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Vidor fala sobre a imprensa
e sobre os jornalistas
Em menos de uma hora de palestra,
o jornalista George Vidor deu uma verdadeira aula sobre imprensa,
no terceiro workshop do 10º Etransport, realizado na manhã
do dia 9 de novembro. Vidor enfatizou que é preciso saber
quem são os jornalistas para entender a imprensa. “O
jornalista tem o perfil do cidadão médio. Não
é especialista em transporte, economia, política,
em coisa alguma. Ele sabe o que o cidadão médio sabe”,
informou. Segundo o palestrante, uma pessoa tem cerca de 15 a 20
minutos por dia para ler em média 1.200 assuntos publicados
diariamente num jornal. Por isso, “temos que escrever de uma
maneira que o cidadão médio consiga entender”.
Vidor ressaltou que um empresário de ônibus, por exemplo,
sabe cem vezes mais sobre transportes do que quem vai entrevistá-lo.
Mas, o jornalista, mesmo com sua falta de especialização,
possui a técnica do que e de como perguntar. “Em três
meses de profissão, um jornalista já fez mais entrevistas
do que um entrevistado dará em toda sua vida”, afirmou.
Sobre o que é notícia nos jornais, Vidor explicou
que a mídia, de uma maneira geral, vai dar a informação
que interessa às pessoas: “o que é novidade,
o que é ruptura do cotidiano”. O jornalista revelou
que uma matéria deve ser escrita começando com o que
é mais importante e terminando com o que é menos importante.
Essa técnica facilita a edição e a leitura
do jornal. “O leitor pode ler apenas as cinco primeiras linhas
para se informar do que trata a notícia”. Vidor aproveitou
o Encontro para fazer uma brincadeira com o público. “Vou
formá-los em jornalistas em apenas cinco minutos”,
desafiou. E perguntou à platéia quem deveria ser procurado
para dar depoimento sobre uma denúncia contra empresas de
transporte. “O presidente da Fetranspor, o representante do
Poder Público”, disseram as duas primeiras pessoas
questionadas pelo jornalista. “Não foram encontrados”,
rebatia Vidor. No final, sobrou o cidadão comum para ser
entrevistado. Vidor finalizou a brincadeira com a seguinte mensagem:
“o antídoto para isso é a transparência
e a rapidez na informação. Se você não
der a sua versão, sairá publicada a outra”,
resumiu.
O presidente do Setransparj (Rio Ônibus), Lélis Marcos
Teixeira, também falou no workshop, apresentando o planejamento
estratégico do Sindicato, com ênfase para a área
de Comunicação e Marketing. “Estamos saindo
de uma posição reativa para uma pró-ativa”,
afirmou. Lélis destacou algumas ações estratégicas
que foram implantadas com o objetivo de melhorar a imagem das empresas
de transporte. O primeiro passo foi a criação de uma
nova marca para o Sindicato – Rio Ônibus. Depois, vieram
o treinamento e capacitação de rodoviários
e diretores das empresas, a partir de cursos de relacionamento com
o cliente e de pós-graduação em marketing,
entre outros, a criação do site do Sindicato e do
Serviço de Atendimento ao Cliente, projetos de Responsabilidade
Social, como o transporte de crianças para passeios culturais,
e a publicação semanal, no jornal O Dia, e quinzenal,
no Jornal do Brasil, de uma página inteira sobre transporte,
com informações a respeito das empresas e do sistema.
“O que precisa ficar claro com isso é o respeito que
temos que ter com a sociedade. Ela tem o direito à informação”,
concluiu Lélis.
Carlos Alberto Rabaça, professor e sociólogo, lembrou
que a cultura do setor de transporte está se modificando.
“Antes era uma cultura de segredos. Agora, há uma decisão
de seus dirigentes de mudar esses valores”, disse. Sobre o
perfil do jornalista apresentado por Vidor, Rabaça acrescentou:
“ele não é um bicho que pega, como pensávamos
no passado. É um profissional que quer aprender. Mas vocês
têm que estar dispostos a ensinar, a abrir suas planilhas,
a mostrar suas práticas”, afirmou. O palestrante destacou
ainda que o índice de rejeição do setor ainda
é alto, mas vem apresentando uma tendência de queda.
Na sua opinião, isso se deve ao fato de os jornalistas estarem
tendo mais acesso à informação, o que não
acontecia antes devido ao preconceito mútuo entre empresários
de transporte e imprensa. “Hoje, todos os grandes editores
estão aprendendo sobre transporte”, lembrou.
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