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Um país
auto-suficiente em petróleo, mas ainda com deficiências
no refino. Esta é a situação atual do Brasil,
o que constitui um problema que o governo Lula pretende atacar de
frente – o Ministério das Minas e Energia já
apontou a necessidade de se adotar medidas de incremento da capacidade
nacional de refino, com a participação da Petrobras.
Antenados nessa perspectiva, vários estados da Federação
pleiteiam a instalação de uma refinaria em suas terras.
A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, lançou,
nos primeiros dias de janeiro, a campanha “A Refinaria é
Nossa”, em cerimônia na sede da Federação
das Indústrias do Estado, onde foram expostas as várias
razões em que seu governo se apóia para lutar pela
instalação de uma unidade de refino no Norte fluminense.
Na ocasião foi divulgado um manifesto, e, de saída,
a campanha contou com adesão da própria Firjan, da
Associação Comercial do Rio de Janeiro, da Fetranspor,
de senadores, deputados, vereadores e prefeitos dos mais diversos
partidos, além de entidades da sociedade civil.
Outros estados na disputa
Além do Rio, Espírito Santo, Rio Grande do Norte,
Pernambuco e Ceará procuram demonstrar que têm condições
de abrigar a nova Refinaria, que envolverá aplicação
de recursos que podem chegar a US$ 2 bilhões. A cria-ção
de 600 postos de emprego será uma das vantagens para o Estado
escolhido.
O governo do Espírito Santo defende que a descoberta, no
ano passado, de duas novas reservas, e a entrada em operação
dos campos de Jubarte e Cachalote levarão o estado a produzir
350 mil barris diários, o que o colocará em segundo
lugar como produtor no país. O Rio Grande do Norte, com produção
de 100 mil barris/dia, se fundamenta na proximidade com os maiores
consumidores, Pernambuco e Ceará, e na necessidade de manter
a produção local de petróleo. Só que
esses dois consumidores também lutam por conseguir sediar
a Refinaria do Nordeste, projeto que tenta atrair, já há
alguns anos, investidores para o setor. Inicialmente, a implantação
estava prevista para o Ceará, depois a idéia seria
instalá-la em Pernambuco, no Porto de Suape.
O secretário da Energia, Indústria Naval e Petróleo
do Rio, Wagner Victer, confia no fato de que o seu estado é
o maior produtor nacional, responsável por 80% do petróleo
produzido nacionalmente. A campanha lançada pelo governo
Rosinha se reporta aos 50 anos daquela levada a efeito com o slogan
“O petróleo é nosso”, que resultou na
criação da Petrobras. Desde a gestão passada,
o governo do Estado criou fundo, com recursos dos royaltes cobrados
sobre a produção de petróleo, que deverá
arrecadar US$ 280 milhões em sete anos. O objetivo é
investir esses recursos na obra, em troca de participação
acionária do Estado na Refinaria.
O papel da Petrobras
Nenhuma outra empresa brasileira tem condições de
produzir petróleo suficiente para suprir uma refinaria. Por
isso, qualquer refinaria só sai do papel se a Petrobras participar,
mesmo que de forma minoritária. Mas, tal como a política
de preço dos combustíveis, a política de refino
também cabe ao Ministério das Minas e Energia, sendo
dele a decisão quanto à construção de
novas unidades.
Por que uma refinariaé necessária?
Segundo a Agência Nacional de Petróleo, o Brasil
tem espaço para duas novas grandes refinarias, pois precisa
ampliar a capacidade de produção de derivados de petróleo,
em pelo menos 400 mil barris/dia. As perspectivas são de
que, em 2010, estaremos importando 35% do consumo interno de derivados
(hoje importamos 17%), quando o percentual aceito interna-cionalmente
é de uma dependência externa de 10%. Segundo especialistas,
a decisão de construção de uma ou mais unidades
de refino precisa ser rápida, pois esse tipo de investimento
demanda um período de seis a sete anos.
Ministra quer refinaria no Nordeste
A ministra Dilma Roussef, das Minas e Energia, já anunciou
sua intenção de construir uma refinaria no Nordeste
do país, o que não desanimou aqueles que lutam pela
implantação da Refinaria do Norte Fluminense (Renorte).
O presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira,
por exemplo, acredita que o Rio pode ser transformado numa charmosa
versão do Texas, aliando a indústria petrolífera
às inúmeras belezas naturais do Estado. Além
da produção de petróleo e derivados, Eduardo
Eugênio vê a possibilidade da construção
de um porto para o transporte de líquidos, que poderia ser
em Campos, Macaé ou São João da Barra. Importante
para escoamento da produção de álcool produzido
na região, o porto seria uma forma de incrementar a cultura
canavieira, para a qual Gouvêa prevê um grande salto,
com utilização de novas tecnologias. Segundo ele,
empresários israelenses já estariam interessados na
realização de projetos de irrigação
naquela área.
Por que uma refinaria no Norte Fluminense?
O manifesto do governo do Rio de Janeiro aponta várias
razões. Eis algumas delas:
• A região é, há décadas, a maior
produtora do país, com 80% da produção nacional;
• Mesmo assim, o Norte fluminense é, segundo o IBGE,
uma das regiões mais pobres do Sudeste brasileiro;
• A localização geográfica é privilegiada:
no centro do grande mercado consumidor, formado por Sudeste e Centro-Oeste;
• As grandes áreas desertas da região favorecem
a construção de um parque industrial sem que sejam
cometidas agressões ao meio ambiente;
• Há condições favoráveis para
implantação de infra-estrutura de escoamento, através
de vias marítima, ferroviária, rodoviária e
dutoviária;
• A geração de empregos e de novos negócios
contribuiria para que a riqueza do subsolo da região gerasse
melhorias para a população local, convertendo-se em
fator de desenvolvimento permanente.
Enerj debaterá projeto
A Associação Comercial do Rio de Janeiro, presidida
pelo ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, vai
discutir a necessidade de implantação da Refinaria
do Norte Fluminense no Enerj, (Encontro de Energia do Rio de Janeiro),
a ser realizado ainda neste semestre. Marcílio acredita que
o Brasil tem condições de levantar o capital necessário
para a construção da refinaria, seja com recursos
internos ou externos. Ele afirma que o país ainda não
conta com uma unidade de refino adequada para o tipo de petróleo
que se extrai da Bacia de Campos, mais pesado. As refinarias existentes,
por serem mais antigas, foram projetadas apenas para o petróleo
do tipo brend, informa.

“Um investimento desse porte, que envolve algo
em torno de US$ 2 milhões, é normalmente estruturante,
no sentido de ter efeito propagador. Gera empregos, atividades,
negócios, é como uma semente, que cria muitas coisas.
O petróleo se transforma em muitos produtos, gerando valores,
recolhimento de impostos, em suma: cria riqueza, o que é
muito importante para o Estado, que poderá investir em vários
campos, principalmente no social. Uma refinaria, por natureza, tem
essa importância. O Estado do Rio de Janeiro é responsável
pela produção de 80% do petróleo do país,
sendo que são refinados aqui apenas 10% (cerca de 200 mil
barris/dia). Se a maior parte do petróleo é produzido
nesta área geográfica, a fundamentação
para se ter aqui uma refinaria é gigantesca, principalmente
se levarmos em conta que o petróleo de Campos tem características
especiais. Se precisamos de uma refinaria, se essa refinaria precisa
ter características especiais, e a produção
desse petróleo é aqui no Rio de Janeiro, nada mais
legítimo do que o pleito para que essa unidade seja construída
aqui. Quanto à localização no Norte fluminense,
vai agregar muito valor social àquela população,
que é a mais pobre do Estado, e se assemelha, em alguns aspectos,
com a do Nordeste do país. A implantação de
uma refinaria vai gerar melhoria de vida. O motivo, mais do que
estratégico ou econômico, é social.“
Armando Guedes CoelhoPresidente do Conselho
Empresarial da Firjan

”A construção da
Refinaria do Norte Fluminense, a Renorte, é hoje um dos mais
importantes objetivos do Estado do Rio de Janeiro para a retomada
de seu desenvolvimento econômico. Produzimos 80% do petróleo
do país e a cada dia temos 500 mil barris de óleo
pesado que são refinados fora do Brasil. Não podemos
mais aceitar que um navio aporte na Bacia de Campos para levar nosso
petróleo e trazê-lo de volta refinado.
A Renorte deve gerar cerca de 30 mil empregos, além de permitir
a diminuição nas importações brasileiras
de produtos derivados do petróleo. Ao lançar a campanha
“A Refinaria é Nossa”, campanha institucional
e não eleitoral, o governo estadual- tem o objetivo de mobilizar
a sociedade para esta luta, convocando a participar prefeitos, parlamentares,
empresários e toda a população. Unidos em torno
deste ideal, tenho certeza de que conseguiremos sensibilizar o governo
federal para que a Renorte se torne realidade.”
Rosinha Garotinho
Governadora do Rio de Janeiro

“A Associação Comercial do Rio
de Janeiro está oferecendo apoio irrestrito à construção
da Refinaria Petrolífera Norte Fluminense no Estado do Rio.
A refinaria irá gerar benefícios, prosperidade e melhoria
nas condições de vida da população de
Campos, onde ficará instalada.
Acredito que, no máximo em um ano, teremos condições
ideais para a contratação de investimentos e então
deslancharemos o projeto.”
Marcílio Marques Moreira
Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

“O segmento de transporte rodoviário
de passageiros se orgulha de, por quase todo o século XX,
na capital e no interior, muitas vezes abrindo veredas para as passagens
dos ônibus, estar contribuindo para o desenvolvimento econômico
e social deste Estado. Neste início do século XXI,
com enormes desafios de demandas e avanços tecnológicos,
o modal rodoviário se posiciona na vanguarda das lutas pelo
crescimento de nossa economia e pela geração de empregos
e de rendas, para aumento do bem-estar social. Daí estarmos
juntos nesta campanha da sociedade e do governo do Estado do Rio
de Janeiro pela construção de Refinaria em Campos
dos Goytacazes, como legítima aspiração do
povo fluminense e do mais alto interesse nacional. Daí nossos
ônibus estarem circulando com mensagens de mobilização
de todos pela justa causa.”
José Carlos Reis Lavouras
Presidente do Conselho de Administração da Fetranspor
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