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Deputado federal pelo PTB-SE e ex-prefeito
de Sergipe, Jakson Barreto é coordenador da Frente Parlamentar
em Defesa do Transporte Público, lançada no último
25 de setembro, como braço político do MDT (Movimento
Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade
para Todos). Barreto defende a inclusão, na agenda do governo,
de políticas para possibilitar à população
de baixa renda o acesso ao transporte público. Na Frente
Parlamentar, já conta com a adesão de 107 deputados
e 14 senadores. As propostas do MDT e da Frente foram entregues
pessoalmente ao vice-presidente da República, José
Alencar.
Revista Ônibus: Após muitos anos de descaso
e omissões governamentais com relação ao sistema
de transporte do país, nota-se movimentação
de entidades públicas e privadas no sentido de corrigir graves
transtornos surgidos em nossas cidades, desde a formação
de congestionamentos gigantescos até a falta de acesso dos
mais pobres ao transporte público. É possível
reverter-se esse quadro negativo? Em quanto tempo?
Jackson Barreto: Este é um problema estrutural,
de modo que sua solução exige tempo e investimento,
mas acreditamos que é possível, sim, reverter esse
quadro. Felizmente, a sociedade civil, através de diversos
tipos de entidades, começou a se mobilizar e o próprio
Legislativo brasileiro também começa a dar demonstração
de estar sensível à questão dos transportes
públicos no país. O MDT – Movimento pelo Direito
ao Transporte de Qualidade, lançado recentemente, expressa
essa preocupação da sociedade civil, pois envolve
um leque amplo de instituições, desde ONGs, passando
por entidades patronais e de trabalhadores a órgãos
vinculados ao poder público. Em consonância com este
movimento, sendo sua vertente política, organizamos no Congresso
Nacional a Frente Parlamentar em Defesa do Transporte Público,
congregando hoje 107 deputados e 14 senadores, com o objetivo de
inserir na agenda política, econômica e social do governo
o tema dos transportes. Não é mais possível
conviver com uma realidade que, segundo dados do IPEA, nos mostra
que 56 milhões de brasileiros hoje estão excluídos
dos transportes públicos por não terem condição
de pagar o alto preço das tarifas. Esta situação
tem que acabar. Vivemos num país de sem-terra, sem-teto e
agora, sem-transporte.
R.Ô.: Em sua opinião qual modal demandará
maiores investimentos?
J.B.: A situação está ruim
para todas as áreas. O sistema ferroviário, por exemplo,
está sucateado. No modal ônibus, que responde por cerca
de 90% do transporte público no país, em função
dos elevados custos de funcionamento do setor, cresceu também
o preço das tarifas provocando uma perda alarmante de passageiros
e criando um círculo vicioso perverso entre diminuição
de passageiros e aumento de tarifa. Isto mostra que esse setor exige
uma política pública que ajude a baratear os custos,
o que é plenamente possível, pois a Constituição
define transporte público como serviço essencial.
Baratear custo significa desonerar a tarifa, diminuindo os custos
dos principais insumos do setor, estabelecendo preços especiais
para a energia elétrica e diesel utilizado no transporte
público, isentando de ICMS a aquisição de veículos
destinados especificamente ao serviço. Mas além disso,
é preciso investir nas cidades, dotando-as de infra-estrutura
que permita uma satisfatória prestação do serviço
de transporte; investir nas novas tecnologias, ecologicamente corretas,
dar mais conforto e qualidade de vida à população.
R.Ô.: A Frente Parlamentar em Defesa do Transporte
Público, da qual o Sr. é coordenador, pretende manter,
na agenda governamental, propostas para solução dos
problemas de transportes que afligem nossas cidades. Foi entregue,
no dia 25 de setembro, ao então presidente em exercício,
José Alencar, documento com 18 proposições,
feitas pela Frente Parlamentar, juntamente com o Movimento Nacional
pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos.
Dentre essas proposições, qual a maior prioridade,
na sua opinião?
J.B.: Tudo é urgente na área de transporte,
mas há questões emergenciais que precisam ser tratadas.
Uma delas, certamente, é a diminuição dos custos
das tarifas, para que as pessoas recuperem sua mobilidade, seu direito
de ir e vir, garantido pela Constituição, mas impedido
na prática pelas condições da vida atual. É
preciso baratear as tarifas, dar acesso ao transporte aos 56 milhões
de brasileiros que hoje estão fora do sistema.
R.Ô.: Como a Frente pretende lidar com as grandes
diferenças entre as realidades das nossas cidades?
J.B.: Embora nossas cidades apresentem diferenças
significativas, há entretanto, grandes identidades entre
seus problemas, o que permite soluções abrangentes.
Além disso, dos mais de cinco mil municípios existentes
no país, o transporte público funciona regularmente
em apenas 920 municípios, que por sua vez, abrigam 120 milhões
de brasileiros. Isso reduz muito o foco de ação. Ademais,
houve um grande amadurecimento da sociedade em torno da discussão
deste problema e, melhor ainda, uma convergência de propostas
que hoje unificam trabalhadores, empresários, órgãos
públicos e a sociedade como um todo. A Frente Parlamentar,
portanto, ao sintonizar-se com o pensamento da sociedade civil,
pode equacionar as variáveis desta questão sem transtorno,
uma vez que já há uma consciência do problema
e essa consciência estende-se cada vez mais ao governo.
R.Ô.: O Sr. é autor de projeto de lei que cria
o Programa Nacional de Mobilidade e Acesso ao Transporte Público,
que pretende garantir às pessoas de baixa renda o acesso
ao transporte público. De que forma esse acesso será
garantido?
J.B.: O Programa visa resgatar o direito à
mobilidade humana, que todos têm, com a concessão de
vale-transporte para os cidadãos que se situam abaixo da
linha de pobreza e que se encontrem cadastrados nos Programas sociais
do governo, a exemplo do Programa Fome Zero. É uma espécie
de Vale-Transporte Social, capaz de garantir um direito básico
do cidadão, que é o de ir e vir.
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