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O empresário e vice-presidente da NTU, Eurico Galhardi, conseguiu realizar há cerca de dez anos um sonho antigo: criar o Museu do Transporte. Neste ano, quando o ônibus comemora cem anos de sua criação, é hora também de homenagear o empresário e pesquisador, um homem que sempre se interessou em preservar a história do transporte e deixar essa memória como legado para as próximas gerações. Na mesa do seu escritório, Galhardi guarda uma foto de Rui Barbosa com a célebre frase: “Um país sem memória não é apenas um país sem passado. É um país sem futuro”. Por acreditar tanto nisso, é um incansável defensor de que é preciso resgatar e manter sempre a memória do setor de transporte por ônibus. Veja sua entrevista a seguir:
Revista Ônibus: Desde quando o sr. é um apaixonado por ônibus?
Eurico Galhardi: Desde criança.Eu era um menino e já sonhava em ter um caminhão em miniatura, mas o meu pai era operário e não podia me dar. Um dia, no meu aniversário de 14 anos, ele conseguiu me dar um caminhão desse de presente. Casei, tive filhos e voltei a fazer coleção de automóveis. Depois, tomei gosto pelo ônibus. Já visitei vários museus de transportes do mundo, de trem, de automóvel...
R.Ô.: Quando e como surgiu seu interesse pela preservação da memória do transporte?
E.G.: Inicialmente, surgiu a idéia de fazer um museu, em Campinas, mas com a escala de 1/1.No início, apadrinhei a idéia, mas em seguida concluímos que seria difícil executar isso. Então, chegamos à conclusão de que, para fazer algo cultural e educacional, só havia uma saída: fazer tudo em miniatura. E assim nasceu o Museu do Transporte. Começamos pelo primeiro marco científico, que foi o surgimento da roda.
R.Ô.: Como é o Museu hoje?
E.G.: Temos um acervo de mais de 6 mil peças, contando 5 mil e 500 anos da história do transporte, de todo o tipo de transporte, porque no fundo não temos como desassociar uma coisa da outra. Temos moedas, miniaturas, porcelanas e outras peças. Trabalham no Museu três artesãos, um administrador e um auxiliar. Hoje, temos também o Museu Virtual do Transporte (www.museudantu.org.br). O Museu agrada a adolescentes de todas as idades, dos 8 aos 80 anos, do jovem há menos tempo ao jovem há mais tempo.
R.Ô.: E como será a apresentação do Museu no Etransport?
E.G.: Estamos pretendendo levar 60% da coleção. Tentaremos fazer uma réplica de 1/1 do primeiro ônibus, mas não está totalmente confirmado ainda.
R.Ô.: O transporte é de fato um indutor do progresso das cidades?
E.G.: É o transporte urbano que serve ao homem, bem próximo de suas necessidades básicas, no deslocamento para a casa, para a saúde, para a educação. Também é o transporte urbano que leva as pessoas até o transporte rodoviário, até o transporte aéreo. Que leva inclusive os profissionais, as pessoas que vão trabalhar em outras modalidades. Vejo o transporte urbano como o oxigênio das cidades. Imagine as cidades como o corpo humano. As ruas e vias seriam as artérias. No corpo humano, você consegue viver sem um membro, mas você não consegue viver sem o sangue. O transporte urbano, apesar de tudo que falam dele, é o glóbulo vermelho. Se a cidade cresce é porque o transporte está fazendo-a funcionar. Ou seja, o PIB (Produto Interno Bruto) cresce porque a população se movimenta.
R.Ô.: Parece que a frase de Ruy Barbosa, de que um país sem memória, mais do que um país sem passado, é um país sem futuro, é sua inspiração constante...
E.G.: O resgate da memória é muito importante para o futuro do transporte. Porque a memória, a visão do passado, te dá a chance de corrigir, no presente, os problemas que poderão surgir no futuro. Por isso, preservar a memória é fundamental.
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