Transporte Acolhedor une futuro e passado do transporte no MHN
Evento



Ricardo Neves: cliente precisa contar com leque de opções em seus anseios de mobilidade

O belo espaço do Museu Histórico Nacional (MHN), no centro do Rio de Janeiro, sediou, em 19 de abril último, o Encontro de Empresários do Programa Transporte Acolhedor – realizado pela Fetranspor desde 2002. Realizado em parceria com o MHN, o evento contou com palestra do consultor Ricardo Neves, autor do livro “Copo pela Metade” (editora Campus) e com apresentação do espetáculo “Navegar é Preciso – em Prosa, Verso e Riso”, cujo ator e autor, Toni Corrêa, apresenta monólogo de cerca de 90 minutos, só interrompido por breves intervenções musicais da consagrada fadista Maria Alcina e dos músicos brasileiros Victor Aragão (guitarra portuguesa) e Kleber Mattos (viola).

Abertura e propostas

A psicóloga Mônica Lyra, coordenadora do programa Transporte Acolhedor, fez breve apresentação do Programa, seguida pelo superintendente da Fetranspor, Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, que aludiu aos resultados de recente pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que concluiu que o Brasil tem 53 milhões de miseráveis. Urquiza afirmou que o transporte será “um dos instrumentos de resgate desses milhões de brasileiros”. Para isso, ele considera necessário que sejam aceitas as propostas que o setor vem apresentando aos governos e à sociedade: a desoneração tarifária, a assunção das gratuidades pelo governo, através da criação de um vale-transporte social para os carentes, e a priorização do transporte coletivo no tráfego de nossas cidades.

O consultor Luiz Carlos Jardim falou sobre os objetivos do Programa e suas atividades desde a implantação, em janeiro de 2002, e informou que a Fetranspor, em breve, vai passar a certificar as empresas participantes.

Óculos de otimismo

O palestrante Ricardo Neves procurou mostrar vários “óculos” através dos quais costumamos ver a realidade que nos cerca e analisou o cenário mercadológico brasileiro através da produção e não da renda, como fazem entidades como a FGV, por exemplo. Mostrando casos como o da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro – que conta com TV a cabo e filial de MacDonald’s, entre muitas outras opções de produtos e serviços – e números referentes ao consumo das classes C, D e E, Neves acabou por mostrar a realidade brasileira através de óculos de otimismo, ou, pelo menos de um realismo positivo. Segundo o consultor, “o país precisa diminuir tributos e estimular a pequena e média empresa, desonerar o funcionamento delas”.

O número apresentado pela pesquisa da FGV, de 53 milhões de miseráveis, é, no seu entender, uma deformação causada pelo enfoque dado. Neves disse que, ao ser perguntado sobre a renda mensal, um desempregado provavelmente vai responder “nenhuma”. No entanto, milhares de desempregados conseguem fazer dinheiro através de atividades criativas, que vão desde vender biscoito e água nos congestionamentos até criar produtos e serviços vários. Esse tipo de cidadão gera um verdadeiro exército de “formiguinhas” consumidoras, explica. Empresas como Leader Magazine, Habib’s e outras vêm conseguindo rápido crescimento por estarem investindo nesses nichos de mercado.

Com relação ao transporte, Ricardo Neves afirmou que o desafio é a atuação em duas frentes, de forma simultânea: a repactuação do marco regulatório da concessão e a criação e a agregação de valor, tornando o ônibus um meio de transporte competitivo. Ele alertou que o grande inimigo estratégico do ônibus será o automóvel e que o empresariado deve ter em mente que seu negócio é o transporte de pessoas e não o ônibus em si. Deve ser criado um leque de opções para o cliente, que o satisfaça em todos os anseios de mobilidade.

Orgulho de ter salitre nas veias

Na encenação teatral da peça “Navegar é Preciso, em Verso, Prosa e Riso”, o ator Toni Corrêa emocionou os presentes com monólogo sobre a saga portuguesa das grandes navegações. A personalidade de nossos ancestrais, a criação das novas fisionomias através da miscigenação, o gosto pela aventura, a coragem, a ternura, a saudade e o “salitre nas veias” foram mostrados como fontes de orgulho para todos nós, brasileiros. Dentre as mensagens veiculadas na peça, destacou-se a da importância do trabalho em equipe, da humildade, da criatividade no enfrentamento dos desafios e da capacidade humana de sonhar e de crer.

Participaram do Encontro, além de empresários e executivos de empresas de ônibus, as seguintes personalidades: Sônia Carvalho, presidente da Associação Pró-Consumidor, Gilberto Citryn, do Detran; Roberto Faria (Socicam), Edélcio Tirado Luduvice, diretor do Capit José Alves Lavouras; Jorge Murilo, diretor do Capit 54; Kátia Lacerda, gerente do Pate 4; Vicente Ferreira, coordenador de Recursos Humanos do Rio Ônibus; Marisa Gemma, do Sinfrerj.

   
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