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22/08/2018

André Dantas fala sobre soluções para a mobilidade urbana em Congresso da Coppe/UFRJ

Em palestra durante o XVI Congresso de Ensino e Pesquisa de Engenharia de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Transportes), realizado dias 22 e 23 de agosto, pela Coppe/UFRJ, no auditório do CT2, na Cidade Universitária, o diretor Técnico da NTU, André Dantas, falou sobre o cenário nacional do transporte urbano de passageiros. “Nossas escolhas provocam consequências que exigem soluções e propostas emergenciais e estruturais no sentido da construção de um novo cenário para a mobilidade urbana”, defendeu o palestrante.

 

Inicialmente, o diretor apresentou um panorama da NTU que conta atualmente com 600 empresas urbanas associadas em todo o Brasil, responsáveis pelo transporte de 40 milhões de passageiros por dia, com uma frota de 107 mil ônibus. Sobre as escolhas e consequências, Dantas destacou a questão do incentivo ao transporte individual motorizado em detrimento do transporte público coletivo. “Isso reflete no aumento vertiginoso da frota nacional de carros e motos, provocando o crescimento dos congestionamentos nas cidades brasileiras; nos últimos 20 anos a frota de automóveis cresceu 116%”, afirma. Segundo Dantas, entre 1999 e 2015, a velocidade média do ônibus caiu de 25 km/h para 15 km/h (40%).

 

Foto: Arthur Moura

Foto: Arthur Moura

 

Queda na demanda

 

O número de passageiros transportados também sofreu enorme queda, de acordo com o diretor. Entre 1994 e 2012, perdeu 24% da demanda, e de 2013 a 2017, a queda foi de 25,9%. Pesquisa realizada no ano passado pela NTU apurou que as pessoas estão deixando de andar de ônibus – 35% substituíram pelo carro próprio e 29% passaram a andar a pé. Os motivos apontados são: preço da passagem, conforto, tempo de viagem, baixa confiabilidade e violência urbana. A mesma pesquisa informa que 0,5% dos entrevistados voltariam para o ônibus se a passagem caísse R$ 0,10. E 62,9% voltariam se reduzisse R$ 1,00 o mais. “Com isso, o setor recuperaria mais de um milhão de passageiros por dia”, calcula Dantas.

 

O confronto entre o aumento do diesel, principal insumo do transporte urbano por ônibus, depois da mão de obra, representando cerca de 22% dos custos totais do setor, e da gasolina foi outro aspecto destacado pelo palestrante. “Comparados com os preços da gasolina e com a inflação medida pelo IPCA, os preços do óleo diesel dispararam. Nos últimos anos, o diesel teve um aumento de 171,5% superior à variação do preço da gasolina e 251,1% em relação ao IPCA”, informa. E acrescenta: “entre 1995 e 2018, o custo do transporte urbano cresceu 456,3% acima do IPCA”.

 

Faixas exclusivas

 

As soluções, segundo o diretor, seriam: priorização do transporte coletivo, aumento da velocidade média dos ônibus, otimização da frota e mão de obra e redução de custo. “Com isso, conseguiríamos a melhoria da qualidade de vida unida ao desenvolvimento sustentável”, defende. Para a priorização, Dantas defende a proposta mais simples e de baixo custo, que é a faixa exclusiva, como o BRS, que gerou redução de 50% no tempo de viagem, com aumento da velocidade para 24 km/h, além da economia de combustível e poluição. “Com um investimento de cerca de R$ 200 mil por quilômetro, a faixa exclusiva é capaz de reduzir em até 25% o custo operacional do setor”, explica.

 

Outro fator que precisa ser revisto, segundo o palestrante, é a tarifa. “A lógica atual é que o custo das empresas é pago pelo usuário, através da tarifa. Mas, esse usuário quer reduzir esse valor, como mostrou a pesquisa. Temos que inverter essa lógica. Precisamos sair do debate da tarifa pública e buscar fontes alternativas. Temos apoiado a CIDE verde, alíquota aplicada sobre a gasolina, com recursos voltados para o custeio do transporte público”, diz.

 

Foto: Arthur Moura

Foto: Arthur Moura

 

Propostas para presidenciáveis

 

Para resumir o que o setor defende para os próximos anos, Dantas expôs as propostas apresentadas aos representantes da área técnica dos candidatos a presidente da República, durante o Seminário Nacional da NTU, realizado no começo de agosto, em São Paulo. “São seis eixos de atuação: Programa Emergencial de Qualificação da Infraestrutura para o Transporte Público Urbano por Ônibus, Programa de Padrões de Qualidade para o Transporte Público Brasileiro, Programa Transporte Público Brasileiro como Instrumento de Desenvolvimento Social, Programa de Transparência para o Transporte Público, Programa de Financiamento do Custeio do Transporte Público Coletivo Urbano e 6. Programa de Segurança Jurídica dos Contratos.

 

O XVI Rio de Transportes contou com apoio institucional da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro. Na abertura do evento, estavam presentes: Paulo Cezar M. Ribeiro, presidente do Comitê Organizador; Antônio Gusmão, da UFF; Diego Carvalho, do Cefet; Márcio D’Agosto, do PET/Coppe/UFRJ, e Richele Cabral, diretora de Mobilidade Urbana da Federação, que mediou a palestra de André Dantas.

 

Durante a abertura, foi apresentada, por Richele Cabral, proposta da Federação de edital de seleção para aluno de mestrado, cuja área de interesse deve ser o transporte público de passageiros por ônibus. A ideia é que seja apresentado um problema, para que o aluno desenvolva pesquisas e apresente possível (eis) solução (ões).