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mostra verdades não ditas sobre gratuidades |
Gratuidades
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Pesquisa realizada pelo Instituto Gerp, entre
agosto e setembro deste ano, a pedido da Fetranspor, concluiu que
36,8% dos usuários de ônibus de linhas municipais e
intermunicipais não pagam passagem, beneficiados pelas leis
de gratuidade. Na região que abrange Niterói, São
Gonçalo, Maricá e Itaboraí, o índice
chega a 46,27%. O problema torna-se cada dia mais crítico
e compromete a saúde financeira do sistema de transporte
coletivo. A sociedade, no entanto, desconhece o que está
por trás das gratuidades. Pouca gente sabe, por exemplo,
que para conceder a gratuidade, os governos devem indicar fonte
de custeio, o que não acontece na prática.
Essa consciência de que a sociedade conhece muito pouco ou
nada sobre gratuidade nos ônibus motivou o Setrerj –
Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado
do Rio de Janeiro – a publicar o livreto "Gratuidades
no Transporte – As verdades que não são ditas",
de autoria do superintendente do Sindicato, Mario Dias Mesquita.
"O que a gente constata é que as pessoas são
muito mal informadas e que alguns políticos se aproveitam
da desinformação para aliciarem eleitores com discursos
falsos, de má-fé, oportunistas etc. Também
constatamos que a desinformação, no que concerne ao
transporte público, independe da situação econômica
ou do grau de escolaridade das pessoas. Pensamos que a divulgação
de tais esclarecimentos poderia qualificar o exercício da
cidadania, permitindo que os credores do direito à gratuidade
pudessem endereçar corretamente as suas reclamações
e que os discursos eleitoreiros perdessem público",
esclarece Mesquita.
O livro é uma espécie de guia sobre gratuidades, dividido
em oito pequenos capítulos. Logo no primeiro, é fornecida
a definição de "tarifa": "é o
nome que se dá aos preços dos serviços públicos
prestados diretamente pelo poder público ou indiretamente pela
empresa privada, devidamente autorizada". A seguir, exemplifica,
a partir de uma conta de jantar entre amigos, como é feita
a divisão do custo do transporte pela quantidade de passageiros
que pagam. O texto fala de um grupo de quatro amigos que saem para
jantar e dois deles estão acompanhados de suas esposas. Na
hora de pagar a conta de R$ 60,00, se a divisão é feita
pelo número de pessoas (seis), cada um paga R$ 10,00. Mas,
se as duas esposas ficam de fora do rateio e apenas os quatro amigos
dividem a conta, cada um paga R$ 15,00. O exemplo deixa claro que,
se o preço da passagem fosse dividido entre todos os passageiros,
a tarifa seria mais barata.
O livro fala ainda sobre fraudes para se conseguir a isenção
de pagamento de tarifas no transporte e como as gratuidades sem fonte
de custeio ou fraudadas, juntamente com o transporte ilegal, estão
prejudicando o sistema de transporte público. Como diz o texto
de Mesquita, "estão quebrando a cadeia que sustenta a
prestação dos serviços públicos".
A interpretação das várias leis sobre gratuidades,
nos níveis estadual e federal, completa o guia.
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A publicação do Setrerj foi enviada a variados públicos.
"Pretensiosamente, pretendi encontrar um texto que ampliasse o público
destinatário. Nem muito cheio de leis, nem muito vazio de justificação
legal; nem muito "letrudo", nem inconsistente. Busquei a maneira
mais direta possível de dizer o que queria. Daí, remetemos
exemplares para lideranças comunitárias, estudantis e sindicais,
parlamentares municipais, estaduais e federais, autoridades do Executivo
dos três níveis da Federação, membros do Poder
Judiciário de todas as instâncias, lideranças da sociedade
civil organizada e temos distribuído aos estudantes e à
população em geral, após as palestras que estamos
fazendo nas escolas e nas associações de moradores",
informa.
Sobre os resultados esperados com a divulgação do livro,
Mesquita acredita que "esse tipo de trabalho não produz resultados
imediatos. Talvez, se já tivesse sido feito antes, há 5
ou 10 anos, a situação das empresas de ônibus fosse
diferente. Mas pode-se observar a mudança de alguns discursos e
até algumas iniciativas dos poderes constituídos adotando
o discurso do livreto", afirma.
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