|

|
Cabrera veio conhecer o trabalho da Fetranspor
com o vale-transporte,
referência mundial em volume de tíquetes.
|
No Brasil para conhecer o sistema de vale-transporte do Rio de
Janeiro, o colombiano Jorge Eduardo Cabrera, diretor da empresa
Angelcom, falou à revista Ônibus sobre o sistema Transmilênio,
que mudou a capital colombiana há pouco mais de dois anos,
através da adoção de vias segregadas para ônibus
articulados. A Angelcom é responsável pela tecnologia
de bilhetagem eletrônica usada no projeto, pelos equipamentos
eletrônicos e pela administração dos cartões
inteligentes.
Ônibus como transporte de massa
O Transmilênio abrange 64 quilômetros de vias troncais,
61 estações, 470 ônibus articulados, 120 linhas,
além de 26 rotas ali-mentadoras, em que circulam 241 ônibus
convencionais, que levam 800 mil passageiros/dia para as vias troncais,
e delas aos bairros. A solução reverteu o quadro
caótico que se instalara na metrópole, e foi alternativa
para a construção de rede de metrô, mais cara.
O aumento indiscriminado de perueiros, com a conseqüente concorrência
predatória e a desestruturação das empresas
de ônibus locais, transformara a capital colombiana para
pior, causando a deterioração da frota e tumultuando
o trânsito.
Para evitar o caos
Cabrera informou que o processo foi desencadeado a partir de decisão
governamental, na tentativa de evitar o caos total no trânsito
e no transporte. Foi encomendado um estudo técnico aprofundado
e, a partir dos resultados, elaborou-se arrojado projeto. O Transmilênio
consiste na utilização de ônibus articulados,
que se deslocam apenas em vias troncais segregadas e têm
paradas programadas em estações semelhantes às
do nosso metrô. O embarque é feito mediante uso de
cartões inteligentes do tipo contact less (sem contato),
recarregáveis. Os transportadores individuais foram chamados
para participarem do novo sistema, como acionistas, mas não
houve interesse significativo. Apenas os empresários que
detinham frota de ônibus acreditaram na novidade e resolveram
apostar na inovação. Para a segunda etapa do programa,
a ser adotada em breve, já se tem como certa a participação
também de perueiros, que chegaram à conclusão
que o projeto vale a pena e já deu certo.
Retirada de veículos velhos
Preocupado com a possibilidade de causar desemprego, o governo
criou uma condição: para cada veículo novo
a serviço do sistema, seu responsável retiraria 2,7
dos antigos das ruas. Além disso, providenciaria as condições
para recolocação no mercado dos profissionais afetados
por essa retirada. Assim, as empresas passaram a promover treinamentos
para que esses trabalhadores pudessem retornar ao mercado de trabalho,
em outro segmento.
A Angelcom, fundada em 1980, tem tecnologia inteiramente colombiana e conta com
suporte internacional. Apostou no êxito do projeto, mesmo quando muitos
achavam se tratar de uma utopia. Conta com uma central única de gestão
do Transmilênio, administrando toda a parte dos cartões inteligentes,
e é responsável pelo hard ware e pelo soft ware.
Fase 2 será implantada ainda este ano
Uma segunda fase do projeto prevê a implantação de três
novas troncais, atendendo a mais 300 passageiros/dia e envolvendo investimentos
de 1,3 milhão de doláres. Será iniciada ainda este ano e
deverá estar funcionando em plena capacidade até 2005. Segundo
Cabrera, o importante na realização do projeto foi a vontade política
do governo e a visão das empresas que nele acreditaram e aderiram. Além
da Angel-com, na parte de informática, o Loyd Bank, que faz a comercia-lização
dos cartões eletrônicos, e mais sete empresas transportadoras são
responsáveis pela operação. A velocidade dos ônibus
articulados é constante: ---35 km/h. O projeto é responsável
pela manutenção de mais de 3 mil empregos diretos.

|
Sistema Transmilênio – Fase
I e Fase II
|
Sistema Transmilênio – Projeção
para o Ano de 2016 |
|