Cobradora lança segundo livro
Rodoviário de Talento

Sonia Silva na Bienal: “sonho de princesa”

A cobradora Sonia Silva, 51 anos, fez sucesso na XI Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, realizada no Riocentro, entre 15 e 25 de maio passado. Sonia, que na Bienal de 2001, também no Rio, lançou seu primeiro livro infanto-juvenil – O Anjo de Chocolate – e que participou da Bienal de São Paulo, no ano passado, voltou à carga este ano com o livro "Arroz e Feijão em Missão Especial", editora Litteris. "O lançamento foi no dia 17, e o resultado foi tão bom que a editora me ofereceu outros dois dias para autografar. Mas, como em um desses dias eu tinha marcado entrevista para o jornal O Dia, só pude aceitar mais um dia", conta orgulhosa.

Para a cobradora da linha 125 (Central – Praça General Osório), da Viação Saens Peña, foi uma nova emoção participar, pela terceira vez, de uma Bienal e sentir o gostinho da fama. "Eu estou vivendo um sonho de princesa. Não em termos de dinheiro, pois isso é conseqüência do trabalho e do sucesso, mas de realização, de me sentir uma escritora de verdade. Lá na Bienal tirei tantas fotos com vários escritores, que me chamavam de colega, recebi muita gente que me reconheceu por causa do primeiro livro. Foi e ainda está sendo maravilhoso este sonho", conta.

Em 24 páginas, o livro narra a história dos amigos Arroz e Feijão e de sua luta para fazer as crianças gostarem de comer legumes. "Vivi isso com meu filho Rodrigo, de 17 anos, e foi daí que tirei a inspiração para escrever. As crianças hoje em dia só querem saber de arroz, feijão, bife e batata frita", explica. Antes mesmo de lançar "O Anjo de Chocolate", que já vendeu 1.500 exemplares, Sonia já tinha pronto esse segundo livro. "Na verdade, escrevi o 'Arroz e Feijão' antes do 'Anjo'", revela. O livro, que custa R$ 7,00 nas livrarias, foi vendido na Bienal a R$ 5,00, a pedido da própria autora – "as pessoas estão sem dinheiro e ainda tinham que pagar estacionamento, entrada, tudo já era tão caro", defende.

Leda Nagle e Tim Lopes


Além de uma boa história, que de forma lúdica tenta educar a criança para a importância da alimentação saudável, o livro tem outros dois atrativos: a abertura, feita pela jornalista Leda Nagle, e a dedicatória ao falecido jornalista Tim Lopes. "Fiz a dedicatória para ele, porque minha primeira aparição na televisão, no RJ TV, em 2001, eu devo a ele, que ligou para marcar a entrevista. E ele ainda insistiu com os colegas dizendo – vocês já agendaram com a Sonia? Não vão esquecer. Então, entrei em contato com a esposa dele e pedi a ela autorização para dedicar o livro ao Tim", afirma. Quanto à Leda Nagle, Sonia a conheceu no Sem Censura, programa comandado pela jornalista, realizado em março do ano passado em homenagem ao Dia da Mulher. "Participei de uma mesa redonda ao lado de Suzana Vieira, Letícia Spiller e outras mulheres famosas. Foi uma experiência incrível. Quando eu disse que estava nervosa, a Suzana -Vieira me deu a maior força. Ela falou: “a intelectual aqui é você, não tem porque estar nervosa”. E a Letícia Spiller até manifestou a vontade de transformar 'O Anjo de Chocolate' numa peça", conta.

O dom para escrever, Sonia diz que vem desde pequena. "Comecei a escrever aos 10 anos, fazia cartas de amor para minhas amigas mandarem para os namorados, poemas e até letras de música", lembra. A opção pela literatura infantil também vem de longa data. "Sempre admirei Monteiro Lobato e achava que estava faltando um pouco dessa magia infantil no Brasil de hoje. Ainda bem que isso está sendo retomado pela televisão com programas como o Sítio do Pica-Pau Amarelo e Xuxa no Mundo da Imaginação", opina.

A escritora, que costuma rascunhar seus textos durante as viagens de ônibus como cobradora, ainda tem um sonho para ser realizado. "Quero fazer roteiro para a televisão. Já tenho até alguns prontos para Os Trapalhões, para A Grande Família, mas não tenho técnica. Primeiro preciso fazer um curso de roteirista, mas é muito caro. O mais difícil, no entanto, eu consegui, que é uma pessoa interessada em conhecer meus roteiros. Só não posso revelar o nome por enquanto", conta. "Não é nada fácil viver da literatura no Brasil, mas estou lutando por isso", conclui. O terceiro livro de Sonia já está pronto e tem o título provisório de "Animais Sim, Irracionais Nunca". A escritora pretende lançá-lo na próxima Bienal. "Se Deus quiser, estarei lá de novo", torce.

   
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