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Operação em consórcio pode reduzir os
custos e melhorar os serviços
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| Luiz Mário: público deve ser o aferidor de
qualidade |
Gavinho: finalidade é prestar melhor
serviço. |
A experiência que a cidade de Porto
Alegre vive desde janeiro de 1998, com seu modelo de gestão
de transporte por consórcio de empresas, foi levada ao 10º
Etransport pelo gerente executivo da Associação dos
Transportes de Passageiros de Porto Alegre (ATP), Luis Mário
Magalhães Sá. O palestrante explicou que antes da
operação consorciada, as 15 empresas privadas, que
respondem por 80% do transporte da cidade, não operavam em
conjunto. “Formavam uma rede independente e até certo
ponto anárquica. Cada uma explorando certa quantidade de
linhas, cada uma responsável pela sua permissão. Não
havia preocupação com a instalação de
um sistema de transporte”, contou Sá. Hoje, existem
em Porto Alegre três consórcios urbanos – Conorte,
Unibus e STS – formados pelas empresas privadas. A Carris,
empresa pública da cidade, responsável por transportar
os outros 20% da população, segundo Sá, não
se uniu a nenhum consórcio e continua operando “de
maneira anárquica, prejudicando, inclusive, a atuação
dos consórcios”.
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| Myriam Aguiar: racionalização
em prol da eficiência e da viabilidade econômica
das empresas. |
O gerente executivo da ATP explicou que para a formação
dos consórcios, foi necessária a adoção
de medidas estratégicas como a melhora das condições
físicas e operacionais e a revisão das relações
institucionais com o Poder Público. “Não adianta
consórcio se os ônibus continuarem disputando espaço
de tráfego”, afirmou. Assim, Porto Alegre conta hoje
com 50,5 quilômetros de corredores exclusivos totalmente segregados
do restante do tráfego, os chamados Busway, e 3,7 quilômetros
de faixas exclusivas, as Busline simples que funcionam junto aos
meio-fios. Com isso, informou Sá, a velocidade média
comercial chega a 28 km/h. Outras vantagens vêm sendo agregadas,
como a melhora da frota. De acordo com Sá, a maioria dos
veículos em operação hoje em Porto Alegre possui
motor traseiro, 15% da frota já estão equipados com
ar, 10% com a tecnologia low entry (piso baixo), 10% estão
adaptados para portadores de deficiência, mais de 20% possuem
câmbio automático e a idade média está
em 4,3 anos. Outro importante avanço é a análise
do desempenho do sistema feita pelo próprio usuário.
Foi desenvolvida uma pesquisa que avalia os principais atributos
que definem a qualidade do serviço. “O público
deve ser o aferidor da qualidade do serviço. A idéia
é que o poder público se balize pela pesquisa e os
consórcios sejam livres para estabelecer a programação
operacional”, disse.
O sistema de consórcio de São Luiz, Maranhão,
também foi apresentado no workshop pela superintendente do
Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de São
Luiz, Myriam Aguiar. Lá, de acordo com Myriam, a constituição
dos consórcios é diferente da de Porto Alegre. “O
consórcio não tem personalidade jurídica e
cada empresa manterá sua própria personalidade, sem
responsabilidade solidária ou subsidiária entre elas
ou com o consórcio. Ou seja, o consórcio não
possui natureza jurídica pública. A participação
de cada empresa no consórcio corresponderá à
proporcionalidade de sua receita perante a soma de todas as receitas
das empresas integrantes do consórcio e o percentual de participação
na receita será igual ao percentual de participação
nos custos dos serviços prestados”, revelou. O principal
objetivo, segundo Myriam, é racionalizar esforços
para tornar as empresas consorciadas mais eficientes operacionalmente
e viabilizá-las economicamente.
O presidente da mesa e membro do Conselho de Administração
da Fetranspor, Francisco Gavinho, ressaltou a necessidade que existe
de uma forma de união das empresas de transportes para operar
em conjunto ou em consócio. “A finalidade é
prestar um melhor serviço ao usuário”, disse.
O palestrante Luis Sá falou ainda de sua preocupação
com a atual crise do setor. “Não tenho recordação
de uma crise tão grande”, afirmou. Ele lembrou que,
além de buscarmos novos modelos institucionais, é
importante buscarmos também novas formas de financiamento
para o transporte. Segundo o palestrante, a operação
em consórcio sozinha não é a solução.
“Reduzimos o custo operacional através da operação
consorciada, mas continuamos perdendo passageiro. Se não
tivermos um modelo de financiamento do transporte coletivo, vamos
assistir à sua diminuição nas cidades”,
afirmou.
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