A opinião do transportador
Gratuidade


Muitas vezes, nos últimos meses, a imprensa tem se ocupado com o problema da gratuidade nos transportes, não só no Estado do Rio de Janeiro, como em outras unidades da Federação, divulgando depoimentos e protestos que nem sempre dão ao leitor a imagem fiel do quadro existente.

A imagem do empresário de transporte, em episódios desse tipo, acaba por sair arranhada. A população é levada a crer que o segmento é contrário à concessão de benefícios sociais a camadas carentes da população. Políticos, membros do Ministério Público e lideranças comunitárias dão opiniões desencontradas sobre o assunto. A revista Ônibus ouviu o superintendente da Fetranspor, Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, para saber o que o transportador realmente pensa sobre o assunto.

Luta histórica

Na opinião do superintendente, o segmento vem travando luta histórica, na tentativa de mudar a cultura paternalista que se consolidou não só no Rio, mas em todo o Brasil. “Nada mais enganoso do que supor que os empresários de ônibus, ou as tarifas, possam ou devam suportar essas gratuidades, em nome de um falso conceito de responsabilidade social”, afirma.

Segundo Urquiza, a legislação é “fortemente assistencialista”, por ignorar níveis de renda, na concessão da gratuidade no transporte, e por estabelecer a benesse sem indicar fonte de custeio legítima. “Em tese, seis milhões de fluminenses – 41% da população – por serem idosos, estudantes de rede pública, doentes crônicos e deficientes, poderão ser dispensados de pagamento das tarifas”, ressalta, lembrando que empresários, sejam eles de qualquer setor, precisam de resultados financeiros, para terem condições de oferecerem bons serviços ou produtos.

Dever do poder público

Urquiza Nóbrega declara que tanto a Fetranspor, como os sindicatos a ela filiados e as empresas que compõem o sistema, apóiam as gratuidades no transporte público. “O que os transportadores querem é que essas gratuidades sejam assumidas pelo poder público – e o vale-transporte irá facilitar essa distribuição – e que alcancem as camadas sociais mais carentes (idosos, estudantes, doentes crônicos e deficientes)”. Os contingentes de beneficiários poderão ser aumentados de acordo com as dotações orçamentárias, previstas conforme as políticas públicas traçadas, acredita. O superintendente disse ainda que o debate democrático e mutuamente respeitoso é o melhor caminho para se chegar a bom termo em assuntos dessa importância social. Para ele, o segmento de transporte por ônibus tem tradição de um século de dedicação à causa do desenvolvimento econômico e social deste Estado e do País, assim como de respeito ao Estado Democrático de Direito e ao cumprimento das leis, que não pode ser ignorada.


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