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Como fazer com que o Brasil deixe os primeiros
lugares em acidentes de trânsito e entre na lista dos últimos
colocados nesse ranking mundial? Para os palestrantes do 1º
Encontro Cidadania, Trânsito e Vida, promovido pela Fetranspor,
no dia 12 de fevereiro, no Teatro João Theotônio, será
preciso "fabricarmos" uma vacina, cujos componentes essenciais
sejam educação e consci-entização, leis
adequadas, fiscalização eficaz, melhoria das vias,
manutenção permanente dos veículos e alcoolemia
zero.
O trânsito no Brasil mata 50 mil pessoas
por ano. Uma nação civilizada não pode conviver
com esse genocídio", afirmou o secretário de
Estado de Transportes, Augusto Ariston, na abertura do Encontro.
Ariston lembrou ainda o prejuízo econômico gerado pelos
acidentes. "Treze por cento de toda a verba do SUS são
destinados para atender a esses casos", revelou. O superintendente
da Fetranspor, Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, representante
do presidente do Conselho de Administração, José
Carlos Reis Lavouras, também falou da gravidade do problema
e exempli-ficou com a matéria do jornal "O Globo"
do dia anterior (11 de fevereiro), sob o título que, "Dia
de Bruxa no Trânsito", informava a morte de cinco pessoas
na cidade do Rio de Janeiro, vítimas de acidentes. Urquiza
mostrou a evolução no número de acidentes nos
últimos anos. Só no município do Rio, entre
1999 e 2001, o salto foi de 13.772 para 44.998. Destacou o esforço
que as empresas de ônibus, seus sindicatos, Fetranspor e Sest/Senat
vêm realizando para a melhor capacitação de
rodoviários e conscientização dos deveres de
cidadania. Ao final, propôs:
1 – intensificação de ações educativas,
do pré-escolar à universidade;
2 – capacitação permanente, a partir do rigor
no fornecimento de habilitações para dirigir;
3 – aprimoramento das vias públicas e respectivos sistemas
de sinalização;
4 – intensificação do policiamento de trânsito
nas cidades e rodovias;
5 – aplicação efetiva da lei, na punição
de infratores, com destaque para a suspensão do direito de
dirigir, quando atingido o número de pontos previsto em lei;
6 – reeducação daqueles que violam as leis de
trânsito.
O Encontro contou com palestrantes de peso. O presidente da Sociedade
Brasileira de Medicina de Emergência e diretor da Sociedade
Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Marcos Musafir, falou sobre
"Os Desafios do Trânsito para a Saúde no Brasil".
Revelou aos cerca de 200 participantes do evento que o trauma de
trânsito "é o mais importante problema de saúde
pública comportamental deste século". Ele defendeu
a permissão da dosagem de álcool nos hospitais entre
as vítimas de acidentes e explicou que, com a informação
sobre o teor etílico do paciente, o médico tem mais
chances de saber, por exemplo, se um coma está sendo provocado
pela bebida ou pelo acidente. "Saber a dosagem de álcool
pode ajudar os médicos no diagnóstico", afirmou
Musafir, que também mostrou números alarmantes da
Organização Mundial de Saúde. "Em 2001,
um milhão e 300 mil pessoas no mundo morreram, vítimas
de acidente de trânsito – um óbito a cada 30
segundos". No Brasil, mais da metade das vítimas estão
na região Sudeste, 65% dos acidentes de trânsito acontecem
durante o dia e esta é a primeira causa de mortes entre os
jovens. Falta de atenção, desrespeito à lei,
velocidade acima do permitido, álcool e drogas seriam as
causas.
O álcool, um dos principais vilões do trânsito,
foi assunto também de outras duas apresentações
– "Álcool, Comportamento e Tráfego –
A Necessidade de Estratégias de Redução de
Riscos" e o Programa "Alcoolemia Zero". A primeira
coube ao professor de neurologia José Mauro Braz de Lima,
presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo
e Drogas, coordenador do Centro de Estudos e Prevenção
e Reabilitação do Alcoolismo, da UFRJ, e presidente
da Sociedade Brasileira de Alcoologia. A outra ficou a cargo do
assessor médico da Fetranspor, Fernando Moreira. Segundo
o professor Braz de Lima, "muitas vezes doses pequenas, ditas
sociais, que estão até dentro da lei, podem ser suficientes
para funcionar como fator de risco de acidentes. A primeira ação
provocada pelo álcool é a euforia – o que é
suficiente para mudar o comportamento de um indivíduo. Não
podemos brincar com isso", disse. Fernando Moreira, coordenador
do Programa "Alcoolemia Zero", falou que o programa é
realizado em parceria com as empresas de ônibus, nas garagens,
através de palestras, distribuição de material
ilustrativo e com a colaboração do Sest/Senat.
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O coronel Lenine de Freitas, presidente
do Detro, falou da importância da prevenção
de acidentes |
A professora Ângela Mendes Abreu, diretora geral do Hospital
Escola São Francisco de Assis, da UFRJ, e coordenadora do
Núcleo de Atenção Integrada ao Acidentado de
Trânsito (Naiat), falou sobre as atividades do Núcleo,
de cujo universo de pacientes "a maioria é paraplégica
ou tetra-plégica". A história e as propostas
da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
(Abramet) foram apresentadas pelo seu presidente, Fábio Ford
Feris Racy, na palestra sobre o "Movimento Permanente para
a Diminuição dos Acidentes de Trânsito e Transporte".
Racy lembrou que, para a medicina de tráfego, um "respeitado
ramo da ciência", acidentes não acontecem, são
causados. "Devemos parar de aceitar o acidente com essa passividade",
disse. Alberto Galvão Branco, integrante da Comissão
Científica da Abramet, defendeu a utilização
de campanhas na "guerra" pela redução dos
acidentes de trânsito. "Trata-se de um processo educativo,
precisamos insistir, sistematizar. Acidente é uma questão
de saúde pública", afirmou. Ao encerrar sua palestra,
o presidente da Abramet fez uma comparação com o programa
de combate à Aids desenvolvido pelo governo brasileiro e
considerado um sucesso em todo o mundo. "Por que não
fazermos o mesmo com os acidentes?", questionou.
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Para o médico Fábio Ford
Feris Racy, acidendes
não acontecem, são causados |
Pela importância dos assuntos tratados, o evento foi considerado,
pelo Conselho Estadual de Trânsito, como uma reunião
de trabalho, a que compareceu o vice-presidente Antônio Sérgio
de Azevedo Damasceno e sete conselheiros. Estiveram presentes também
o presidente do Detro, coronel Lenine de Freitas; a representante
do Programa Pare, do Ministério dos Transportes; Cíntia
Bertonlini; o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina,
Rui Haddad, o vice-presidente da NTU, Eurico Divon Galhardi, o diretor
do Capit de São Gonçalo, Jorge Murilo; a presidente
da Associação Pro-Consumidor, Sônia Carvalho;
além de representantes de empresas de ônibus.
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