Paraíba do Sul produzirá biodiesel em um ano
Meio Ambiente

Por Roselene Alves


Peregrino: tecnologia é revolucionária

O Estado do Rio de Janeiro, segundo o secretário, é o pioneiro na produção do combustível no país e, além de Paraíba do Sul, serão instaladas mini-usinas em outros 11 municípios do Estado. “Começamos por Paraíba do Sul porque a prefeitura cedeu uma área de mil hectares para o plantio de mamona, de onde será extraído o óleo para a fabricação do bio-diesel. Já estamos planejando a plantação, e a produção inicial será utilizada na própria frota da prefeitura, em geradores de áreas rurais e urbanas, e pretendemos que seja experimentada também na frota de ônibus da cidade. Nosso objetivo é substituir uma fração do óleo diesel”, afirma Peregrino, que realizará um seminário com os empresários de transporte da região de Paraíba do Sul para explicar os benefícios do projeto.

Na opinião do secretário, os ganhos com o novo combustível são muitos. A começar pela redução da emissão de gases poluentes; redução das importações de óleo diesel e da dependência energética do país; redução da saída de divisas, como conseqüência da diminuição da importação do petróleo bruto (atualmente o Brasil importa 10 bilhões de litros de óleo diesel por ano, o correspondente a 30% do consumo nacional); geração de empregos; desenvolvimento da agricultura, e economia para os usuários, pois o preço será mais baixo do que o do diesel. No aspecto da saúde pública, o bio-diesel também ajudará na diminuição do efeito estufa e das doenças broncorrespiratórias, cardiovasculares, câncer e outras. “Nos Estados Unidos, as doenças do pulmão e do coração causadas, entre outras coisas, pela poluição, matam por ano 70 mil pessoas. Assim, com a redução da emissão de poluentes, reduziremos também os óbitos e internações decorrentes da poluição do ar”, afirma o secretário.

O prefeito de Paraíba do Sul , Rogério Onofre, explica que foi realizado um estudo do solo para verificar se seria possível o cultivo da mamona no terreno cedido pela prefeitura. “Estamos prontos para iniciar a plantio no mês de março. Como o tempo entre a plantação e a colheita é em torno de um ano, acredito que entre março e abril do ano que vem já estejamos produzindo o biodiesel, pois durante esse ano de cultivo, vamos construir a usina”, explica. “Esse é um projeto-piloto, que inicialmente atenderá à prefeitura, fornecendo o combustível para a sua frota, e trará outros benefícios para o município, como a geração de impostos e de empregos no campo, sem falar no fator ecológico”, completa Onofre, que já está conquistando a adesão de fazendeiros da região, que pretendem investir no plantio da mamona para a extração do óleo e industrialização pela usina local.

Mas não basta o compromisso da prefeitura de Paraíba do Sul, dos demais municípios onde serão instaladas as usinas e do Estado do Rio para que o projeto seja bem sucedido. De acordo com Peregrino, será preciso firmar parcerias com órgãos federais, em especial o ministério da Ciência e Tecnologia, e com a Fetranspor, que poderá incentivar o uso do combustível pelas empresas de transportes de passageiros do Estado. “Já dominamos a tecnologia e contamos com o monitoramento da Coppe/UFRJ, que está nos dando assistência técnica, mas só poderemos dar entrada na ANP (Agência Nacional do Petróleo) para pedir a aprovação do uso do combustível se comprovarmos sua utilização e vantagens em larga escala”, explica o secretário.

O investimento inicial na usina de Paraíba do Sul será de R$ 1 milhão. Esse valor será financiado pela prefeitura e por órgãos do governo federal. “Como eu disse, vamos precisar da participação de todos”, destaca o secretário. Peregrino acredita que quatro anos será o tempo suficiente para que as 12 mini-usinas estejam em funcionamento. “Tudo vai depender dos nossos parceiros. Da parte do governo do Estado há uma urgência para esse projeto. Precisamos ver se essa urgência é coletiva”, conclui. Vale lembrar que o combustível já é usado há 15 anos em dez países.

Sobre o biodiesel

É produzido por transesterificação de óleos vegetais (reação do óleo vegetal cru com metanol, resultando em metil-éster e glicerina, como subproduto)

• Neste processo, de 1 t de óleo vegetal obtém-se 1 t de metil-ester (biodiesel) e 0,1 t de glicerina;
• O biodiesel é compatível com o diesel e pode substituí-lo. Não contém compostos de enxofre, proporcionando uma queima mais limpa;
• É um combustível renovável e não contribui para o efeito estufa, pois o CO2 emitido em sua combustão é absorvido por fotossíntese da própria planta de que foi extraído;
• As possíveis desvantagens técnicas para seu uso na substituição do diesel são a biodegradabilidade e a instabilidade, em condições de calor e umidade, que podem gerar substâncias prejudiciais ao funcionamento dos motores;
• Ainda não existe um consenso quanto à matéria-prima, ou seja, qual vegetal trará maiores vantagens na produção do biodiesel, tanto em relação à qualidade do combustível, quanto à questão social, à produtividade etc.
• O biodiesel pode ser produzido a partir de soja, algodão, dendê, milho, mamona, arroz, canola, côco, girassol, amendoim e outras oleaginosas

   
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