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O secretário
de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro,
Anthony Garotinho, criou, através da Resolução
628, publicada no Diário Oficial do Estado de 12 de maio
último, o Grupo Especial de Planejamento de Operações
Especiais – Gepop. Ao grupo incumbirá o planejamento
e acompanhamento das operações policiais de prevenção
e repressão aos crimes praticados contra o transporte público.
A equipe é comandada pelo coronel Paulo Souto, subsecretário
de Planejamento e Integração Operacionais da SSP,
e integrado pelo coordenador da Polícia Especializada, da
Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro; pelo chefe da
PM-3, da PMERJ; e pelo corregedor-geral do Departamento de Trânsito
do Estado – Detran/RJ. Participam, como convidados, o subsecretário
de Estado de Transportes, o assessor da Fundação Departamento
de Estradas de Rodagem, o chefe do Núcleo de Policiamento
e Fiscalização da Polícia Rodoviária
Federal, o secretário municipal de Transporte Urbano e o
presidente da CET-Rio.
A iniciativa do secretário foi causada pelo aumento de atos
de vandalismo contra o transporte público e pela disputa,
cada vez mais acirrada, pelo controle do transporte ilegal. O texto
da Resolução faz menção aos sucessivos
assassinatos de líderes de "topiqueiros" e de representantes
de cooperativas e a uma possível ligação do
transporte alternativo com o tráfico de drogas.
Com base em levantamento feito pela Secretaria, nas 13 linhas mais
visadas pelos bandidos, os ônibus passarão a circular
com dois policiais, um fardado e um à paisana.
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Rubem César
Fernandes |
Rubem César Fernandes, presidente
e fundador do Movimento Viva Rio, ONG criada em 1993, logo após
as chacinas de Vigário Geral e da Candelária, e que,
através de projetos voltados para a redução
da violência e da exclusão social, vem trabalhando
pela paz no Rio de Janeiro, falou à revista Ônibus
sobre a questão da violência contra os ônibus
e a criação do GEPOP.
Revista Ônibus: Na sua opinião,
por que os ônibus têm sido alvo freqüente da violência
urbana?
Rubem Cesar: Viraram bode expiatório. Não
há explicação racional. Junta uma série
de fatores, independentes entre si. É como uma epidemia,
uma praga. Exige reação clara, especificamente direcionada,
com medidas repressivas e preventivas e a participação
de todos, como no combate a qualquer surto epidêmico.
R.O.: Como o senhor vê a criação
do GEPOP?
R. C.: Acho ótimo. É o primeiro passo para
uma atuação policial especializada e duradoura. O
exemplo do GEPE (Grupamento Especializado em Policiamento de Estádios)
é ilustrativo. Melhorou substancialmente o ambiente no interior
do Maracanã (falta melhorar no entorno...).
R.O.: O senhor acredita que é este
o caminho?
R. C.: É, mas não basta. Precisa
ser complementado por intensa ação preventiva (pensem
na estratégia para combater a Dengue ou a Aids). No caso,
transformar a imagem do "ônibus" na percepção
coletiva e ganhar a população em sua defesa explícita.
Isto deve ser feito com cuidado para não virar um cavalo
de batalha e piorar a situação. Discutimos com o Rio
Ônibus um projeto do "ônibus amigo", que poderia
ser um bom começo. Acho, também, que precisamos de
ações preventivas especificamente direcionadas aos
grupos locais que têm liderado a queima de ônibus.
R.O.: Que outras medidas o senhor acha que
precisam ser tomadas?
R. C.: Precisamos de uma revisão profunda
do esquema de transportes coletivos, não é? Juntar
governo, especialistas e empresas e intervir para valer, para melhor.
Continuar como vamos, é perigoso. Inércia suicida.
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Eduardo
dos Santos Loureiro |
Presidente do Viva Rio
e motoristas aprovam criação do Gepop
Os motoristas Eduardo dos Santos Loureiro, 54 anos, e Oldemar
Duarte 39 anos, foram eleitos rodoviários padrão,
na categoria motorista, em 2002. Loureiro, que faz a linha Mariópolis
– Austin, da empresa Nilopolitana, venceu o Prêmio Alberto
Moreira pelo Setranspani. Duarte, que trabalha na Transportes Futuro,
na linha Cascadura – Gávea (755), venceu pelo Rio Ônibus.
Ambos deram sua opinião sobre a criação do
Grupo Especial.
Revista Ônibus: O que você achou da criação
do GEPOP?
Eduardo Loureiro: Eu acho a iniciativa
muito boa, pois nós, rodoviários, estamos trabalhando
sobressaltados e assustados com essa violência. Temos medo
até dos passageiros. Esse Grupo Especial pode ser um caminho
para diminuir a violência contra os ônibus. Acabar eu
não acredito que seja possível, mas teremos um pouco
mais de segurança. Essa questão é muito delicada,
pois pelo que eu tenho lido, acredito que existe envolvimento das
vans e kombis nisso tudo. Eu mesmo já fui agredido verbalmente
várias vezes pelo pessoal das vans.
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Oldemar
Duarte |
Oldemar Duarte: Acredito que a criação
do Gepop é positiva e só vem a somar na luta contra
a violência no Rio. Mas tudo depende da forma como ele será
conduzido e de como serão as ações. Na minha
opinião, os ônibus têm sido alvo da violência,
com depredações, queimas etc. porque ficam muito expostos.
Esses atos acontecem normalmente após algum conflito entre
polícia e marginais. Deve ter envolvimento das vans também,
mas não em todos os casos. A Polícia deveria, sempre
após conflitos, fazer um policiamento ostensivo na região.
Isso pelo menos ajudaria a intimidar. No caso de assaltos a ônibus,
acho que deveria ser criado um sistema de alarme, com luzes traseiras
ou algo desse tipo, e que fosse bastante divulgado.
Portaria do Detro tira de circulação 11.700 vans
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A preocupação do governo estadual com
a infiltração do poder paralelo do tráfico
na atividade do transporte alternativo vem ficando clara nas medidas
que vêm sendo tomadas. Entraram também em vigor, no
primeiro dia de junho, novas normas para o transporte complementar
realizado por Kombis e vans no Estado do Rio de Janeiro. Através
da Portaria nº 615, publicada no Diário Oficial de 14
de maio, a Secretaria Estadual de Transportes determina que apenas
3.300, das cerca de 15 mil vans que faziam transporte de passageiros
no Estado, poderão continuar operando, em 400 linhas intermunicipais.
As que não forem regulamentadas serão retiradas de
circulação e colocadas em depósito público.
As vans que permanecerem operando terão de cumprir roteiros
específicos. Foi determinada nova pintura, com duas faixas
em cores diferenciadas, de acordo com a região onde circulam.
A afixação de adesivos nas laterais do veículo,
com nome e logomarca da cooperativa e o selo do Detro, passou a
ser obrigatória.
Para evitar a disputa de passageiros nos terminais de ônibus,
estão sendo criados terminais próprios. Os motoristas
deverão ter habilitação específica para
transporte de passageiros, não poderão apanhar clientes
fora dos terminais e os veículos deverão ter seguro
contra acidentes e mortes.
A Polícia Militar, o Detro e o Detran devem trabalhar juntos
na fiscalização e repressão ao transporte ilegal.
A preocupação do Secretário Anthony Garotinho
não acontece em vão. O tráfico tem investido
em vans, no Rio de Janeiro, como expediente para lavagem de dinheiro.
Esses veículos também são usado para o transporte
de drogas e armas. Em São Paulo, ficou comprovada recentemente
a ligação do seqüestrador Andinho com as vans.
Em todo o país, tentativas de regulamentar esse tipo de transporte
têm causado graves transtornos à população,
como aconteceu recentemente em Goiânia, quando os "alternativos"
deixaram microônibus nas ruas, impedindo o tráfego
dos demais veículos. Em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro,
os perueiros invadiram o prédio da Prefeitura Municipal,
tendo mantido os funcionários como reféns. Portavam
garrafas com gasolina, e ameaçavam atear fogo ao prédio.
Em Recife, queimaram dois ônibus e só não conseguiram
fazer muito mais porque a polícia interceptou conversas,
via rádio, em que os baderneiros se auto-denominavam “homens-bomba”,
e agiu rapidamente para impedir maiores conseqüências.
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