Viação Princesa da Serra e Viação Senhor dos Passos
Série Histórica

 

Duas empresas de Valença se destacam por relação com funcionários


Ligeirinho: preferência do usuário mirim


Barbosa Neto e José Fernando: continuidade no amor ao transporte

Duas empresas, um mesmo destino. A primeira faz transporte urbano de passageiros dentro do município de Valença, no Estado do Rio de Janeiro, ligando a cidade de ponta a ponta, com suas 17 linhas e 300 horários. A outra faz transporte interurbano e interestadual, ligando Valença ao seu distrito de Conservatória, a cidades de Minas Gerais, como Santa Rita de Jacutinga, Rio Preto, Santa Isabel, e ligando Rio Preto a São Cristóvão, a São Bento e a João Honório, também em Minas. Além disso, atende a diversas outras cidades daquela região, a partir das seções em cada uma de suas linhas.

Ambas tiveram seus caminhos unidos pelas mãos de um homem – Miguel Pinto Barbosa Neto. Filho mais velho de uma família de seis irmãos, mineiro de Rio Preto, ele sempre trabalhou nos negócios da família, com o pai, Miguel Barbosa Júnior. Ora estava no armazém, ora no posto de gasolina, ora na fazenda. O transporte de passageiros entrou em sua vida em 28 de dezembro de 1977, quando adquiriu a Viação Senhor dos Passos. Até então, o empresário se dedicava exclusivamente às “Organizações Barbosa”, constituídas pelos negócios do pai, falecido em 1981. A partir de 1982, deixou as Organizações Barbosa sob o comando dos irmãos. “Estava ficando difícil tocar a minha empresa e os negócios do meu pai. Eu tinha que optar”, conta.

Curiosidades

Fundada em 1950, a Senhor dos Passos chamava-se Viação São João Batista e fazia a linha Valença – Rio Preto, com dois ônibus a gasolina, anos 1942 e 1948, e três funcionários. Ficava no município de Rio Preto, em Minas Gerais, a cerca de uma hora de Valença. “Não tinha garagem, os ônibus ficavam na rua”, destaca o empresário. Desde que foi criada até chegar às mãos de Barbosa Neto, a transportadora passou por quatro administrações e teve seu nome alterado duas vezes. Primeiro, para Viação Jotta e depois, novamente, para Viação São João Batista.

O curioso é que o pai de Barbosa Neto comprou a Senhor dos Passos em 1968, mas sequer chegou a dirigi-la. A empresa foi entregue, de papel passado, para Antônio D. Alves, motorista de táxi que atendia Barbosa Júnior e de quem ele gostava muito. Dez anos mais tarde, Antônio Alves vendeu-a, bastante endividada, para o filho de seu benfeitor, por 2.500 cruzeiros. Barbosa Neto levou 8,5 anos para pagar a empresa, cujo nome passou a ser Viação Senhor dos Passos. Ele lembra que o estado da transportadora e os seis ônibus da frota eram precários. “Os ônibus que faziam a linha de Con-servatória só tinham o banco do motorista, os passageiros viajavam em pé. E não tinham janelas também. Quando chovia era um horror”, conta.

Observar e aprender

O empresário recorda que dedicou o primeiro mês de sua administração a observar e aprender tudo sobre transporte, com os profissionais que trabalhavam na Senhor dos Passos. Chamou motoristas e cobradores e pediu a ajuda de todos. Em dois meses, duplicou a receita e, em seguida, triplicou-a. Sem capital para comprar ônibus mais novos, em março de 1978 conseguiu empréstimo de 370 mil cruzeiros (o documento, emoldurado, constitui registro histórico da empresa), com o qual comprou seis ônibus da Viação Pedro Antônio, de Vassouras, trocando toda a frota. Adquiriu também um terreno, em Rio Preto, para sediar a empresa.

Hoje, a Senhor dos Passos conta com 41 funcionários, opera sete linhas e suas respectivas seções, com frota de 14 veículos, cuja idade média é 4,9 anos. “Estamos colocando em operação, pela primeira vez na história da empresa, dois veículos zero quilômetro”, diz José Fernando Fagundes Barbosa, o único, entre os quatro filhos de Barbosa Neto, que atua na direção da empresa. “Desde pequeno, ele fugia da escola e vinha para a garagem. Ficava na manutenção querendo aprender tudo”, lembra o empresário. A filha, Maria de Lourdes, trabalha num escritório mantido pela empresa, no centro de Valença, para cuidar das carteiras de estudantes que dão direito a viajar de graça nos ônibus.
Mais uma empresa, mais um desafio

Em 1986, Barbosa Neto se lançou em mais um desafio. Adquiriu a Viação Princesa da Serra, fundada em 1980, para atender à demanda de passageiros dentro do município de Valença. Até àquela época, o transporte municipal era feito por ônibus da própria Senhor dos Passos. Para garantir o compromisso, o empresário empenhou a já estabilizada Senhor dos Passos, assumindo o risco de perder as duas transportadoras. Conseguiu pagar as prestações e aumentar a frota, de nove para 25 veículos, hoje com idade média de 4,3 anos. Recentemente, a Princesa da Serra adquiriu três microônibus, conhecidos na cidade como “Ligeirinho” e que viraram opção de lazer de muitas famílias. “As crianças se identificaram com o Ligeirinho e é comum pedirem aos pais para passearem nos ônibus”, afirma o gerente administrativo Jorge Luiz Alves.
O quadro funcional da Princesa da Serra conta atualmente com 97 colaboradores. Por sua característica urbana, a empresa, sediada em Valença, exigia cada vez mais a presença de Barbosa Neto, que resolveu transferir a sede da Senhor dos Passos para Valença, unificando as administrações. A garagem de Rio Preto virou ponto de apoio, administrada por Maria Madalena Fagundes, esposa do empresário. Na sede das empresas, trabalha a equipe por ele formada: Jorge Luiz Alves; José Fernando; o assessor jurídico, José Raimundo Vieira; o chefe de garagem, Élcio Silva Guedes, e a gerente financeira, Rosaléa Leocárdio Silva.

História recente

Há seis anos, após um infarto, Barbosa Neto, que jamais se afastara das empresas, precisou deixar a direção a cargo do filho José Fernando. “Quando eu voltei, as empresas estavam muito melhores do que quando eu as deixei”, afirma o pai. Embora todos os colaboradores sempre tenham sido conhecidos pelo nome e houvesse a preocupação de vê-los satisfeitos pessoal e profissionalmente, nos últimos três anos, as relações das transportadoras com funcionários, clientes e sociedade foram intensificadas, passando a prioridade da administração. Pesquisas de opinião para saber o que o cliente pensa e espera das empresas, assim como a conquista, cada vez maior, da confiança e credibilidade de toda população atendida passaram a fazer parte da rotina. “No meio de toda essa nossa busca, surgiu o Transporte Acolhedor e percebemos que era exatamente o que precisávamos”, explica o gerente administrativo, referindo-se a programa da Fetranspor voltado para o bom atendimento ao cliente.

Vários funcionários das duas transportadoras foram enviados para os cursos do Programa e o próprio Barbosa Neto participou. Entusiasmado com a proposta, realizou, em novembro último, seminário sobre Transporte Acolhedor para seus funcionários e respectivas famílias, além de autoridades, políticos e representantes de associações de moradores. O consultor Luiz Carlos Jardim foi responsável pela exposição. “Alugamos um clube, convidamos todos os nossos funcionários e suas famílias e realizamos um evento que emocionou a todos”, lembra Jorge Luiz. “Sabemos que esse é o caminho. E, em 2003, queremos intensificar esse trabalho junto aos funcionários. Além disso, queremos incrementar o turismo e dar início à bilhetagem eletrônica, e vamos realizar reformas na garagem, melhorando o ambiente de trabalho. Nosso principal foco continuará sendo o funcionário”, destaca.

Carinho e respeito
Ao que tudo indica, não será um trabalho difícil, pois o mais importante já foi plantado – o carinho e o respeito que Barbosa Neto sempre dedicou a seus colaboradores. “Tenho um contato direto com eles, acompanho diariamente a féria dos ônibus e, se percebo que está caindo a receita de um determinado ônibus, chamo pessoalmente o motorista e o cobrador daquele veículo e converso com eles, para saber se está havendo algum problema. Tem até um lugar na empresa que chamo de confessionário, pois sento ali para receber os meus funcionários e ouvir os problemas deles, saber o que eles estão precisando e em que eu posso ajudar”. É nessa relação que reside o grande segredo do seu sucesso.

   
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