Com
vocês, o motorista Batistinha e seu Brasil Sertanejo
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Rodoviário
de Talento
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"A rádio Rio de Janeiro leva aos
lares de todo o Brasil o Programa Brasil Sertanejo. Apresentação
de Vicente Faria, o popular Batistinha”. Assim, é anunciado
o programa comandado pelo motorista da Viação Pendotiba,
de Niterói, Vicente Faria, 54 anos. Batistinha entra no ar
todas as terças-feiras, às 4h30min, na Rádio
Rio de Janeiro, AM 1400 KHZ, saudando os ouvintes com seu “Alô
amigos, alô Brasil”. Os 30 minutos do programa são
dedicados à música sertaneja. Os artistas mais pedidos,
através de cartas e e-mails, são Zezé di Camargo
e Luciano, Milionário e José Rico, Xitãozinho
e Xororó, Bruno e Marrone. Mas, se o ouvinte é de uma
geração mais antiga, pede também Tião
Carneiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Belmonte e Amaraí, entre
outros.
Nos sábados em que está de folga como motorista, Batistinha
grava de quatro a cinco programas. Seus planos, para quando se aposentar,
daqui a três anos, incluem um programa à tarde, “na
rádio Rio de Janeiro mesmo, pelo seu alcance nacional”.
Ele explica que a maior parte dos ouvintes está no interior
do Brasil. “Porque a música sertaneja fala da realidade
deles, de cavalo, de roça, de boi”, diz.
Música sertaneja é paixão da infância
O mineiro natural de Miradouro, décimo filho de uma família
de 12 irmãos, conta que, desde menino, gostava de rádio
e de música sertaneja. Aos 9 anos, ele e os irmãos costumavam
freqüentar a fazenda de um vizinho, único da região
a possuir rádio. “Nós ficávamos na porteira,
esperando ele dar ordem para a gente entrar. A gente ia ouvir um programa
que tocava as músicas das duplas sertanejas de São Paulo,
como Tonico e Tinoco, Jacó e Jacozinho, Zico e Zeca...”.
Nessa época, Batistinha já amansava cavalo e tirava leite
de vaca. E a música sertaneja já tocava seu coração.
“Eu cresci no meio disso”, diz.
O Rio e a rádio
Quando veio para o Rio de Janeiro, aos 12 anos, com uma irmã
recém-casada, foi morar em Santa Cruz da Serra. No começo,
apenas estudava. Aos 16 anos, começou a trabalhar como balconista.
Foi assim que conheceu a dupla sertaneja Pacheco e Pachequinho –
este último foi seu patrão num bar. Eles costumavam se
apresentar no Programa Rancho do Biguar, da Rádio Nacional, e
algumas vezes Batistinha os acompanhava. Assim começou a conviver
com o universo do rádio.
Quando Pacheco passou a apresentar o “Mutirão do Pacheco”,
na Rádio Rio de Janeiro, Batistinha já era seu grande
amigo. Pachequinho falecera de forma trágica, num assalto ao
bar onde Batistinha trabalhara. Esse fato uniu ainda mais Pacheco
e Batistinha. “Ele me convidava para falar na rádio e,
como o programa era diário, quando ele adoecia ou não
podia comparecer, pedia para que eu o substituísse. Até
que me ofereceu um dia por semana para apresentar o programa. Cheguei
a fazer um programa também na Rádio Tamoio, chamado
‘Forró da Feira’, todos os dias, de 5h às
6h”, conta. Quando Pacheco morreu, o amigo ficou à frente
do programa. “Ele me preparou o tempo todo para ficar no seu
lugar”, lembra Vicente, que mudou o nome do programa para Brasil
Sertanejo.
Nos anos 70, o rodoviário-radialista, que também é
compositor, integrava o trio “Batista, Batistinha e Lindomar”.
Batista e Batistinha faziam, respectivamente, primeira e segunda voz
e tocavam violão, e Lindomar tocava acordeão. O trio
chegou a gravar um LP (com sucessos como “Brasil Fronteira”,
“Convite de Casamento” e “Homenagem a Muriaé”),
fazia shows e participava de programas sertanejos.
No transporte
Vicente Faria já foi eleito motorista padrão da Pendotiba
e selecionado pelo Setrerj (sindicato que congrega as empresas de
ônibus da região de Niterói e São Gonçalo,
RJ) em 2002, para concorrer ao Prêmio Alberto Moreira, tendo
sido um dos vencedores.
Começou a trabalhar em empresa de ônibus, como cobrador,
aos 17 anos, depois foi motorista de caminhão e há 12
anos é motorista da Viação Pendotiba. Ele revela
que conseguiu realizar seus maiores sonhos: ser motorista e apresentador
de programa de música sertaneja. Casado há 29 anos, costuma
encerrar seu programa convidando a esposa, a quem chama de Denguinho,
e às vezes alguns amigos da empresa, irmãos e parentes,
para subir no carro de boi e atravessar a ponte. E é assim que
vamos encerrar esta matéria, com a “voz” do nosso
Batistinha: “Estamos chegando ao final. Vamos embora Denguinho,
vamos embora Marcelo, vamos embora João. Mas, antes, quero agradecer
a Deus e a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, por ter nos
dado força para falar bonito, falar “xonado”, no
rádio dos nossos ouvintes de todo o Brasil. Vamos subir no carro
de boi e atravessar a Ponte Rio-Niterói”.
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