O transporte coletivo no Brasil
Série História do Transporte

Foto: 100 Anos do Transporte Urbano no Brasil – Technibus Editora

Os primeiros bondes elétricos (abertos) circularam em São Paulo

Corria o ano de 1837, quando João Lecocq trouxe de Paris um ônibus vermelho, com quatro rodas e dois andares, que chamou a atenção dos cariocas ao fazer sua viagem experimental, do Rocio Grande (hoje Praça 15) até a Praia de Botafogo. Temerosos pela nova concorrência, os chamados segeiros (condutores de seges, espécie de carruagem da época) e os locadores de cavalos e mulas quase apedrejaram o veículo.

Gôndolas X omnibus X bondes

No mesmo ano, era fundada a Companhia de Omnibus, de propriedade do desembargador Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, futuro Visconde de Sepetiba, e de mais quatro sócios. Os veículos eram puxados por quatro burros e continuaram exasperando a concorrência, em conseqüência de cujos protestos a Câmara Municipal passou a cobrar impostos e aplicar pesadas multas aos coletivos da Companhia. Os "omnibus" passaram a ser obrigados a trafegar com faróis acesos, "da Ave Maria em diante", menos nas noites de luar.

A Companhia das Gôndolas Fluminenses era a principal concorrente da Companhia de Omnibus. As gôndolas eram coches puxados por burros. Ambas as companhias foram derrotadas com a introdução dos bondes na paisagem carioca, em 1862.

São Paulo: carros de praça

Em São Paulo, três anos depois, o italiano Donato Severino regulamentava os seus próprios tílburis (veículos de duas rodas puxados por um cavalo, ou carruagens de quatro rodas, tracionadas por uma parelha). Donato criou os "carros de praça", com tabelas de horário e de preços. Em 1871, foi fundada a Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro, que começa a operar bondes puxados a burro no ano seguinte, serviço que perdurou até 1908. Esse tipo de transporte só veio a ter o primeiro aumento de tarifa após 75 anos de serviços.

Em 1888, a Cia. solicita autorização ao então presidente do Estado de São Paulo, Rodrigues Alves, para mudar o sistema de tração animal para tração elétrica. O bonde elétrico só operaria 12 anos depois, com a criação da The São Paulo Tramway Light & Power Co. Ltd. Em 1897 seria regulamentado o serviço de ônibus na capital paulista, através da Lei 327. Para a organização da primeira empresa, a Câmara Municipal concedeu 200 mil metros de terreno para construção de cocheiras e demais dependências.

A Cia. Viação Paulista – CVP –, que fazia a linha entre o centro da cidade e a colina do Ipiranga, chegou a transportar 2.800.000 passageiros em 1890, utilizando, em trechos e ocasiões especiais, o bonde a vapor. Em 1899, a CVP vai absorver a Companhia Carris.

Salvador: carruagens públicas e elevador

Em Salvador (BA), foi criado um sistema de carruagens públicas em 1845. Esse sistema perde espaço para a iniciativa privada quando Raphael Ariane, em 1864, introduz bondes a tração animal. No mesmo ano, é aprovada a concessão dos serviços de carga e de passageiros entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa. Essa concessão vai passar depois às mãos de Antônio Francisco de Lacerda, negociante que instala o famoso elevador Lacerda, cartão postal da capital baiana até hoje. Lacerda instala também linha de vagões sobre trilhos, a tração animal, entre a Praça do Palácio e a Barra. Sua empresa recebe o nome de Companhia de Transportes Urbanos.

Em 1897, surgem em Salvador os primeiros bondes elétricos. Nas demais cidades brasileiras, o transporte público vai chegando também aos poucos, trazendo sempre com ele mudanças nos hábitos da população e progresso.

Foto: 100 Anos do Transporte Urbano no Brasil – Technibus Editora

Ônibus a motor que fazia a linha Centro-Bom Retiro, em São Paulo

Foto: 100 Anos do Transporte Urbano no Brasil – Technibus Editora

Ônibus que trafegava no Rio de Janeiro no início do século XX

   
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