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06/10/2020

Anuário da NTU mostra que crise do transporte coletivo começou antes da pandemia

A NTU publicou, dia 6 de outubro, o Anuário NTU 2019-2020, mostrando que o desempenho do ônibus coletivo urbano no Brasil já vinha em queda desde o ano passado, cenário que foi agravado pela Covid-19. Segundo o documento, o setor que deixou de realizar 32 milhões de viagens por dia, no auge da pandemia, já vivia situação de crise antes do impacto do coronavírus. O Anuário aponta perda diária de 1,2 milhões de viagens realizadas por passageiros pagantes, no cálculo para todo o País, equivalente a uma queda de 3,7% da média de viagens (288,3 milhões) dos meses de abril e outubro do ano passado, em comparação com os mesmos meses de 2018.

O levantamento integra a série histórica realizada há 26 anos pela NTU, com base nas informações de nove grandes sistemas de ônibus urbanos do País: Belo Horizonte-MG, Curitiba-PR, Fortaleza-CE, Goiânia-GO, Porto Alegre-RS, Recife-PE, Rio de Janeiro-RJ, Salvador-BA e São Paulo-SP. Juntos, eles representam cerca de 35% da frota e da demanda total de coletivo urbano no Brasil.

De acordo com o documento, nos últimos seis anos, de 2013 a 2019, o número de passageiros transportados caiu 26,1%. Isso agravou o quadro registrado anteriormente – entre 1994 e 2012 a redução foi de 24,4%. Por outro lado, houve um aumento de 0,9% da oferta de transporte público por ônibus em 2019 em relação ao ano anterior. Também caiu 4,5% o índice de passageiros transportados por quilômetro (IPKe) em 2019, em relação a 2018. Com relação ao aproveitamento da frota, houve redução de 1,5% do número de passageiros pagantes transportados por veículo, para 336 pessoas em média por ônibus por dia, o menor índice em 25 anos.

A tarifa média ponderada, em dezembro de 2019, foi de R$ 4,16, representando queda de 3,25% na comparação com o mesmo mês de 2018. Isso significa que o custo do transporte por ônibus não impactou na renda mensal dos usuários. Já o óleo diesel, que representa 23% do custo total do serviço, teve uma variação acumulada do preço de 180,1%, nos últimos 20 anos. O reajuste impacta no custo das tarifas dos sistemas sem subsídios ou desoneração da carga tributária incidente sobre o combustível.

Para a NTU, parte do caminho a ser construído passa pela elaboração de um novo marco regulatório para o setor, pela mudança das políticas de custeio do serviço e financiamento de insumos, tecnologia e infraestrutura, e que o Governo Federal assuma o papel de indutor da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Somente a partir dessas mudanças será possível garantir, num primeiro momento, a sobrevivência desse serviço, e, no médio e longo prazos, assegurar melhor qualidade e produtividade.

Acesse aqui o Anuário aqui.

Fonte: ntu.org.br