| Urquiza
Nóbrega
Por estar próximo o mês de setembro,
em que se comemora a Semana da Pátria, cujo ápice
é o dia 7, quando o Brasil comemora 181 anos de independência,
a revista Ônibus publica neste espaço trecho do poema
“Pátria”, de Urquiza. O poema faz parte da obra
“Poemas ao Tempo”, publicada pela Gráfica Riex
Editora em 1983, com prefácio de José Sarney.
"...
Pátria, onde está você?
Você está na inquietação a no sentimento
de liberdade
– bendita e eterna liberdade –
que herdamos do nosso antepassado índio.
Você mal se esconde no sentimental
– bendito e eterno sentimental –
que em nosso sangue inseminou o negro.
Você está nos gestos largos e generosos,
que nos legaram os brancos de Portugal e alhures,
aqui miscigenados no fragor das lutas a dos amores.
Você assim se oculta,
nos passos largos dos gaúchos,
no trejeito dos caipiras,
nas rugas dos sertanejos,
na sofreguidão dos cosmopolitas.
Você está na Amazônia das florestas,
no Nordeste dos cariris,
no Centro-Sul das chaminés,
no Oeste onde se põem o sol a as esperanças.
Você, Pátria amada, cabe a um só tempo
nos oito milhões e quinhentos mil quilômetros quadrados
de nossas planícies e planaltos
e nos poucos centímetros
do nosso imenso coração.
Pátria, quem faz por você?
Nossa história fala das lutas dos antepassados,
dos heróis que porfiaram,
aquém e além-mar,
movidos pelas chamas incontidas
do ideal de esculpi-la, protegê-la e engrandecê-la.
Soldados, poetas, mineiros, lavradores,
sacerdotes, estudantes, artesãos,
brancos, pretos, índios
ao longo destes cinco séculos,
à Pátria têm dado a vida, o sonho, o suor,
a oração, o estudo, a habilidade
no soerguimento contínuo do Templo
– largo e generoso Templo –
em que se agasalha, trabalha, crê e procria a Nação.
A pertinácia das lutas,
a obstinação dos heróis,
a visão dos maiores,
fizeram com que do Chuí ao Oiapoque,
do Cabo Branco às águas do Solimões,
vicejassem a honra, a dignidade, a fé, a cordialidade,
na unidade da língua, dos costumes e dos ideais
sob o pálio de um Estado coeso e forte
...”
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