Rio Estado da Bicicleta Alternativas

Programa do Governo quer ampliar uso da bicicleta

A Setrans – Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro – criou o Programa Rio – Estado da Bicicleta, que visa a estimular o uso da bicicleta como meio de transporte urbano em todo o Estado, integrando-a aos outros modais, através da criação de sistemas cicloviários nos municípios.

O Programa está inserido no Plano Estadual de Mobilidade Não-Motorizada e possui, dentre outros objetivos, aumentar o índice de mobilidade, reduzir a emissão de poluentes atmosféricos e promover o uso eficiente do espaço público. Seu custo estimado é da ordem de R$ 60 milhões, recursos provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Governo Federal, que serão destinados a projetos de educação, operação, e campanhas de divulgação.

De acordo com Relatório da Secretaria, entre as razões que motivaram a criação do Rio – Estado da Bicicleta, está a crise de mobilidade gerada pelo crescimento desordenado das cidades e pela falta de um plano de integração, bem como de políticas de urbanização, e agravada pelo uso do transporte individual e suas conseqüências, como acidentes, congestionamentos, poluição, e pela exclusão social da população mais pobre, que não tem condições de pagar as tarifas do transporte público.

A bicicleta surge, então, como alternativa de transporte complementar para distâncias de até 5 quilômetros, por sua flexibilidade e por ser considerada, em distâncias curtas, mais rápida do que o carro e o transporte público. Também contribui para o investimento nessa forma de deslocamento o fato de a bicicleta ser um meio de transporte limpo, silencioso e saudável. Texto do Relatório da Setrans diz que esse “é um dos argumentos mais importantes para promover o seu uso, dado que a poluição ambiental global causada pelo tráfego e pelo transporte aumenta a cada ano... e que o ato de pedalar trinta minutos por dia produz efeitos significativos na prevenção de doenças em pessoas sedentárias”. Além disso, os estudos mostram que uma vaga de carro equivale a seis bicicletas, ou 20 compactadas e que a bicicleta pode transportar sete vezes mais pessoas que o carro, ocupando o mesmo espaço.


Mil quilômetros de ciclovias

Outro fator determinante para o nascimento do programa é o fato do Rio de Janeiro ter a segunda malha cicloviária da América Latina, ficando atrás apenas da Colômbia. Os estudos para a implementação do Rio – Estado da Bicicleta mostram que ciclovias já existentes podem ser prolongadas e que outras podem ser construídas. Um dos objetivos do programa é implantar mil quilômetros de ciclovias, com 10 quilômetros em cada um dos 92 municípios e 80 quilômetros ao longo do Arco Rodoviário Metropolitano. Alguns trechos, as Ecovias, seriam construídos nas margens de rios que estão sendo dragados e recuperados pela Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas), para evitar a ocupação desordenada.

Estão previstas campanhas educativas, com o objetivo de disseminar as vantagens e os benefícios de pedalar, em relação à saúde, ao meio ambiente e em defesa da vida. Palestras para comunidades, e cursos para agentes de trânsito, para formar multiplicadores nas escolas e sobre conduta e circulação preventiva, além de eventos esportivos, como o Tour do Rio, nos moldes do Tour de France, culturais e institucionais que incentivem o uso da bicicleta como meio de transporte. A Secretaria criou, inclusive, a Turma do Pedal, composta pelos personagens Bike e Magrela, que ajudarão a divulgar os benefícios da bicicleta junto aos adolescentes e jovens, e o slogan “Vá de bicicleta. Faz bem para você, faz bem para o Rio”. Também há a idéia da Escola da Bicicleta, na Estação Barão de Mauá, para ensinar regras de circulação, promover palestras e peças teatrais, exposições e o museu da bicicleta. O Programa também pretende desenvolver projetos como o Bicicleta Solidária, de doação de bicicletas para comunidades carentes, o Conheça o Rio de Bicicleta, de incentivo ao uso do transporte para visita a locais turísticos, e o Vá ao Teatro e ao Cinema de Bicicleta.

Para a integração com os demais meios de transporte serão utilizados estacionamentos de bicicletas, próximos ou dentro das estações e terminais de trens, metrô, barcas e ônibus. Para os projetos-piloto foram escolhidas as estações do metrô, de Cantagalo, Inhaúma e Pavuna; da Supervia, da Pavuna, Belford Roxo e Gramacho; e os terminais das Barcas, de Cocotá e Niterói, e de ônibus de Nova Iguaçu, Nilópolis e Alvorada. Para incentivar o uso da bicicleta em distâncias maiores e a integração entre municípios, pretende-se construir ciclovias entre as cidades, começando por Macaé – Rio das Ostras, Cabo Frio – Búzios e Itaboraí – Niterói. Outro importante projeto integrado ao Programa Rio – Estado da Bicicleta é a adoção de um sistema de bicicleta pública, como o Velib, de Paris, e o Bicing, de Barcelona, que iniciaria em Búzios e Niterói e cujo pagamento do aluguel seria feito através do RioCard.

Exemplos europeus



Em várias cidades européias, como Paris, Lyon, Londres, Amsterdã e Berlim, a população já desenvolveu o hábito de usar a bicicleta em deslocamentos curtos. Algumas adotam o sistema de bicicletas públicas. Em Barcelona, na Espanha, ele é chamado de Bicing, e é utilizado para pequenos trajetos e complementar ao transporte tradicional, com 1.500 bicicletas e 120 postos. Em Paris, na França, o sistema Velib iniciou em 2001 e conta com 20.600 bicicletas, 437 quilômetros de ciclovias, 1.451 postos e cartão integrado ao sistema de transporte público. Em Amsterdam, Holanda, 28% das viagens diárias são feitas de bicicleta. Já em Berlim, Alemanha, 15% são realizadas por bicicletas, em 753 quilômetros de ciclovias. O sistema de serviço é chamado Call a Bike.

   
Clique aqui para Imprimir !
Voltar a página anterior !