José Carlos Reis Lavouras
Presidente do Conselho de Administração da Fetranspor
As propostas de reforma tributária e da previdência
que o presidente da República, pessoalmente, entregou ao
Congresso Nacional no último dia 30 de abril, constituem,
com certeza a mais importante pauta para discussão do Parlamento.
Pelas implicações na vida brasileira, não
apenas para milhões de trabalhadores da iniciativa privada
e do setor público, mas para as políticas de auto-sustentação
do desenvolvimento econômico do país, impõe-se
atento acompanhamento das atividades produtivas e de toda a sociedade,
para que a discussão e votação das emendas
constitucionais expressem decisões do mais relevante interesse
nacional.
O papel que o transporte coletivo de passageiros, principalmente
nos segmentos urbano e metropolitano, desempenha na economia nacional,
já reconhecido constitucionalmente como de alta relevância – a
definição é de que se trata de serviço
público de cunho essencial – impõe ampla mobilização
das entidades nacionais e regionais que representam o empresariado,
bem como as associações dos usuários, para
que subsidiem a Câmara dos Deputados e o Senado Federal com
sugestões voltadas para a redução dos preços
das passagens e o aumento da empre-gabilidade do setor.
Com efeito, como já reconhecido pelo próprio ministro
das Cidades, em recente entrevista, a diminuição
da tarifa, desejada e possível, trará enormes benefícios
so-ciais e econômicos, superando de muito eventuais desvantagens
com a perda de receitas pelos cofres públicos. A elevada
carga tributária que hoje pesa sobre as empresas permissionárias
do serviço de ônibus, em muitos estados e municípios,
aumenta o custo do transporte, refletindo-se na tarifa. O encargo
penaliza, por um lado, milhões de pessoas de baixa renda – a
maior parte no mercado informal – que se vêem em dificuldades
para pagamento do valor da passagem e empreendem, em conseqüência,
longas jornadas a pé, ou embarcam na aventura do transporte
pirata, pondo em risco a própria vida; por outro lado, o
preço da passagem, com a carga tributária, implica
aumento do custo Brasil, através do vale-transporte, utilizado
por aproximadamente 40% dos passageiros de ônibus do país.
Quanto à previdência, a mudança no critério
de contribuição patronal, ao admitir que, total ou
parcialmente, o recolhimento se dê não mais sobre
o montante da folha salarial, mas sobre o faturamento, irá ensejar
que as empresas, especialmente as transportadoras, substituam o
expediente da hora extraordinária pelo ingresso de mais
profissionais. Em conseqüência, gerarão empregos,
trabalho e renda para os brasileiros, matéria da mais alta
prioridade no país, reduzindo-se também a compreensível
carga de estresse que paira sobre os rodoviários, com o
prolongamento de suas jornadas.
O momento é histórico. Decisões difíceis,
mas necessárias, terão que ser tomadas pelo Congresso
Nacional. O povo brasileiro e o setor de transporte coletivo muito
esperam do Poder Legislativo na presente fase da vida nacional.
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