José Carlos Reis Lavouras
Presidente do Conselho de Administração da Fetranspor
 |
| Vista aérea dos ônibus parados
em frente à Câmara Municipal de São Paulo,
durante protesto de motoristas e cobradores de duas empresas.
Agora São Paulo – 26/11/2002 |
Os graves acontecimentos ocorridos
recentemente em São Paulo – a foto ao lado é
bem ilustrativa do que aconteceu naquele importante centro nervoso
da economia nacional – demonstram a imperiosa necessidade
de se fortalecer estreita e respeitosa parceria entre o poder público
e seus concessionários e permissionários.
Transporte coletivo é serviço público. Vale
repetir: mais do que serviço público, tem cunho essencial.
Os usuários têm direito a serviço adequado,
aquele que “satisfaz as condições de regularidade,
continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade,
cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas”,
como definido na lei nacional das concessões.
Como serviço público essencial, contínuo, indispensável
à mobilidade da população, a partir das camadas
de menor renda, o primeiro devedor dessa prestação
é o próprio governo. Quando o governo, por conveniência,
e dentro do permissivo constitucional, delega a particulares, pela
via da concessão ou permissão, a execução
desse serviço, não está se desonerando de suas
graves obrigações. O concessionário, por sua
vez, está absolutamente dependente dos regulamentos e das
condições econômicas para prestar serviço
de qualidade à população. Por mais eficiente
que seja a empresa concessionária, trabalhando em nível
de excelência de qualidade e produtividade, caminhará
para a decadência quando rompido o princípio fundamental
do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Assim, poder público e concessionário são duas
faces de uma mesma moeda. Não se opõem. Ao contrário,
se justapõe esse cordão umbilical entre o poder concedente
e o operador legal, impondo parceria fundada no diálogo,
na verdade, na justiça, na transparência.
Com o maior respeito às crises que aqui e ali ocorrem, como
se verifica em São Paulo há muitos mandatos governamentais,
é indispensável se colocar em patamar mais elevado
o processo de negociação entre autoridades, operadores
e usuários. Em qualquer crise, com greve ou não, a
maior prejudicada é a população. Sobretudo
a população pobre, residente em subúrbios longínquos,
que só dispõe do ônibus como meio para chegar
ao trabalho e às suas outras obrigações diárias.
Esta é a mensagem da Fetranspor a todos os que detêm,
no Brasil, responsabilidades na regulação e na operação
do serviço público de transporte coletivo por ônibus.
|