Rio de Janeiro é pioneiro na criação de núcleo regional do MDT
Qualidade Para Todos

O Rio de Janeiro é o primeiro estado da Federação a criar um núcleo regional do Movimento Nacional em Defesa do Transporte Público de Qualidade para Todos (MDT). Em evento realizado na última quinta-feira, 27, no auditório da Firjan, a Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) e o Fórum Fluminense de Secretários e Gerenciadores de Transporte e Trânsito Urbano lançaram as bases do Núcleo Fluminense do movimento nacional, lançado em setembro último em Brasília, juntamente com a Frente Parlamentar do Transporte.

O economista e técnico de transporte urbano e ferroviário da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), Ian Thomson, ressaltou a importância de se reconquistar o espaço viário para as pessoas, e de transportar maior número de passageiros com número menor de veículos, para melhorar a qualidade de vida nas cidades.

A crise dos transportes foi considerada "sem precedentes" pelo presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Vieira da Cunha Filho, que destacou que, apesar da criação da Frente Parlamentar e da própria posição do Ministério das Cidades em prol do barateamento das tarifas, o empresariado do setor foi surpreendido recentemente com o aumento da carga tributária, através do Cofins. Otávo Cunha afirmou que o MDT é um movimento que envolve toda a sociedade e defende vários pontos que o empresariado dos transportes já pregava. "Não é possível que hoje vá se pensar que o que se quer é beneficiar empresários", afirmou, acrescentando: "vamos transferir todos os benefícios para o barateamento das tarifas. Este é nosso compromisso com a sociedade".

Contrastes

O diretor executivo da ANTP, Nazareno Stanislau Affonso, questionou como um país que conta com uma indústria de ônibus de categoria internacional, um empresariado organizado e competente, técnicos e consultores da melhor qualidade não conseguiu até hoje sensibilizar seus governantes para que tratem o transporte público como prioridade. O número de acidentes de trânsito, os custos sociais daí decorrentes, a falta de prioridade nas cidades para o transporte coletivo, o aumento dos custos operacionais do transporte público e as gratuidades foram apontados por Nazareno como exemplos da ausência de uma política de transporte racional e focada no bem-estar das pessoas.

O diretor regional da ANTP no Estado do Rio de Janeiro, Willian de Aquino; o presidente do Fórum Fluminense de secretários de Transporte, Sérgio Marcolini; o assessor da vice-presidência da Firjan, Maurício Andrade Ramos; o presidente do Simefre, José Fernandes Martins; o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres, Omar José Gomes; e o diretor da Opportrans – Metrô/RJ, Luiz Mário Miranda, também fizeram pronunciamentos em defesa de uma união de esforços para resolver as questões da mobilidade e da exclusão social pelo transporte. Martins foi enfático ao afirmar que a indústria de ônibus precisa exportar para enfrentar as dificuldades que o empresariado enfrenta no país.

O superintendente da Fetranspor, Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, ao anunciar a adesão da Federação ao MDT, apontou como prioridade para o núcleo fluminense o esforço junto às autoridades para elaboração de programa de curto prazo que envolva maior controle do transporte alternativo, repressão à pirataria, definição de fonte de custeio extratarifária para as gratuidades e criação de vias exclusivas para ônibus.

Dentre as personalidades que prestigiaram o lançamento do Núcleo Fluminense do MDT, o presidente do Instituto de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro, Márcio de Queiroz; o secretário geral do Sindicarga, coronel João Leite Barreto; o vice-presidente do Cetran, Sérgio Damasceno; o presidente da Autcan, Waldir Cardoso; o conselheiro da Fetranspor, Marcelo Traça Gonçalves; o presidente e o vice-presidente do Rio Ônibus, respectivamente Lélis Marcos Teixeira e Octacílio Monteiro, além de representantes dos vários modais de transporte, dos trabalhadores do segmento, secretários de Transporte de vários municípios do Estado, técnicos e imprensa.

Ian Thomson: América Latina precisa pensar em
transportar mais gente em menos veículos

   
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