ANTP promove curso para jornalistas no Rio
Relações Públicas


Cláudio de Senna Frederico falou sobre o
Teu-Transporte Expresso Urbano,
projeto a ser adotado em São Paulo

A ANTP promoveu, de outubro a dezembro, no Estado do Rio de Janeiro, uma série de workshops para jornalistas, em forma de curso, com aulas semanais. A iniciativa teve por objetivo passar noções de transporte, trânsito e assuntos afins para que os profissionais conheçam melhor as implicações que quaisquer medidas relacionadas a esses temas podem ter na vida das cidades.

Assuntos como o desenvolvimento urbano e as políticas de transporte, o quadro empresarial no Estado e no Município do Rio de Janeiro, políticas sociais e gratuidades no transporte coletivo foram abordados por técnicos de entidades como a Coppe-UFRJ, a NTU, o Ipea e a própria ANTP.

Muitas “verdades” que costumam ser repetidas não só pela mídia como pela população, como “o transporte alternativo é uma forma de gerar trabalho para pessoas desempregadas, que, dessa forma, conseguem ter uma renda para seu sustento e o de sua família”, ou “é necessário construir mais vias, abrir túneis e realizar mais obras de engenharia para desafogar o trânsito nas nossas cidades” foram desmentidas pelos técnicos. Soluções encontradas em algumas cidades, como Bogotá, Londres e Curitiba foram analisadas, em interessantes exposições que chamaram a atenção para o fato de que se precisa repensar a vida nas metrópoles, criando condições mais dignas para o homem urbano.


Willian de Aquino: implantação de linhas de metrô tem custo muito alto

O diretor da ANTP do Rio de Janeiro, Willian de Aquino Pereira, mostrou a fragilidade de planos que vêm sendo cogitados por sucessivos governantes, como implantação de linhas de metrô que se superpõem a outros serviços e que são hoje inviáveis pelo custo que representariam. Ele explicou que Paris e outras cidades que contam com eficiente serviço de metrô realizaram o processo de implantação antes de se tornar necessário um número muito grande de desapropriações, em locais onde o solo ainda não custava muito caro. Este não é o caso do Rio de Janeiro, ressaltou. Ele abordou também o prejuízo que um trânsito desordenado e com excesso de automóveis particulares causa à vida dos cidadãos. O professor Ronaldo Ballassiano, da UFRJ, mostrou que precisamos contar com planejamentos sérios e políticas de transporte voltadas para o tipo de cidade em que queremos viver.

Como são calculadas as tarifas, quem as determina e como esse mecanismo funciona no Brasil e em outros países do mundo foram pontos abordados pelo consultor Sérgio Balloussier. Alexandre Gomide, do Ipea; Cristina Baddini, da ANTP; Patrícia Véras, secretária de Transporte de Guarulhos; Eduardo Vasconcelos, da ANTP; e Ricardo Mendanha, presidente da BHTrans, foram alguns dos nomes que apresentaram dados e esclareceram dúvidas dos profissionais da mídia durante o workshop.

Um dos assuntos que despertou bastante interesse foi recente estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que mostra os impactos que o transporte público gera sobre a pobreza, de forma direta e indireta. Os indiretos estão ligados às deseconomias urbanas, ou seja, custo dos congestionamentos, problemas causados pela poluição dos veículos etc. Os impactos diretos envolvem o acesso a serviços básicos, a atividades sociais e de lazer dos cidadãos. Segundo o estudo, as camadas da população com renda familiar mais baixa estão ficando sem acesso a uma série de atividades por falta de dinheiro para o transporte. Entre essas atividades, a própria busca ao emprego. O fenômeno causa o isolamento dessas camadas nas periferias das metrópoles, em bolsões de pobreza.

Em quase todas as análises o aumento da população urbana, o crescimento desordenado das cidades, a queda na demanda pelo transporte urbano e o aumento do número de automóveis e motos nas ruas foram citados como fatores que precisam ser pensados, para que se criem novas políticas que tornem a vida nas cidades mais humana.

Promovidos pela ANTP nas instalações do Hotel Guanabara, no Centro do Rio, os workshops foram realizados por Rabaça & Associados e contaram com apoio da Fetranspor. Os principais jornais do Estado foram convidados a enviarem representantes, sem custos para os veículos de comunicação. Os participantes receberam o teor das palestras em material impresso, gratuitamente, e receberão certificado pelo correio. A ANTP pretende adotar esse modelo em várias cidades do país. A ONG acredita que esta é uma boa forma de colocar em discussão temas de grande importância para a vida das grandes cidades, assim como criar um canal com os formadores de opinião, facilitando-lhes acesso a informações técnicas que lhes serão úteis na hora de fazer a cobertura de assuntos como o congestionamento de trânsito; a poluição aérea e sonora; a criação de faixas seletivas para o transporte coletivo, o número de acidentes e o custo que têm para o país; o aumento do uso de motocicletas; as formas de transporte clandestino e outros. Nesta primeira etapa, participaram mais de vinte jornalistas, da capital e do interior.


Foram Palestrantes


Willian de Aquino – Diretor da ANTP do Rio de Janeiro
Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega – Superintendente da Fetranspor
Ronaldo Ballassiano – Professor da COPPE/UFRJ
Lélis Marcos Teixeira – Presidente do Rio Ônibus
Sérgio Balloussier – Consultor de Transporte
Alexandre Gomide – Coordenador de estudos de transportes urbanos do Ipea
Cristina Baddini – Diretora da ANTP
Eduardo Vasconcelos – Diretor da ANTP
Patrícia Véras – Secretária de Transportes de Guarulhos
Ricardo Mendanha – Presidente da BHTrans
Nazareno Affonso – Diretor da ANTP
Otávio Vieira da Cunha Filho – Presidente da NTU
Cláudio de Senna Frederico – Vice-Presidente da ANTP
José Carlos Xavier – Secretário Nacional de Transporte Urbano
Maximino Gonçalves Fontes Neto – Advogado
Bento José Lima – Professor da Coppe/UFRJ
Darci Norte Rebelo – Consultor jurídico da Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul (Fetergs)

   
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