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Tenho lido crônicas inteligentes e
interessantes não só para os "bu-sólogos",
termo criado e utilizado pela Jornalista Tânia Mara, como
também para os grandes contingentes dos cidadãos,
que viajam diariamente nos "bus" urbanos e que conhecem
como ninguém o que é "transportar e ser transportado".
Quando morava na cidade maravilhosa, como usuário cotidiano
do transporte coletivo, lembro-me de expressões de uso comum,
tais como: tchau, tá na hora do meu "bus"; e,
vou pegar um "bus" para Copa.
A crônica da Editora Chefe desta Revista fez-me lembrar os
antigos lotações – precursores dos mísseis
modernos – e atualmente revividos em forma de vans – nos
quais tantas vezes viajei agachadi-nho por falta de lugar sentado.
Que bom recordar o "papa-fila" da linha Lins/Urca, que
me levava da Praia de Botafogo até o final da Urca para
freqüentar a Colônia de Férias do Forte São
João. "Sopa", tomei muitas, líquidas, em
casa, e circulantes, em Maceió, para ir do Bairro de Jaraguá ao
Comércio, como os nordestinos, de modo geral, denominam
o centro da cidade.
Não posso deixar de recordar o "gostosão",
que circulava principalmente se não me falha a memória,
na linha Uruguai/Leblon, e em várias outras. Usava este "bus" geralmente
nos fins de semana, embarcando na esquina da Rua da Matriz, emoldurada
pelo Morro Dona Marta, no seu início, e pela Igreja de São
João Baptista, situada entre a São Clemente e a Voluntários
da Pátria, em Botafogo. O "bus" seguia pela Real
Grandeza, atravessava o Túnel Velho, e trafegava toda Siqueira
Campos, até a Praça Serzedelo Correia. Dali, seguia
a pé para a Avenida Atlântica e curtir a Praia de
Copacabana.
Os cariocas mais velhos, com certeza, lembram-se do 008, aquele
que veio depois do 007, o Bonde. Era o apelido dos ônibus
elétricos da Companhia de Transportes Coletivos, a famosa
e super deficitária CTC/RJ. Os "chifres" dos "troleybus" comumente
se desprendiam dos fios condutores de corrente, notadamente, em
curvas e nas horas do pico, tornando o trânsito mais caótico
ainda. Formavam-se grupos que acompanhavam das calçadas
os esforços de motoristas ou cobradores para acoplá-los
novamente ao veículo. Alguns dos curiosos não perdiam
a oportunidade para uma gozação, típica do
carioca: "aí, cara, empinando pipa em plena hora de
trabalho".
É
, a jornalista Tânia Mara tem razão. Deus é Brasileiro
e o "bus" idem, embora exista no mundo todo. Não
fora a linha Jacaré/Ipanema, com seus carros bem cuidados,
e seus motoristas e cobradores boas praças, eu poderia ter
sido um desertor. No ano de 1961, somente os "bus" daquela
linha podiam, em plena madrugada, me transportar de Botafogo até o
Campo de São Cristóvão, onde ficava o quartel,
no qual fiz os três primeiros meses de serviço militar
obrigatório. E como qualquer punição, a esta
altura, está prescrita, devo confessar que viajei, não
poucas vezes, sem pagar passagem, graças à boa vontade
da tripulação para com um soldado raso com falta
de grana.
Oremos agora, pois, pelos nossos "bus" de cada dia e
pelos seus condutores, para que não nos faltem, e cessem
os castigos que, hoje em dia, vêm sofrendo, visto que são
valores mais altos que se alevantam nas vias sempre circuladas
das grandes cidades em turbulência. Que todos tenham piedade
e não sacrifiquem os "bus" que só nos fazem
o bem. Amém."
Cláudio Diegues – Brasília – DF
Claúdio, publicamos sua carta na íntegra, pois é uma
verdadeira crônica. Quanto ao termo “busólogo”,
a jornalista Tânia Mara esclarece que ela usa, mas não
o criou.
Um abraço
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