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24/03/2021

Boletim da NTU revela crise do transporte público urbano em um ano de pandemia

A NTU divulgou hoje (24 de março), o Boletim “Impactos da Covid-19 no transporte público por ônibus”. O documento traz uma radiografia do setor, que pode ter sua existência futura comprometida, mesmo com o retorno à normalidade. De acordo com o Boletim, “com redução média de 40,8% no número de passageiros e diminuição de apenas 20,8% na oferta dos serviços, para evitar aglomerações, o transporte público coletivo urbano segue sob ameaça de novas interrupções dos serviços, como já vem ocorrendo em várias cidades brasileiras”.

O relatório informa que o prejuízo acumulado de R$ 11,75 bilhões, no período de março de 2020 a fevereiro de 2021, também é decorrente da falta de medidas de socorro emergencial específicas por parte do governo federal, que avançaram no Congresso Nacional mas foram barradas no poder executivo. E revela que 18 empresas operadoras e três consórcios operacionais interromperam a prestação de serviço desde março de 2020, em função dos prejuízos decorrentes da redução da demanda. De acordo com o estudo da NTU, desde o início da pandemia, 78 sistemas de transportes urbanos enfrentaram paralisações. Em um ano, foram 182 greves, manifestações e/ou protestos e a perda de 66.057 postos de trabalho em 2020.

O presidente da NTU, Otávio Cunha, lembrou que, apesar dos prejuízos, as empresas operadoras estão cumprindo o seu papel de prevenir e evitar a proliferação do coronavírus, com a adoção de protocolos sanitários, oferta de equipamentos de proteção e de produtos de higienização aos colaboradores, além das ações de limpeza e desinfecção permanemte da frota de ônibus.

Para a entidade, além de ações pontuais como a do auxílio emergencial de R$ 4 bilhões ao transporte público previsto no PL 3364/20 – que foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro no final de 2020 e teve esse veto confirmado semana passada pelo Congresso Nacional –, o setor precisa de uma solução definitiva que passa pela adoção, por parte do poder público, de um novo marco legal para organizar e definir responsabilidades e direitos na gestão e operação do transporte público por ônibus coletivo no Brasil, bem como estabelecer um novo modelo de remuneração para as empresas operadoras dos serviços.

Acesse aqui o Boletim com todos os dados do levantamento.