A invenção da roda: um passo importante na caminhada do homem no planeta
Série: A História do Transporte
Por Tânia Mara


As primeiras rodas, de madeira, ganharam proteção
com o tempo, pois eram vulneráveis ao atrito

Galhardi: seu grande acervo nasceu deste primeiro
exemplar, presente do pai quando era menino

A revista Ônibus começa, nesta edição, a Série “História do Transporte”, que vai contar como surgiu o transporte nas diversas regiões do mundo. Mostraremos, entre outras coisas, peças do acervo de Eurico Divon Galhardi, empresário carioca (Vila Real), advogado, pesquisador, com MTB em transporte pela Coppe/UFRJ. Responsável pela organização do Museu Virtual de Transporte da CNT, Eurico Galhardi foi também incumbido, pelo presidente do Conselho de Administração da Fetranspor, de cuidar da montagem de um museu do transporte por ônibus da entidade, para o qual aguarda disponibilização do espaço, provavelmente no Capit José Alves Lavouras, em Deodoro.

Galhardi foi nosso cicerone numa verdadeira cápsula do tempo, em que embarcamos, a bordo de sua narrativa, comprovada por documentos, miniaturas e maquetes, rumo aos primórdios do homem, quando este inventou a roda, e de lá para os tempos de hoje, percorrendo diversos lugares no planeta Terra, fazendo paradas onde algum fato histórico no transporte de coisas ou pessoas nos chamava a atenção. Participaram da viagem seus colaboradores Paulo Alberto de Oliveira, Leda Pereira da Silva, Alexandre -Taissum, Carlos Henrique Lessa e Luiz Jabour, cada um com uma missão na “nave” que nos conduzia.

Transporte a.C.

Estamos em algum ano por volta de 3 500 a.C., quando se acredita ter surgido a roda, talvez na Mesopotâmia – uma placa de argila, encontrada na Suméria (Mesopotâmia) e cuja origem remonta a essa época traz o desenho de uma carroça. Segundo alguns, o grande invento usado na locomoção até então era a alavanca. Os antigos rolavam troncos de árvores sob cargas pesadas, para deslocá-las. A tão decantada roda nasceu, provavelmente, num torno de oleiro. Da nossa nave, podemos ver alguns trabalhando seus artefatos de barro nesses tornos rústicos. Em 2 000 a.C, os sumérios colocaram raios no lugar da estrutura maciça da roda. Eram inicialmente quatro, com o passar do tempo foram aumentando. A parte externa da roda, nessa mesma época, passou a ser protegida por pregos de cobre, colocados muito próximos uns dos outros, para evitar que o atrito com o solo as danificasse muito rapidamente. Esse tipo de engenho foi utilizado em carros de guerra, puxados a cavalo. Em 1 500 a.C., surgem no Egito as primeiras bigas, com quatro rodas. Seguimos adiante, e vamos fazer uma breve parada por volta de mil anos antes de Cristo. A roda estava, finalmente, ligada a um eixo. Contava-se à boca pequena que a idéia de assim usá-la foi percebida quando um menino, filho de tecelã, recorrera ao fuso como brinquedo. Encaixando a roda numa vara, leva a humanidade a dar um salto!

As Grandes Navegações

Passamos pela Idade Média sem nada ver de interessante. No início da Idade moderna, porém, o mundo (que na época, para os ocidentais, restringia-se a parte da Europa, Ásia e Norte da África) passa por uma revolução: produtos orientais que conseguem chegar à Europa causam furor na sociedade. Tecidos sofisticados, artigos de luxo e especiarias atraem o interesse do Ocidente pelo Oriente, conhecido de forma genérica como “Índias”. As cidades italianas de Gênova e Veneza tornam-se pólos comerciais importantes, pois lá atracavam as embarcações com esses produtos. A tomada de Constantinopla pelos turcos, porém, impede a utilização do caminho marítimo feito até então. Enquanto a imaginação dos europeus era, por um lado, povoada por grandes monstros marinhos, idéias como “um ponto onde a Terra acabava” – que, ao ser atingido por qualquer embarcação, faria com que esta se lançasse no vazio – e outras coisas assustadoras, por outro lado, narrativas como as de Marco Pó-lo, viajante genovês do século XIII, instigavam seu lado aventureiro. O desenvolvimento de ciências como navegação, astronomia e geografia, principalmente em Portugal, onde uma corrente de estudos (Escola de Sagres) afirmava ser a Terra redonda, acaba por levar a humanidade a dar mais um grande passo. Em 1400, os portugueses constroem a primeira caravela, um marco para o transporte marítimo de longa distância. Portugal utilizou essas embarcações para navegar em direção ao Leste. A Espanha optou por navegar rumo ao Ocidente, acreditando na proposta do genovês Cristóvão Colombo, que também acreditava na esfericidade da -Terra.

O mundo fica maior

As grandes navegações tornaram o mundo maior. As conquistas portuguesas, a partir daí, foram muitas: em 1415, conquistam Ceuta, cidade do sul da África de posicionamento estratégico; ao longo do século XV, percorrem o litoral africano, chegando à Ilha da Madeira, Açores, Cabo Verde e Cabo Bojador. Em 1488, contornando o Cabo da Boa Esperança, atingem o Sul da África. Em 1498, Vasco da Gama chega às Índias. Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.

Cristóvão Colombo descobre a América em 1492, com as caravelas Santa Maria, Pinta e Niña. No entanto, após as glórias iniciais – por se acreditar que chegara às Índias – cai em descrédito quando se chega à conclusão de que ele “apenas” tinha descoberto um novo continente... O nome América foi dado em homenagem a Américo Vespúcio, outro grande navegador.

Em 1519, é realizado um feito para a humanidade comparável à chegada do homem à lua: a primeira viagem em torno da Terra, por Fernão de Magalhães e Sebastião Del Cano.


Réplica de um barco pré-colombiano, feita de junco, em 1500 d.C.
   
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