Criado pelo governo Lula,
o Ministério das Cidades está à frente de uma
luta que diz respeito a cada cidadão deste país de
tantos contrastes urbanos, climáticos, estéticos,
sociais e outros. Trata-se da Conferência das Cidades, gigantesca
ação em prol de cidades mais justas, que teve início
no governo anterior, em 1999, mas cujas raízes estão
fincadas na década de 80, quando entidades sindicais e profissionais,
organizações não governamentais, setores universitários
e técnicos do próprio governo e outros segmentos da
sociedade civil encaminharam à Assembléia Constituinte,
em 1987, emenda popular pela Reforma Urbana.
Em 2000, o Instituto Cidadania, sob a presidência do atual
presidente da República, convidou especialistas e lideranças
sociais para buscarem soluções para o problema habitacional.
Foi criado o Projeto Moradia, cujo enfoque era de que a habitação
significa mais do que uma casa, um sistema que deve envolver serviços
como água, esgoto e transporte. A proposta do Projeto se baseava
no tripé questão fundiária, financiamento e ação
institucional. Com relação a esta última perna,
foi sugerida a criação do Ministério das Cidades
e dos Conselhos das Cidades.
| Conselho
Nacional das Cidades |
Essencial para articulação das políticas setoriais
de desenvolvimento urbano e para integrar os segmentos da sociedade
envolvidos, o Conselho é formado por representantes dos três
poderes executivos, ONGs, entidades acadêmicas e de pesquisa,
operadores e concessionários de serviço público,
empresários ligados ao desenvolvimento urbano e outros.
A Conferência Nacional das Cidades terá 2.510 delegados
– 1.698 eleitos nas Conferências Estaduais, 562 indicados
por entidades nacionais e 250 indicados pelo governo federal e pelo
Congresso Nacional. Antes dela, foram realizadas conferências
nos âmbitos municipal e estadual. Comissões Preparatórias
definiram, entre outras coisas, o critério para eleição
dos respectivos delegados.
Na Coordenação Executiva da Conferência estão
presentes entidades ligadas ao transporte e à mobilidade: Associação
Nacional dos Transportes Públicos, Confederação
Nacional do Transporte, Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Transportes e Fórum Nacional de Dirigentes de Trânsito
e Transporte Urbano. Nem poderia ser diferente. A realidade do país
vem mostrando ligação importante da renda com o transporte
público e a mobilidade. A queda no padrão de vida dos
cidadãos, a partir de determinado nível, acaba por privá-los
da utilização do transporte coletivo, ou seja: à
medida que a pobreza cresce, cria uma legião de cidadãos
sem-transporte.
O estudo Mobilidade e Pobreza, realizado pelo Itrans (Instituto de
Desenvolvimento e Informação em Transporte), detectou,
em sua primeira etapa, a queda no acesso ao transporte público
entre as pessoas de baixa renda. Cerca de 60% dos entrevistados encontravam-se
desempregados e só 20% das pessoas que recebem até três
salários têm carteira assinada. Conseqüentemente,
essas pessoas não recebem vales-transporte e têm sua
mobilidade restrita pela falta de recursos. O fato é grave
porque, para essa faixa da população, está cada
vez mais difícil a utilização de serviços
médicos, hospitalares, assim como ter lazer, buscar emprego
ou até atividades informais em locais mais distantes.
Enquanto todos os modais queixam-se da perda de passageiros, muitas
pessoas tornam-se andarilhas ou, o que é pior, dormem nas ruas,
embora tenham onde morar, por falta de dinheiro para os deslocamentos.
Esse tipo de questão não pode passar despercebido num fórum de tamanha importância.
Para se conseguir cidades mais justas, que acolham todos os seus cidadãos
de forma igualitária, sejam eles deficientes ou não,
motoristas ou pedestres, ricos ou pobres, é preciso que todos
os segmentos estejam representados nesses fóruns. O transporte
público, por ser serviço essencial, é merecedor
de toda a atenção. Precisa ser pensado, repensado, debatido,
analisado em todas as suas minúcias, com participação
ativa de seus operadores, nos diferentes modais, dos trabalhadores
e dos usuários. Como diz o antigo provérbio latino,
“da discussão, nasce a luz”. Que, do debate democrático,
saiam soluções boas para todos. Assim, nossas cidades
terão não só luz, como água, esgoto, saneamento,
saúde e transporte de qualidade para todos.
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