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Tânia Mara Gouveia - Jornalista
Fui
alertada, recentemente, por uma colega de “O Dia”, que
preparava matéria sobre o assunto, sobre nova modalidade
de violência que ocorre no Rio de Janeiro – como se
já não nos bastassem todas as demais.
Contou-me ela que, em Brás de
Pina, subúrbio carioca, existe local, dia e hora marcados
para realização de “pegas” com automóveis.
“Isso não é novo”, dirá o leitor,
que certamente já tem conhecimento de vários casos
desse tipo de brincadeira de mau gosto. E terá toda razão,
mas eu me refiro a um ingrediente novo e terrível adicionado
recentemente, pelos aficionados dessa loucura, para, na sua opinião
discutível, aumentar-lhe o “sabor”.
As avenidas Antenor Navarro e Arapogi
tornam-se, nas noites de quarta-feira e nos domingos a partir das
16 horas, palco de um circo de horrores, que tira o sono da população
local e impede que os trabalhadores tenham seu merecido descanso
semanal, pois, além do barulho das freadas e de jovens alucinados
a gritarem, histericamente, não são raros os tiroteios
desencadeados durante os espetáculos de terror.
As manobras que põem em risco
os ocupantes do veículo e a ensandecida platéia, infelizmente,
já não são suficientes para os apreciadores
desse tipo de coisa. Eles se divertem submetendo ao perigo também
inocentes passageiros de ônibus e os profissionais que neles
trabalham.
Algumas pessoas (se é que quem
age assim merece ser chamado de gente) ficam à espera de
que um ônibus surja na rua, pacatamente fazendo seu itinerário.
Então -avisam aos “competidores”, que dão
cavalos-de-pau à frente do veículo.
Famílias que fazem seus passeios
dominicais, ou pessoas que voltam do trabalho, numa quarta-feira
qualquer, podem de repente se transformarem em vítimas de
mais uma tragédia em nossa cidade que, apesar de todas as
vicissitudes, continua linda. Esperemos que as autoridades ponham
um fim a isso tudo e restabeleçam o sossego dos moradores
locais, dos motoristas e cobradores que fazem as linhas que por
lá passam, dos empresários, ameaçados de ter
seus profissionais e veículos envolvidos em acidentes.
Nós, que nascemos por estas
bandas e que sempre tivemos orgulho de nos dizermos “cariocas-da-gema”,
torcemos para que o Rio volte a ser uma cidade que se destaque pela
beleza natural, pelo bom humor da população, pela
diversidade de tipos de moradores, vindos de todas as -partes do
Brasil e do mundo e tornados rapidamente novos cariocas, em mistura
cultural rica que se traduz nos trajes, nos comportamentos, num
certo jeito despojado de ser. Mas que o nosso “Rio de Janeiro,
fevereiro e março”, como disse o compositor baiano,
se destaque só por isso.
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