No
trabalho, computadores e tecnologias.
Em casa, patos, marrecos e galinhas |
Rodoviário
de Talento
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Anderson, operador de computador da Viação
Cidade do Aço, empresa de Barra Mansa, no Estado do Rio, é
um rodoviário que administra bem seus dois mundos: o do trabalho
e o pessoal. Seu hobby? Criar patos, galinhas e marrecos.
É assim que o operador de computador do escritório da
Qualidade, da Cidade do Aço, consegue recarregar as baterias
após um dia inteiro enfrentando um ritmo acelerado de trabalho,
numa empresa que conquistou a ISO 9000 e não abre mão
da qualidade em seus serviços. Ao invés de cães
ou gatos, Anderson brinca com seus patos, marrecos e galinhas. Um
hobby que já dura 18 anos, e que conseguiu adeptos dentro da
família. "Minha esposa é quem cuida mesmo deles
no dia-a-dia, enquanto estou na empresa. Se não fosse ela,
eu não poderia manter esse hobby", explica. Ao todo, são
30 animais, sendo 18 patos, seis marrecos e nove galinhas, que têm
nomes e recebem carinho do dono. "Eu gosto de bichos de um modo
geral, mas das aves em especial. Tudo começou quando eu ainda
era garoto, com uns 10 anos, e meu pai me deu dois patinhos",
conta Anderson.
Pode até parecer estranho, mas não se pode negar que
estes animais domésticos têm estilo e uma beleza bem
diferente. As penas de cores variadas, as tonalidades de acordo com
o sexo e o tipo de envolvimento entre as aves e seu criador não
deixam dúvidas de que é possível, sim, gostar
de patos, marrecos e galinhas dentro de casa e não apenas na
mesa de jantar. Aliás, Anderson faz questão de ressaltar
que não cria para comercialização e muito menos
para corte. Ou seja: não vende, nem come. "A gente se
apega às aves assim que elas nascem e não dá
vontade de vender", diz Anderson, que cuida com todo empenho
para que seus animais vivam ainda mais tempo que o previsto. "É
preciso ter um controle de tudo, com comida balanceada e lugar bem
limpo, para que vivam mais e melhor, além de evitar transmitir
doenças para a gente", adverte o rodoviário.
A receita para conviver em paz com estes animais não foge à
regra de quem tem qualquer outro bicho de estimação:
amor, carinho e dedicação. "É preciso ter
muito amor aos animais e respeito. Saber preservar as espécies
e conviver com elas. É isto que acho importante passar para
as pessoas, que cada um tem um jeito diferente de ser. Eu, por exemplo,
sei identificar cada um dos meus bichos. Conheço o jeito de
cada um deles. A gente tem que respeitar os animais", aconselha
Anderson.
A criação de aves ou qualquer outro tipo de animal exige
não só dedicação como também certos
cuidados, principalmente quanto às leis impostas pelo Ibama,
órgão que regulamenta e fiscaliza questões ligadas
à fauna e à flora brasileiras. Nem todo animal pode
ser criado em cativeiro nem comercializado. Se você está
interessado em iniciar- algum tipo de criação, é
preciso ficar atento às normas, pois infringir regras do meio
ambiente representa crime inafiançável no Brasil.
O que diz o Ibama
"A criação e comércio de animais domésticos
como cães, gatos, vacas, porcos, patos, galinhas, codornas,
coelhos, periquitos e canários-belga, entre outros, não
necessita de autorização do Ibama." A mesma regra
não se aplica aos animais silvestres, que são aqueles
"que pertencem às espécies nativas, migratórias
e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham a sua
vida ou parte dela ocorrendo naturalmente dentro dos limites do Brasil
e suas águas juridicionais", explica o órgão.
Por exemplo: mico, morcego, quati, onça, tamanduá, ema,
papagaio, arara, canário-da-terra, tico-tico, galo-da-campina,
teiú, jibóia, jacaré, jabuti, tartaruga-da-amazônia,
abelha sem ferrão, vespa, borboleta, aranha e outros cujo acesso,
uso e comércio são controlados pelo Ibama.
Ao contrário dos silvestres, os animais domésticos são
mais conhecidos e possuem dependência do homem e podem ter aparência
diferente da espécie silvestre que o originou. Por exemplo:
gato, cachorro, cavalo, vaca, búfalo, porco, galinha, pato,
marreco, peru, avestruz, codorna-chinesa, perdiz-chucar, canário-belga,
periquito-australiano, abelha-européia, escargot, manon, mandarim,
agapornis, entre outros.
Mesmo os pássaros que parecem mais comuns, podem precisar de
registro no Ibama. É o caso do canário-da-terra, pássaro-preto
o curió. O controle destas aves teve que ser feito por causa
do risco de extinção, pois a história revela
que desde a descoberta do Brasil, o povo brasileiro tem o hábito
de criar pássaros canoros silvestres como animais de estimação.
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