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Tarifas podem ser reduzidas
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| Marcos Bicalho: desoneração das
tarifas é prioridade da NTU. |
“A desoneração
das tarifas é hoje um dos projetos prioritários da NTU”, afirmou
o superintendente da entidade, Marcos Bicalho, em palestra realizada
na tarde de 9 de novembro, durante o 10º Etransport. Bicalho destacou
que, desde 2000, a NTU vem desenvolvendo amplo trabalho de planejamento
estratégico no sentido de recuperar o setor. Desse planejamento
faz parte a desoneração tarifária. Segundo o palestrante, o custo
do passageiro é muito alto no Brasil e os dois principais fatores
que contribuem para esse alto custo são a carga tributária e o excesso
de gratuidade sem fonte de financiamento. Bicalho apontou ainda
outros fatores, como a baixa velocidade operacional devida ao excesso
de tráfego, o que onera em cerca de 20% os custos em São Paulo,
por exemplo; a proliferação do transporte informal, acarretando
diminuição da demanda, sem que a oferta tenha caído na mesma proporção;
o aumento do preço dos principais insumos, em especial o óleo diesel;
e a irracionalidade dos sistemas, com redes ineficientes e uma política
tarifária inadequada, como a da tarifa única.
Sobre o problema das gratuidades, o superintendente apresentou um
estudo feito pela NTU a respeito do impacto das gratuidades sobre
as tarifas. No Rio de Janeiro, por exemplo, o total de gratuidades
chega a 39,7% dos passageiros transportados, causando um impacto
de 28,42% no preço da tarifa. Em São Paulo, de acordo com Bicalho,
a prefeitura já está utilizando recursos orçamentários para pagar
pelo transporte do estudante. Em Belo Horizonte, o passe estudantil
já foi extinto. Mas, na maioria das cidades, a gratuidade para estudantes,
idosos, deficientes e outras categorias permanece e vem pesando
no custo total da tarifa. A média nacional, segundo Bicalho, está
em torno de 21% de gratuidades, que oneram em 19% a tarifa. A maioria
da população, no entanto, não tem conhecimento de que quem paga
pela gratuidade são os próprios passageiros, informou o palestrante.
“Em recente pesquisa, apenas 38% disseram que são os passageiros
que pagam. Outros 34% disseram que é o governo, 5% disseram que
são as empresas, 11% afirmaram que cada um paga um pouco e o restante
não sabe ou não quis opinar”.
A carga tributária, que divide com as gratuidades o peso da responsabilidade
pelo preço da tarifa, também foi questionada. De acordo com o palestrante,
o total de tributos, como Pis/Pasep, Cofins, ISS, taxa de gerenciamento
e, em alguns estados, o ICMS, somado ao total de encargos, representam
25% dos custos das empresas hoje. “Portanto, com 25% de gratuidades
e mais 25% de tributos e encargos, as tarifas estão sendo oneradas
em 50%”, concluiu. As saídas existem, ele diz. Uma alternativa seria
enquadrar as empresas no Simples, um tributo que incide sobre o
faturamento e não sobre a folha de pagamento. Outra proposta é dar
ao setor de transportes o mesmo tratamento que se dá ao de agronegócios,
cuja tributação é sobre a receita bruta de comercialização dos produtos.
Segundo Bicalho, se as empresas forem enquadradas no Simples, a
redução da tarifa pode chegar a 12%. Se, além disso, tiverem restituição
de 50% das gratuidades, a tarifa poderá ser reduzida em 26%. E,
se houver isenção total dos tributos e restituição completa das
gratuidades, a tarifa poderá sofrer redução de 50%.
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Ofugi: ANTT quer tratar linhas interestaduais
e internacionais segundo especificidades. |
O segundo palestrante, Noboru Ofugi,
diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), falou
do papel da Agência, instalada em fevereiro de 2002. Segundo Ofugi,
compete à ANTT regulamentar e acompanhar o transporte interestadual
e internacional de passageiros, um setor representado por 250 empresas
e que opera três mil linhas. Ele informou que a Agência está desenvolvendo
estudos para tratar de forma diferenciada as linhas, de acordo com
suas características e percurso. Sobre a gratuidade, concordou que
é injusto não haver fonte de financiamento. “No que diz respeito
a tributos, temos acompanhado a própria Abrati, que está com uma
ação para isenção de ICMS no transporte interestadual”, acrescentou.

Barat: demanda menor e custo maior
é "combinação explosiva".
Josef Barat, ex-secretário de Transportes
do Estado do Rio de Janeiro, que atua como consultor, também defendeu
a desoneração das tarifas. “Há uma crise estrutural do transporte
coletivo no país como um todo e, particularmente, em algumas cidades.
Isso implica numa necessidade de racionalizar custos e desonerar
tarifas”, disse. Segundo Barat, a tendência de demanda decrescente
e de custos crescentes é uma combinação “explosiva” em qualquer
negócio. “No setor de transportes em particular, porque esbarramos
num terceiro problema, que é o limite de capacidade de contribuição
do usuário e de sua renda. Num negócio público essencial não se
pode transferir esse ônus para o usuário”, completou. Barat defendeu
que deve haver uma forma mais inteligente de contemplar o setor,
beneficiando o usuário final.
Para o palestrante, a queda acentuada da demanda de passageiros
que o setor vem enfrentando se deve ao aumento da frota de automóveis,
ao transporte informal e também ao crescente número de pessoas que
passam a andar a pé. Barat explicou que enquanto a demanda cai,
a frota permanece estável. Isso significa capacidade ociosa. O percurso
médio também permanece estável. Os ônibus percorrem vazios os mesmos
itinerários de anos atrás. Em São Paulo, de acordo com Barat, o
IPK (índice de passageiro por quilômetro), que em 1991 chegou próximo
a 4, em 2001 foi 0,70. A velocidade média, também em São Paulo,
era de 24km/h em 1983, e em 2000 foi de 12km/h. A idade média da
frota na capital paulista no ano passado chegava a quase oito anos.
“É um círculo vicioso”, afirma Barat. E tudo isso, diz o palestrante,
acarreta aumento de custo de operação.
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