Onde está a saída?
Perda de Mobilidade


População perde mobilidade, e o transporte coletivo urbano a capacidade de se auto-sustentar

Perda de passageiros e da capacidade de investimento, desemprego e envelhecimento da frota. Dados da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) mostram que o transporte coletivo urbano no Rio de Janeiro, que não recebe subsídios, recolhe R$ 1,14 bilhões aos cofres municipais, do Estado e da União, e sempre empregou mão-de-obra em larga escala, está em franco declínio.

O setor empresarial perdeu entre 1996 e o ano passado mais de 80% de sua capacidade de investimento. Nesse período, houve diminuição de passageiros da ordem de 31,74% e aumento da idade média da frota de 2,8 para 4,5 anos. Para completar o quadro, foram tirados de circulação mais de mil ônibus e o número de postos de trabalho fechados chegou a 6 mil.

As informações não são uniformes e variam de região para região. Os ônibus da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, vêm sofrendo de envelhecimento precoce nos últimos anos: de 1999 para cá, a idade média da frota municipal passou de menos de três anos para 4,22 anos. Ao envelhecimento associa-se a diminuição no número de passageiros: 15,6%, somente nos últimos dois anos. Há, pelo menos, quatro casos de empresas com perdas superiores a 50% no período.

Os ônibus intermunicipais acompanharam a regra. Nos últimos dois anos perderam 17,8% de seus clientes, mesmo tendo aumentado a quilometragem percorrida em quase 30%. As empresas da Baixada Fluminense fecharam cerca de 1.537 postos de trabalho, e as de Niterói e São Gonçalo, 657. A Região dos Lagos não fica atrás. O grupo composto pelas empresas Salineiras, Montes Brancos e São Pedro estima perda de demanda de 40% nos últimos dois anos.
– “A situação das empresas de ônibus do Estado do Rio de Janeiro é crítica. Não bastasse a concorrência desleal que sofrem do transporte irregular, ainda têm de suportar um índice de gratuidades de 36,8% na Região Metropolitana, mas que, em alguns casos, chega a 46,27%, como ocorre em Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí. A continuar como está, caminha-se para a inviabilização da operação deste serviço público essencial pelas empresas permissionárias” – prevê Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, superintendente da Fetranspor.

Direito de ir e vir sob risco

A idéia de mobilidade tem sido usada para designar a capacidade das pessoas de se locomoverem de um lugar para outro com rapidez e sem grandes transtornos. Em outros termos, é ela que permite ao cidadão comum usufruir o sagrado direito de ir e vir, um dos fundamentos das sociedades modernas e condição para o seu bom funcionamento.

A mobilidade da população brasileira, no entanto, está caindo a olhos vistos, como demonstram algumas pesquisas. Em 2003, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e o Instituto de Desenvolvimento e Informação em Transportes (Itrans) divulgaram dados sobre uma nova forma de exclusão social que toma conta do país: a do transporte urbano, que encareceu, fez com que a população de baixa renda deixasse de usá-lo e, com isso, perdesse não só a capacidade de se deslocar, mas o próprio meio de ir atrás de um emprego e buscar o auto-sustento.






   
Clique aqui para Imprimir !
Voltar a página anterior !