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Brasil é pioneiro na utilização de álcool mas ainda enfrenta resistência
Enquanto, aqui, o presidente Lula defende o programa de biodiesel brasileiro, na Europa se fazem sérias restrições à produção do combustível, cuja utilização é acusada de competir com os alimentos, provocando inflação e fome. O que se esconde realmente por trás dessas acusações? Se o biocombustível é o vilão dessa história, por que o etanol, por exemplo, produzido da cana-de-açúcar, ao contribuir para o aumento do plantio acabou por provocar a baixa do preço do açúcar no mercado internacional? Qual o volume do biodiesel produzido no país e no mundo e em que isso realmente impacta na produção de alimentos?
Estas e muitas outras perguntas permanecem sem respostas, enquanto a mídia reproduz uma série de opiniões desencontradas de defensores e adversários da solução alternativa à utilização de combustíveis não renováveis derivados do petróleo.
ONU: opiniões divergentes
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), defendeu, em relatório divulgado em novembro do ano passado, o fim da cobrança de impostos para importação do etanol brasileiro como medida de combate às mudanças climáticas do planeta. No entanto, estudo anterior, datado de junho de 2007, realizado pela FAO (agência da ONU para Agricultura e Alimentação) sugeria que a produção de biocombustíveis poderia estar elevando o preço dos alimentos. Em outubro do mesmo ano, Jean Ziegler, relator especial da Organização para o Direito à Alimentação, defendia moratória de cinco anos da produção de biocombustíveis, sob a alegação de que esta provavelmente seria um agravante para o problema da fome mundial. Ou seja, parece que, apesar dos posicionamentos alarmistas da FAO e de Ziegler, em novembro a ONU assumia uma posição mais a favor dos biocombustíveis – no caso, do etanol brasileiro, derivado da cana-de-açúcar.
Com uma produção diária de 2 milhões de barris, o Brasil gaba-se de ter se tornado auto-suficiente em petróleo. Os 400 mil barris diários de álcool contribuem para que utilizemos menos combustíveis fósseis – o álcool já representa cerca de 20% do consumo de combustíveis no país, mas, em termos mundiais, sequer chega a 1%. É difícil imaginar-se que o biocombustível possa gerar elevação nos preços dos alimentos maior do que as altas do diesel e da gasolina.
Em conferência regional da FAO promovida em Brasília, em abril deste ano, Bolívia, Argentina, Cuba e Equador atacaram de forma veemente a produção de biocombustíveis. Para Décio Luiz Gazzoni, membro do Painel Científico Internacional de Energia Renovável e pesquisador da Embrapa, o fato representou apenas uma tática para reproduzir o discurso do presidente venezuelano Hugo Chávez. Segundo Gazzoni, Chávez depende dos petrodólares e não vai “fazer gol contra”. Trocando em miúdos, atacando a opção ecologicamente correta, Chávez atinge os EUA, que produzem o etanol de milho, e aproveita para aparecer no cenário político da América Latina, onde disputa as luzes do palco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Impacto no preço dos alimentos: mito ou verdade?
Segundo o empresário Maurílio Biagi Filho, presidente da Maubisa Agrícola Ltda., usina de açúcar e etanol de Ribeirão Preto (SP), o etanol é uma alternativa inteligente, inclusive no que diz respeito à contenção da inflação. Ao contrário das acusações infundadas que ele tem sofrido, o baixo preço do combustível limpo e renovável ajuda a segurar o preço da gasolina no Brasil. Além disso, o etanol contribui para uma situação energética mais independente, já que um dos seus subprodutos, o bagaço da cana, colabora para a inibição do preço das energias hidrelétrica, térmica, ou proveniente de recursos como o carvão e o gás natural. Para Biagi, “com o etanol, podemos continuar resistindo às crises do petróleo e à sua avassaladora alta, que faz o mundo refém do combustível caro e poluente”.
Em artigo publicado em O Globo de 15 de julho último, o professor Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central, afirma: “o que está ocorrendo é mais do que uma infelicidade climática que atingiu alguns alimentos. Está havendo uma mudança estrutural no mundo (e no Brasil), na qual o preço dos alimentos vai ter de ficar mais alto em relação ao resto dos produtos e serviços devido a uma boa notícia: há mais gente se alimentando melhor, especialmente na Índia e na China, mas também no Brasil.”
Décio Gazzoni, em entrevista à revista BiodieselBR, é categórico: “O nosso biocombustível não produz a fome. Isso é uma balela sem tamanho! Os institutos mundiais mostram há anos que havia uma demanda crescente por alimentos em todo o mundo, mas a oferta não acompanhou esse ritmo e o resultado aí está“. O ex-ministro Delfim Netto, em coluna publicada no jornal Valor Econômico, satiriza a campanha contra os biocombustíveis: “Trata-se da mais pura chicana política.”
Pinhão manso: o futuro do biodiesel brasileiro?
Esta planta que quase ninguém conhece, originária da América do Sul (há possibilidade de que seja do Brasil), pode encerrar em suas sementes mais do que uma planta em potencial – o futuro da produção de biodiesel brasileiro. Da família Euphorbiacea (como a mandioca, a seringueira e a mamona), tem porte arbustivo, nasce em terrenos abandonados, e é bastante utilizada como cerca viva. É perene, começa a produzir maciçamente dois anos após o plantio e pode ser consorciada a outras culturas. Não requer muito espaço e tem rendimento anual médio de 2 toneladas de óleo por hectare, 4 vezes mais que a soja.
No mundo científico, parece ter roubado a cena, pois apresenta perspectivas muito boas: pode ser plantada no semi-árido, o óleo extraído de suas sementes tem-se mostrado de alta qualidade para a produção do biodiesel e é facilmente adequável às especificações internacionais. Além disso, os grãos podem ser mantidos por mais tempo armazenados (o dendê, a macaúba e o pequi, por exemplo, precisam ser processados em até 24 horas). Os frutos começam a ser produzidos quando a planta conta 8 meses e pode chegar a 40 anos produzindo, pelo menos um terço desse tempo em escala comercial. Sua cultura pode ser feita de forma consorciada com outras, como feijão, arroz, milho e até a mamona. Neste caso, a vantagem é que a mamona produz mais rapidamente, suprindo a produção de óleo até o pinhão atingir o auge da produtividade, por volta dos dois anos.
Pinhão manso na Baixada Fluminense
Uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que vem conquistando cada vez mais respeito e credibilidade junto à comunidade que estuda as alternativas energéticas, a Orgadem – Organização de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios – já é responsável pelo plantio de 100 mil mudas de pinhão manso na Baixada Fluminense e negocia com grupos estrangeiros para a produção do óleo no Rio de Janeiro.
O economista ítalo-brasileiro Cesare Fea, membro da Oscip, diz que a oleaginosa é a sua “menina dos olhos”. Fea afirma que a idéia de que o biocombustível compete com a produção de alimentos pode ter fundamento quando se fala em termos de Europa, que utiliza a canola para fabricação de biodiesel, e dos Estados Unidos, que fazem etanol de milho. “No Brasil, temos grandes extensões de terra e muitas opções de oleaginosas que não brigam com os alimentos. Além disso, temos um clima totalmente favorável e fazemos três colheitas por ano, quando lá fora só uma é possível”, afirma. Cesare informa que, só na Amazônia, existem mais de 200 oleaginosas, entre nativas e não nativas, e que a região poderia ser auto-suficiente utilizando apenas os óleos produzidos lá mesmo. O Rio de Janeiro, explica, produz apenas 25% dos vegetais que consome e tem 500 mil hectares de terras livres para plantio. Ele considera a situação extremamente propícia à produção do pinhão manso, utilizando a agricultura familiar. Para ele, os políticos acabaram por iludir pequenos agricultores acenando com a produção, em pequenas propriedades, de oleaginosas, quando não houve investimento em fábricas para o beneficiamento. “O que se faz, então, com os frutos colhidos?”, pergunta. Para Fea, o presidente Lula foi induzido ao erro quando escolheu a mamona para a produção de biodiesel, uma vez que seu óleo é considerado produto nobre, por ser usado na lubrificação de jatos – o óleo de mamona tem a característica de só congelar a 61 graus abaixo de zero. O preço da tonelada no mercado torna inviável a utilização como combustível – cerca de US$ 1.500,00.
Fea compara ainda a produtividade da mamona com outras oleaginosas: o fruto tem de 45% a 50% de óleo, mas cada hectare não consegue produzir mais do que 800 kg de mamona, enquanto o dendê produz 3 a 4 mil litros de óleo por hectare.
Bate-papo com Donato Aranda

“Todos querem conhecer
nossa experiência em pesquisa de biocombustíveis”
Donato Alexandre Gomes Aranda é pós-doutorado em Química pelo Worcester Polytechnique Institute – WPJ – EUA e detentor de vários prêmios, como a Comenda da Ordem do Mérito Científico, concedida pelo governo federal, em reconhecimento às suas pesquisas sobre biodiesel.
Revista Ônibus: No Rio de Janeiro, as empresas de ônibus anteciparam a utilização do B-5, em junho do ano passado, mas a iniciativa não teve continuidade, por causa da elevação do preço do biodiesel. Como vai a produção de biodiesel brasileira e quais as chances desse combustível se tornar mais viável em termos de custo?
Donato Aranda: Há 3 anos não havia nenhuma fábrica de biodiesel no Brasil. Trata-se de um combustível novo no país. Temos uma curva de aprendizado a percorrer, a fim de chegarmos a custos mais baixos. Neste início do programa, óleos alimentícios vêm sendo as principais matérias-primas. Naturalmente tem havido um grande aumento no preço desses óleos. Numa segunda fase, óleos como o de pinhão manso e de algas adentrarão no mercado, reduzindo o custo.
R.O: Existem pesquisas com o pinhão manso (jatropha curcas), que parece uma alternativa melhor do que a soja e a mamona. Quais as reais possibilidades dessa oleaginosa para produção de biodiesel?
D.A: O pinhão manso é uma excelente oportunidade, sobretudo para terras mais precárias, terras marginais que não servem para produzir alimentos. Ao longo do país, vários grupos estão iniciando esse plantio.
R.O: O programa de biodiesel do governo federal gerou expectativa de incrementação da agricultura familiar, pela criação de alternativas de renda, com o cumprimento de importante papel social, mas isso não aconteceu de forma significativa. No caso do pinhão manso, poderia ser diferente?
D.A: Exatamente pela disponibilidade primária da soja (que é uma cultura altamente mecanizada, produzida em grandes propriedades) o alcance na agricultura familiar é ainda muito pequeno. Certamente, o pinhão manso tem mais chance de atingir a meta de inclusão social almejada pelo governo.
R.O: Qual a expectativa de vida útil da planta do pinhão manso?
D.A: Em Cuba, visitei árvores com mais de 50 anos ainda produzindo.
R.O: Quanto ao espaço necessário ao cultivo, comparativamente às outras opções de oleaginosas, a jatropha curcas representa uma vantagem?
D.A: A produtividade média da jatropha é de cerca de 2 toneladas de óleo por hectare, o que representa quatro vezes mais óleo que a soja. Portanto, necessita-se de um espaço quatro vezes menor para se produzir a mesma quantidade de óleo por hectare/ano.
R.O: Como vê as alegações que se fazem em alguns países de que o biodiesel é responsável pela alta de alimentos e vai aumentar a fome mundial? Até que ponto isto é verdade?
D.A: Isso é uma avaliação extremamente simplista. Quando utilizamos o pinhão manso em terras que não servem para produzir alimentos (conforme várias experiências que visitei em inúmeros países do mundo) não há nenhuma competição. Pelo contrário. Em terras semidesérticas, o plantio do pinhão manso tem criado micro-climas que passam a tornar a terra fértil para produzir feijão, tomate, abóbora, amendoim e uma série de outros alimentos. Isso é fato. Por outro lado, mesmo a soja quando é produzida para geração de óleo para biodiesel, gera-se paralelamente farelo de soja. O farelo de soja é o principal insumo para ração de aves e suínos. Dessa forma, esse excedente de farelo também acaba reduzindo o custo dos alimentos.
R.O: Na sua opinião, como está o Brasil, no cenário mundial, quanto às pesquisas de alternativas de combustíveis mais limpos?
D.A: O Brasil é bastante respeitado nesse assunto. Estou no momento num evento no Japão. Domingo sigo para a Coréia, onde passarei uma semana e depois vou passar uma semana, na Escócia. Todos querem conhecer nossa experiência em pesquisa de biocombustíveis. Ao contrário do que ocorre em outras áreas (informática, eletrônica etc.), nos biocombustíveis, os estrangeiros nos suplicam para que os recebamos em comitivas, que recebamos alunos de mestrado e doutorado estrangeiro querendo aprender conosco como produzir biocombustíveis de forma sustentável e com qualidade.
Álcool combustível: experiência brasileira
que dá certo

Entrevista com Maurílio Bragi Filho, empresário,
presidente da Maubisa Agrícola Ltda.
R. O: Qual é a produção brasileira de álcool hoje? E as perspectivas para os próximos anos?
M.B: O Brasil deve contar, este ano, com uma safra predominantemente alcooleira: cerca de 60% da cana serão transformados em álcool – o que significará uma produção de 26 bilhões de litros. Os próximos anos serão de continuidade do crescimento da produção, motivado principalmente pelos avanços técnicos das usinas e pelo aumento da produtividade. O país já extrai hoje 8 mil litros de etanol por hectare de cana. A União Européia extrai somente 5,4 mil litros por hectare de beterraba, e os EUA, 3,8 mil litros por hectare de milho. A mecanização é outro fator que faz com que as perspectivas sejam positivas. Nas colheitas, mais de 50% da lavoura paulista são mecanizadas. No Brasil, no mínimo 3 máquinas por dia entram no corte da cana.
R.O: Como se dá este consumo, no Brasil e em termos mundiais?
M.B: O consumo é crescente e tende a aumentar. No Brasil, o mercado se encontra aquecido por causa da febre pelos carros flex (bicombustíveis), que já representam quase 90% dos novos veículos. Com o baixo preço do etanol e as vantagens ambientais, todo mundo tem incentivos a abastecer com álcool. O mercado externo está sendo conquistado com os esforços do nosso governo em promover o etanol lá fora. Se conseguirmos eliminar algumas barreiras comerciais e fazer com que se adote a mistura do álcool no combustível, esse cenário tende a ser ainda mais positivo. Todo mês recebemos diversas delegações estrangeiras que querem visitar as usinas brasileiras e conhecer nossas tecnologias de produção.
R.O: O que existe de verdade na afirmação de que a produção de biocombustíveis aumenta a inflação e contribui para a escassez de alimentos?
M.B: Por enquanto isso é uma falácia. No Brasil, apenas 1% das terras agricultáveis destina-se à produção de etanol. O cultivo pode se expandir ainda por 25 milhões de hectares de pastagens degradadas, sem concorrer com florestas ou plantio de alimentos. Isso significa que se, no Brasil, hoje, não tivesse nenhum hectare plantado com cana, estaríamos produzindo exatamente a mesma quantidade de grãos. Em todo o planeta são cultivados aproximadamente 1,5 bilhão de hectares e é incrível que só 20 milhões sejam usados para agricultura energética.
R.O: No caso do álcool, que interferência o cultivo da cana tem na produção de alimentos?
M.B: As acusações de que o etanol substitui ou diminui a produção de alimentos não têm qualquer fundamento. O álcool corresponde a menos de 1% do consumo de combustíveis no mundo e já está sendo culpado por problemas com os quais ele não tem relação. Para se ter uma idéia de como essa concepção gera contradições, nos EUA, mesmo com o aumento da produção de álcool, feito de milho, os norte-americanos ainda continuam sendo os maiores exportadores de milho. O México não produz etanol, no entanto, o preço da tortilha aumentou. O Brasil, o grande produtor de etanol, não diminuiu a produção de alimentos. Ao contrário, a produção aumentou, com destaque para o açúcar. Na verdade, o que limita o cultivo dos gêneros alimentícios é o protecionismo dos países desenvolvidos, que inibe a produção dos subdesenvolvidos, os grandes exportadores de alimentos do mundo. O ataque da União Européia é uma nuvem de fumaça para o protecionismo deles próprios. A inflação dos alimentos é causada principalmente pela alta do petróleo, que afeta os preços dos defensivos agrícolas, adubos e do transporte. O etanol, com certeza, seria uma alternativa para esse problema também. O etanol colaboraria até para a diminuição da desigualdade no mundo. Cem países poderiam fornecer biocombustíveis para 200 nações, enquanto atualmente apenas 20 produtores de petróleo fornecem combustíveis fósseis para o resto do mundo. Pena que isso não interessa a todos...
R.O: Em recente artigo publicado em O Globo, o Sr. fala na possibilidade de utilização do bagaço da cana. Quais são essas alternativas e como podem contribuir para o controle dos preços de energias hidrelétrica, térmica e/ou provenientes de outros recursos naturais, como o carvão?
M.B: Por volta de 1998, em outro artigo, escrevi que nossos canaviais eram “uma Itaipu adormecida”. Agora falam que são duas, já que houve uma evolução tecnológica muito grande. O bagaço da cana já é muito utilizado e seu rendimento na geração de vapor para turbinas que acionam geradores elétricos aumentou preponderantemente. Há ainda a palha da cana, que tem um valor energético 50% maior do que a do bagaço. Isso significa que vamos multiplicar por três a geração de uma energia, que é racional, sustentável, dá créditos de carbono, está debaixo das redes de transmissão, nos centros de maior consumo. É por essas vantagens que o setor sucroalcooleiro é alavancador da nossa agricultura. E a cada dia fica mais desenvolvido do ponto de vista econômico e social. Este é o setor que mais gera impostos e riqueza na Região de Ribeirão Preto. Isso sem contar com a movimentação econômica – cerca de R$ 130 bilhões – que gera, como a produção de caminhões, compra de adubos, desenvolvimento de tecnologia. No lado social também há avanços. Apesar de o corte de cana ser um trabalho pesadíssimo, é bem remunerado. Em Ribeirão Preto, paga-se uma média de R$ 900,00 por mês. A região oferece também cursos profissionalizantes para a realocação dos profissionais. É claro que, como nada é perfeito, o setor tem problemas, como agora o baixo preço do álcool, que não remunera. O álcool adicionado à gasolina neste momento é vendido às distribuidoras a aproximadamente R$ 0,80 o litro e então, como gasolina, é vendido na bomba por R$ 2,60.
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