, que encaminha dados de suas atividades ligadas ao atendimento de acidentados de trânsito para a parte acadêmica, e está implantando o Núcleo de Atendimento Integrado ao Acidentado de Trânsito (Naiat), que inclui a família do paciente nesse acompanhamento. A diretora do Hesfa mostrou dados mundiais que demonstram a importância de atendimento às vítimas da violência no trânsito de forma multidisciplinar, e a necessidade de prevenção intensa, incluindo a capacitação profissio-nal e a educação para o trânsito.

Unanimidade

Os especialistas foram unânimes quanto às propostas para retirar o Brasil da lista dos países com maior número de vítimas fatais de acidentes de trânsito: são necessárias mais informação, educação e prevenção. A sensibilização de todo o quadro funcional das organizações, campanhas internas e disponi-bilização de recursos para combate ao alcoolismo, a observação atenta de alguns fatores como faltas freqüentes, repetição de quadros clínicos específicos, atrasos e incidentes no serviço foram recomendadas por Francisco Sant’Anna. Marcos Musafir alertou que, apesar do Código de Trânsito Brasileiro tolerar o índice de alcoolemia de até 0,6 mg/l, o ideal é que esse índice seja zero, para quem trabalha no trânsito. Para Fernando Moreira, é importante buscar uma solução para a mortalidade no trânsito tão eficaz quanto o soro oral para as doenças diarreicas – simples, barato, facilmente encontrável e capaz de mudar o perfil de mortalidade no mundo.



Veja alguns dados sobre o assunto:

Relação percentual mundial de frota/acidentes
(100% = frota mundial total)
  Países desenvolvidos Países em desenvolvimento
Frota 70% 30%
Acidentes 30% 70%
Gastos com acidentes
de trânsito
Brasil
35 bilhões de reais/ano
União Européia
45 bilhões euros/ano
Alguns efeitos do álcool

• Aumenta a agressividade
• Reduz os reflexos
• Reduz a visão de profundidade
• Altera o controle corporal
• Propicia visão dupla
• Causa sono
• Leva à embriaguez
 
Perspectivas: Em 1996, o trânsito não chegava a aparecer nos relatórios da OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre causas de mortes no planeta. Em 1999, já ocupava a nona posição. A previsão é que, em 2020, esteja em terceiro lugar. No Brasil, esta já é a segunda causa de mortalidade e a sexta de internações.

Alguns percentuais

92% dos acidentes de trânsito provêm de falha humana.
76% dos acidentes por falha humana, com socorro registrado pelo GSE (Corpo de Bombeiros), envolvem ingestão de álcool.
65% dos leitos hospitalares brasileiros estão ocupados por vítimas da violência no trânsito .
10% das pessoas são dependentes.
30% das pessoas abusam do álcool.
50% das pessoas bebem “socialmente”.
10% das pessoas são abstêmias (não bebem álcool).
90% das pessoas podem, em algum momento de suas vidas, misturar direção e álcool.
13% dos recursos do SUS são absorvidos por tratamento de traumatismos causados por acidentes de trânsito.

   
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