Muito
mais do que motoristas
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Heróis
anônimos
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Josemar e Marcos Aurélio: motoristas de ônibus e exemplos
de cidadãos
Josemar Manoel da Silva, 43 anos, motorista
da Viação Cidade do Aço. Marcos Aurélio
Teixeira, 35 anos, motorista da Evanil Transportes e Turismo. O que
têm esses dois profissionais em comum, além de serem
motoristas de empresas de transporte coletivo de passageiros? Josemar
e Marcos podem ser considerados exemplos de cidadãos que dão
à sua profissão um sentido maior, de responsabilidade
e compromisso com o próximo. Os dois protagonizaram histórias
reais que colocaram à prova sua honestidade e solidariedade.
A Revista Ônibus conta essas histórias, que os transformaram
em heróis anônimos.

Josemar Manoel da Silva
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Em dezembro do ano passado, Marcos Teixeira, motorista da Evanil há
oito anos, cumpria sua rotina diária na linha Cabuçu
– Castelo, que liga o bairro de Nova Iguaçu ao centro
do Rio. Ao final da viagem, ao fazer a vistoria do veículo
no ponto final, no Castelo, o motorista encontrou um envelope contendo
R$ 1.000,00. Quando soube que uma cliente havia procurado um despachante
da empresa para informar que tinha perdido o dinheiro dentro do ônibus e que estava desesperada,
pois a quantia precisava ser depositada na conta de sua mãe,
para pagar despesas da obra que ambas estavam fazendo, Marcos imediatamente
pediu para avisá-la de que havia encontrado o envelope com
o dinheiro.
Ana Paula Mellon, a cliente, enviou uma carta à Evanil elogiando
o gesto de Marcos: “Época de Natal, todo mundo querendo
um dinheirinho e lá estava eu a perder o que não era
nem meu! Graças a Deus e a esta pessoa honesta que faz parte
da família Evanil, pude recuperar o dinheiro e hoje me sinto
na obrigação de relatar isso para vocês, para
que pelo menos vocês possam repassar para ele e para outros
o quanto é importante poder confiar nas pessoas que estão
próximas da gente”. Para o herói de Ana Paula
“acima de tudo está a honestidade, pois além de
estar fazendo o que é certo, a gente ainda ganha a amizade
do cliente. É muito gratificante saber que tem alguém
que confia na gente e, assim, ter a certeza de que a gente também
pode confiar em outras pessoas.”
O destino colocou o motorista Josemar no caminho do motoqueiro Mauro
Silva, no dia 9 de março. Neste dia, Josemar, que trabalha
na VCA há 15 anos e faz a linha Rio – Barra Mansa, foi
escalado para outra linha, que atende à Casa da Moeda, em serviço
de fretamento. Ao deixar o último cliente no destino, próximo
a Del Castilho, e retornar para a garagem, o motorista passou por
um motoqueiro que tentava, desesperadamente, com sua camisa e até
mesmo com o capacete, apagar um princípio de incêndio
em sua moto. Josemar não pensou duas vezes. Estacionou o ônibus
e desceu já com o extintor nas mãos. Conseguiu evitar
o incêndio. “Acho que só mesmo eu poderia ajudá-lo,
pois o fogo já estava alto e o extintor do ônibus é
maior, mais potente e não passava ônibus ali”,
contou Josemar. Mauro quis gratificá-lo, mas ele não
aceitou. “Falei com ele que a gente está na rua para
isso”. Em e-mail enviado à Cidade do Aço, Mauro
pôde agradecer de outra forma, destacando a importância
daquele gesto. “Atitudes voluntárias como esta nos fazem
crer que a solidariedade ainda não morreu e nos alimentam de
esperança de um mundo melhor”, dizia.
Em outra ocasião, Josemar também deu prova de seu espírito
de solidariedade. Um casal muito humilde embarcou em seu ônibus
e, ao chegar ao destino final, revelou que desejava ir para outra
cidade, mais distante, porém não tinha dinheiro suficiente
para pagar a passagem. Josemar, sensibilizado, se propôs a pagar.
Ao ver a cena, os clientes que ainda estavam no ônibus resolveram
todos ajudar. Esse simples gesto de ajudar ao próximo deveria
ser assim, sempre: algo que contagia. Deveria passar de pai para filho,
de irmão para irmão, de amigo para amigo...

Marcos Teixeira |
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