José
Carlos Reis Lavouras
Presidente do Conselho de Administração da Fetranspor
As empresas de ônibus
do Estado do Rio de Janeiro, responsáveis pelo atendimento
de 72% da demanda do transporte coletivo urbano, vêem-se diante
de situação insustentável, com graves conseqüências
para a economia local e para a ordem pública.
A atividade predatória de veículos piratas cresceu
nos últimos anos, retirando do sistema legal cerca de 1,5
milhão de passageiros/dia e privando as empresas de receita
fundamental para a manutenção dos investimentos na
operação e melhoria dos serviços.
As empresas de ônibus e seus passageiros têm sido vítimas
de crimes e atentados de largas proporções e dolorosas
conseqüências. De abril de 1999 até hoje, 292
veículos foram incendiados com perda total e 254 outros foram
depredados.
A frota de ônibus do Estado, que primou por ter sido a mais
nova do país, envelhece vertiginosamente, em razão
da impossibilidade de se adquirirem veículos novos. Sua idade
média deve chegar a cinco anos e meio em 2004, o que acarreta
acentuada queda na qualidade dos serviços prestados à
população e aumento de custos de manutenção.
Apesar do aumento de seus custos, há um ano as linhas intermunicipais
não têm qualquer reajuste em suas tarifas.
Cidades importantes vivem dificuldades em seus sistemas de transporte.
Em Campos dos Goytacazes, recente greve dos rodoviários deixou
150 mil cidadãos sem ônibus. Cachoeiras de Macacu e
Araruama perderam os serviços de suas tradicionais empresas
de ônibus, com sérios prejuízos para a população
e para a economia. Na cidade do Rio de Janeiro uma empresa encerrou
suas atividades e mais três propuseram a entrega da concessão
de suas linhas em notificação extrajudicial às
autoridades municipais.
Outras empresas estão prestes a encerrar suas atividades,
criando clima propício para uma onda de demissões
sem precedente neste setor. Nos últimos seis anos, de um
total de 100 mil empregos diretos que o setor propiciava, foram
fechados 8.322 postos de trabalho. Pode-se prever agora que mais
de 5 mil rodoviários estejam sob o risco de perder seus empregos
até o final deste semestre.
Vencida no último dia 31 de março a data-base para
aumento salarial dos rodoviários, as empresas se acham impossibilitadas
economicamente para atenderem suas reivindicações
salariais, em prejuízo do sustento de milhares de famílias,
que nestes anos acumularam sucessivas perdas de renda.
Não bastassem os fatos relatados, o Estado do Rio de Janeiro
se tornou campeão em ampliar gratuidades nos serviços
de ônibus, sem a prévia e indispensável definição
de fonte de custeio. Pesquisa do Instituto Gerp, realizada em setembro
de 2003, calculou em 37% o total de passageiros que não pagam
passagens de ônibus.
É preciso ressaltar que as empresas de ônibus deste
Estado não são contra as gratuidades, mas o encargo
de seu financiamento tem recaído sobre elas, já que
não seria justo repassá-lo aos passageiros pagantes.
Pesquisa Ibope, realizada em setembro de 2003, registrou que 89%
dos entrevistados entendem que as gratuidades devem ser custeadas
pelo poder público.
Recente decisão do Tribunal de Justiça deste Estado
reconheceu a inconstitucionalidade da Lei Estadual n.º 3.339/99,
por não haver definido fonte de custeio que responda pelo
transporte de idosos, estudantes e demais categorias sociais beneficiárias.
Decorridos oito meses da sentença, ainda se aguarda a manifestação
das autoridades.
No caso dos estudantes da rede pública, é obrigação
legal do Estado e dos municípios assumir o custeio do transporte
como determina a Lei Federal n.º 10.709, de 31 de julho de
2003, que introduziu acréscimos na Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional. Recursos do Fundef são
transferidos para o Estado e para os municípios a fim de
atender a seus encargos constitucionais, o que não vem sendo
feito.
As empresas de ônibus cumprem o dever de alertar as autoridades
do Estado e dos municípios para as dificuldades que encontram
no sentido de dar prosseguimento a suas obrigações
diárias, manifestando a confiança de que, com a máxima
urgência, sejam examinadas e acolhidas as propostas que a
Fetranspor e seus sindicatos filiados lhes submeteram a fim de encontrar
a solução para esses problemas.
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