Fetranspor comemora 100 anos do ônibus e lança UCT
Os 100 anos do serviço de ônibus motorizado no Brasil foram comemorados, no dia 11 de agosto, pela Fetranspor, em dois eventos. O primeiro, pela manhã, na Praça Mauá, quando um bolo gigante, com a imagem do primeiro ônibus, o modelo Daimler-Guy, foi cortado e servido para as pessoas que por ali passavam, bem como para motoristas, cobradores e despachantes que trabalham no Terminal. Os músicos do Movimento Artístico da Praia Vermelha comandaram uma roda de chorinho, que animou a festa, transportando as pessoas para o clima do Rio antigo. Estiveram presentes o presidente executivo da Fetranspor, Lélis Teixeira, e o secretário de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Lopes .
O segundo evento foi realizado à noite, no Jockey Clube do Centro. Uma das atrações foi a apresentação de um vídeo contando um pouco da história do ônibus no Rio de Janeiro e destacando o papel do primeiro veículo sem tração animal a fazer um serviço regular no Brasil, instituído pelo empresário Octávio da Rocha Miranda (ver quadro sobre história). As imagens de antigos modelos de ônibus e de um Rio de Janeiro do início do século XIX, exibidas no vídeo, encantaram as cerca de 400 pessoas presentes, que depois receberam essas e outras fotografias de ônibus antigos, com textos explicativos, impressas num livro de 40 páginas.
5 milhões de usuários
Na abertura do evento, Lélis Teixeira falou sobre a história do ônibus, lembrando Blaise Pascal que, em 1662, na França, inaugurou o primeiro serviço público de transporte coletivo, com carruagens que transportavam oito pessoas, seguindo itinerários, horários e preço estabelecidos antecipadamente, e Stanislas Baudry, que também na França, na cidade de Nantes, em 1826, com o objetivo de transportar os clientes de sua casa de banhos, afastada da cidade, recriou o serviço, que então ganhou o nome de omnibus (para todos). “Hoje, 5 milhões de pessoas utilizam diariamente o ônibus em seus deslocamentos no Rio de Janeiro, são realizadas cerca de 50 milhões de viagens no Brasil e, segundo a UITP, no mundo, 80% do transporte motorizado são realizados pelos ônibus”, disse.
Também no evento, foram lançados o selo dos 100 anos de ônibus e a série especial do RioCard Expresso, ambos com a imagem do Daimler-Guy. Os secretários de Transportes do Estado, Júlio Lopes, e do município, Arolde de Oliveira, receberam réplicas, em tamanho grande, do novo modelo do Cartão, entregues pelo diretor Comercial, de Marketing e Logística do RioCard, Edmundo Fornasari.
Mas, o evento não tratou apenas do passado do ônibus e da evolução desse veículo ao longo dos anos. Nesse último 11 de agosto, em que o setor de transporte coletivo do Rio de Janeiro olhou para trás, para contar a sua história, uma nova estrada para o futuro, agora baseada também na evolução das pessoas que fazem o transporte, começou a ser traçada. E essa estrada se chama Universidade Corporativa do Transporte (UCT).
Universidade Corporativa
do Transporte
Lançada oficialmente no evento pela Fetranspor, a UCT foi apresentada ao público por sua diretora, Ana Rosa Chopard Bonilauri, presidente da Associação Brasileira de Educação Corporativa e diretora Temática de Universidades Corporativas da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro. Ana Rosa destacou os estudos realizados pelo Conselho Consultivo da UCT e falou do desafio que a equipe da Universidade tem pela frente. Informou também sobre algumas ferramentas que serão utilizadas para disseminar o conhecimento, como o site e a TV UCT, cuja aula inaugural foi exibida. A aula versou sobre Universidades Corporativas, seu funcionamento, objetivos e importância no mundo dos negócios, e foi ministrada pela professora Marisa Eboli, uma das maiores especialistas no assunto no Brasil.
Ao final, foram assinados convênios e termos de cooperação, entre a Fetranspor e as seguintes instituições educacionais: Universidade Federal do Rio de Janeiro, representada pelo professor Segen Farid Estefen, diretor executivo da Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec) da UFRJ; Universidade Federal Fluminense, representada pelo professor e doutor Martius Vicente Rodriguez Y Rodriguez; Fundação Getúlio Vargas, representada pelo diretor executivo da FGV Projetos, César Cunha Campos, e Instituto Jelson da Costa Antunes, representado pela diretora executiva Tatiana Antunes.
Tire suas dúvidas sobre a UCT
O que é?
Sistema educacional voltado para o desenvolvimento do setor de transporte coletivo do Rio de Janeiro, através do aprimoramento de todos os envolvidos na prestação de serviços.
Quem são os envolvidos na prestação de serviços?
Em primeiro lugar, gerentes e funcionários. Os primeiros definem objetivos e estratégias das empresas e do setor como um todo e buscam atingi-los, através da gestão do negócio e das equipes de trabalho. Os funcionários, por sua vez, aplicam suas habilidades e conhecimentos na realização das atividades, para o alcance da excelência dos resultados desejados.
Também são envolvidos com a prestação de serviços os fornecedores, ao entregarem insumos de qualidade e de acordo com os requisitos do setor, e os clientes, ao receberem um serviço de qualidade que atenda às suas expectativas. Por fim, toda a sociedade onde o sistema opera. Todos colaboram para a evolução do segmento.
Caberá à Universidade Corporativa do Transporte assegurar-lhes níveis de conhecimento e de comprometimento que retornem ao sistema como motivadores de sua própria evolução: melhores serviços, melhor desempenho e maiores ganhos sociais, ambientais e econômicos na prestação desses serviços, beneficiando toda a comunidade. Melhor transporte coletivo, melhor qualidade de vida nas nossas cidades.
O que é uma Universidade Setorial?
A UCT – Universidade Corporativa do Transporte – é um sistema educacional setorial, isto é, uma iniciativa da Fetranspor, voltada para todo o setor, harmonizando entendimentos de negócio, complementaridades, qualidade e gerando economia na realização das ações educacionais.
O que motivou a criação da UCT?
As motivações foram:
Aumentar e reforçar as competências das empresas do setor de transporte coletivo, no espírito de bem servir à população (cliente final).
Incentivar o segmento a ser um mo delo no gerenciamento de pessoas, pelas oportunidades de crescimento que oferece ao seu corpo funcional e clima saudável de trabalho.
Estimular a elevação dos níveis de empregabilidade nas comunidades, preparando profissionais para serem recrutados pelo setor de transporte.
Fomentar as ações de responsabi lidade social do setor, através do desenvolvimento de valores e atitudes cidadãs em seu corpo funcional.
Estabelecer parcerias e influenciar o sistema educacional formal e profissionalizante, de modo a aumentar níveis de escolaridade das equipes, especializando-as nos conhecimentos de transporte de passageiros.
Como irá operar a UCT?
Ela irá operar em conjunto com o setor. Primeiro, através de um Conselho Consultivo (ao lado), comandado pela Fetranspor e integrado pelos sindicatos a ela filiados e setores educacionais relevantes para o universo de conhecimentos da atividade. Segundo, por meio do planejamento e execução de ações educacionais de modo descentralizado, auxiliada pelo Sistema Sest Senat e também pelos sindicatos do Sistema Fetranspor.
Uma Universidade Corporativa é totalmente virtual?
Essa é uma noção bastante difundida. Mas não é isso que caracteriza uma Universidade Corporativa. Os sistemas educacionais cada vez mais se apóiam em tecnologia para atingir um número maior de pessoas, com a mesma qualidade de informação e no mesmo tempo. No caso da Universidade Corporativa do Transporte, serão utilizadas as tecnologias da televisão – a TV UCT, e da Internet – o site da UCT. Na TV UCT haverá programas educacionais e corporativos de interesse do segmento e será divulgada agenda de cursos e programas presenciais. No site, também estará a agenda de cursos, será possível acessar a TV UCT, e o internauta terá à sua disposição artigos e outras fontes de conhecimento. Inicialmente, a UCT contará com um campus descentralizado, a partir da utilização das sedes dos sindicatos e das próprias instalações das empresas de ônibus. Mais à frente, utilizará tecnologia que facilite o acesso a uma educação com qualidade, técnica e pedagógica, baseada em seu projeto educacional.
Quem integra o Conselho Consultivo da UCT?
Márcio Barbosa – representante do Setrerj.
Marli Jurado Piay – representante do Rio Ônibus.
Rosa Maria Maia – representante do Setransduc.
Marisa Gemma Barbosa Gomes – representante do Sinfrerj.
Rosa Emília da Conceição – representante do Setranspani.
Mônica Timóteo Lyra – gerente de Recursos Humanos da Fetranspor e coordenadora do Conselho Regional do Sest Senat no Rio de Janeiro.
Carlos César Mendes de Toledo – con sultor do Sistema de Transporte.
Martius Vicente Rodriguez y Rodriguez – professor e doutor da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Carlos David Nassi – professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de pós-graduação e pesquisa de Engenharia – COPPE – da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Sylvia Constant Vergara – professora titular da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Acesse o portal da UCT no site da Fetranspor:
www.fetranspor.com.br
História do ônibus
O primeiro serviço regular de ônibus sem tração animal no Brasil e na América Latina operou no Rio de Janeiro, em 1908, ligando a Praça Mauá ao Passeio Público e numa linha especial da Praça Mauá à Praia Vermelha, levando os visitantes da grande “Exposição Nacional”, inaugurada em 11 de agosto de 1908.
A mostra funcionava em um sítio que ia da Praia Vermelha até o antigo Hospício, hoje campus da UFRJ, e celebrava os então 100 anos da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil e da abertura dos portos para o comércio exterior. Pavilhões em alvenaria, representando os estados brasileiros e sua produção econômica, e Portugal, país convidado, foram erguidos para abrigar a Exposição, que ficou dez meses em cartaz.
Daimler-Guy
O serviço de ônibus foi instituído pelo Empresário Octávio da Rocha Miranda e seus veículos tinham motores da alemã Daimler e carroceria da francesa Guy. A primeira empresa de transporte do país, a Auto-Avenida, responsável pelo serviço, seria constituída, segundo historiadores, somente em 1911. O nome se deve ao fato de que o itinerário era ao longo da Avenida Central, rebatizada, com a morte do Barão, para Avenida Rio Branco, em 1912.
A Auto-Avenida não teria vida longa. Em 1917, anúncios no Jornal do Commercio divulgavam o leilão da empresa no dia 5 de novembro. Mas antes que fosse extinta, no entanto, outras concessões foram dadas pela prefeitura.
Ônibus para todos
O primeiro serviço de transporte público no mundo é creditado ao matemático francês Blaise Pascal. Carros de aluguel já existiam desde 1617, mas Pascal teria obtido do rei Luís XIV licenças para explorar com carroças cinco ligações urbanas regulares em Paris, em 1662.
O termo ônibus surgiria com a criação de um serviço de transporte com carros puxados a cavalo na cidade francesa de Nantes, em 1826. O serviço, implantado pelo empresário Stanislas Baudry, tinha o objetivo de transportar os clientes de sua casa de banhos, que ficava afastada da cidade.
O ponto era em frente a uma chapelaria cujo dono se chamava Omnès e cujo letreiro trazia um trocadilho entre o nome do chapeleiro e uma expressão em latim: Omnès Omnibus (tudo para todos). Os usuários associaram o nome ao serviço de transporte e mais tarde o termo foi oficializado.
Acesse a linha do tempo
dos 100 anos de ônibus a motor:
www.fetranspor.com.br/100anos Palmas para eles
O presidente da Fetranspor aproveitou as comemorações dos 100 anos do ônibus e o lançamento da UCT para prestar homenagem, através dos aplausos do público, a três personalidades ilustres do transporte – Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, por sua longa contribuição ao setor de transporte no Brasil e no Rio, especialmente quando superintendente da Fetranspor; Eurico Divon Galhardi, vice-presidente da NTU, maior responsável pelo resgate de história do ônibus no Brasil e coordenador do Museu do Ônibus, e professor Vicente Ferreira, falecido em novembro passado, e que durante anos esteve à frente do Departamento de Recursos Humanos do Rio Ônibus, como grande incentivador das empresas no desenvolvimento das competências dos trabalhadores rodoviários, tendo sido um dos mentores do Programa Motorista Cidadão, que hoje integra a UCT.
Além das autoridades e personalidades citadas, o evento reuniu empresários e profissionais das empresas de transporte coletivo de todo o Estado, parceiros e colaboradores da Fetranspor, e teve à mesa: Lélis Teixeira; Júlio Lopes, representando o governador Sérgio Cabral; Arolde de Oliveira, representando o prefeito César Maia; César Cunha Campos, representando o presidente da FGV-RJ, Carlos Ivan Simonsen Leal; Eurico Galhardi; Narciso Gonçalves dos Santos, conselheiro da Fetranspor e presidente do Setranspani, representando os presidentes de todos os sindicatos filiados à Fetranspor, e Martinho Ferreira de Moura, presidente da Anttur e do Sinfrerj. Arolde de Oliveira, em seu discurso, homenageou os pioneiros do transporte lembrando o nome de Aníbal Sequeira, da Real Auto Ônibus. Último a falar, o secretário de Estado afirmou que “a Fetranspor tem sido imbatível e tem tomado no presente as ações necessárias para um futuro melhor”.

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