Exposição mostra em Vitória o transporte
de nossos antepassados
Série: A História do Transporte
Por Tânia Mara

Esta série vai interromper sua viagem através do tempo, mundo afora, como tem sido feita, para uma parada especial. Ficaremos estacionados em 2003, entre os dias 13 e 17 de outubro, aqui mesmo no Brasil, na bela cidade de Vitória, capital do Espírito Santo.

Naquela ilha, no período citado, estava se realizando o 14º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, promovido pela ANTP, que conseguiu reunir a maior parte das cabeças pensantes do transporte e do trânsito brasileiros, além de alguns expoentes internacionais, para discutir que tipo de transporte queremos e como isso vai afetar a vida das cidades em que vivemos.

Dirijamo-nos para o Centro de Convenções, sede do Congresso. Veremos uma exposição, paralela ao evento. Um dos primeiros estandes é o da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Aí está nossa primeira escala nesta jornada.



Eurico Galhardi explica a visitantes detalhes sobre as
peças expostas no Centro de Convenções de Vitória

O encantamento na vitrine

Uma vitrine expõe dezenas de miniaturas coloridas, coisa de encher os olhos de qualquer visitante. Miniaturas e réplicas de veículos antigos, de todos os tipos e das épocas mais variadas chamam a atenção dos passantes. Podemos nos deter e apreciar detalhes de automóveis do século XIX, de veículos movidos a tração animal, de ônibus utilizados em cidades como Londres e outras peças. Recebemos lá um folheto sobre a criação do Museu Virtual da NTU, que permitirá aos internautas acessarem dados sobre toda a história do transporte no mundo, e mais ainda: o próprio símbolo do Museu mostra duas pegadas – afinal, os pés são nossa forma principal de deslocamento – a primeira, de um pé primitivo no barro; a segunda, de um astronauta, no solo lunar. Donde se conclui que o site não será apenas um mero registro de datas e modelos de veículos, mas da própria história do ser humano sobre a face da terra, mostrada através de seus progressos nas formas de deslocar-se pelo planeta.

Voltando ao estande: fomos informados que ele constituía apenas a primeira parte de uma mostra maior, realizada num shopping center da capital capixaba. Partamos para lá, e vejamos o que nos espera.

Não é difícil perceber, logo à entrada do centro comercial, um ajuntamento de pessoas. Apreciam fotos. Aproximemo-nos. Não há como não se sentir atraído por aqueles registros históricos de velhos ônibus, quase sempre com orgulhosos motoristas e cobradores posando ao seu lado. As legendas nos mostram que se trata dos veículos pioneiros no transporte coletivo da cidade. Ruas sem calçamento, paisagens bucólicas, um certo ar interiorano fazem-nos sentir parte daquela vida por instantes. Basta um rápido olhar para o ambiente em que estamos para percebermos o quanto a cidade, as pessoas, os veículos mudaram. Toda a vida daquela e de todas as cidades foi transformada. Parte dessa evolução foi desempenhada por aqueles ônibus, que transportaram homens e mulheres, agentes da transformação através de seu trabalho, suas idéias e sua disposição de mudar sonhos em realidade. Hoje, enquanto fazemos nossa viagem, podemos ser testemunhas dessa parte da História.

Mais vitrines

A exposição não se encerra nas fotografias de uma velha Vitória, servida por ônibus de modelos curiosos. Somos convidados a visitar outro andar do shopping, onde novas vitrines de vidro nos encantarão os olhos.

Novo ajuntamento de curiosos, pessoas que se aproximam ao máximo, algumas agacham-se para ver os modelos mais próximos ao chão, nas inúmeras prateleiras de vidro que mostram pequenas esculturas, réplicas de obras em que Debret imortalizou, através de suas gravuras, as formas de deslocamento usadas na época do Brasil colônia, quando o país encontrava-se em plena meninice. Outras mostram formas rudimentares de transportar carga, quando todo o planeta mal engatinhava. Carros de bombeiros antigos, os primeiros caminhões de entrega da Coca-Cola, automóveis pioneiros, um curioso ônibus-zepelin, tudo enche os olhos e a imaginação de cada um dos visitantes que ali se aglomeram, trocando impressões, vez por outra deixando escapar uma exclamação. Sem dúvida, uma viagem ao mundo de nossos antepassados, dessas de que a gente não quer se despedir, de tão rica e agradável. Mas uma terceira etapa da viagem nos aguarda. Vamos descer e passar pelo pátio do shopping. Lá está a terceira e última parte da exposição.

Não mais réplicas

Não se trata mais de réplicas ou miniaturas. São veículos de verdade, restaurados, bonitos, cujo interior podemos percorrer. Policiais rodoviários gentis prestam informações sobre os modelos. Alguns deles já foram o máximo da novidade em matéria de ônibus. Um bonde também faz parte do acervo. Vários turistas e visitantes da própria cidade aproveitam para tirar fotos. Crianças que nunca haviam visto um ônibus com bagageiro de teto e muito menos um bonde percorrem olhos e mãos curiosos sobre os veículos. Casais de meia idade se emocionam, ao lembrar que chegaram a andar nos bondes de antanho. Mocinhas de hoje imaginam como eram aquelas que viajavam naqueles veículos, que classificam como “um barato!”.

Vamos descer os degraus do velho ônibus em que nos encontramos, e fazer uma viagem de volta aos nossos dias. Mas antes deixemos nossos agradecimentos a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para a reunião e conservação desse acervo. E aguardemos a navegação no espaço do Museu Virtual que vai nos levar a outras viagens. Até breve!


   
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