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23/02/2018

Como lidar com o assédio sexual no transporte público é tema de fórum na UCT

De acordo com dados de pesquisa do Instituto Datafolha, 35% das mulheres que já sofreram assédio sexual estavam no trem, metrô ou ônibus. Em São Paulo, as denúncias tiveram um aumento de 850% em quatro anos. O assunto motivou a Universidade Corporativa do Transporte (UCT) a promover o Fórum “Como lidar com o Assédio Sexual no Transporte Público”. O evento foi realizado dia 21 de fevereiro, na sede da UCT, e contou com a presença de cerca de 50 pessoas, além de ter sido transmitido online para as 200 empresas de ônibus do Estado do Rio de Janeiro.
 
Ao abrir os debates, a diretora do UCT, Ana Rosa Bonilauri, chamou a atenção para a importância de se ver o transporte de passageiros como um local de convivência que pode ser transformado em espaço educacional, aproveitando o momento da viagem para o ensino e aprendizagem. A diretora informou sobre pesquisa realizada junto às empresas de ônibus, cujo resultado apontou que o assunto não é conhecido no setor, reforçando ainda mais a necessidade do debate. “Que isso seja o primeiro passo e que possamos refletir e sair daqui com compromissos”.
 

Foto: Arquimedes Edições

Foto: Arquimedes Edições


 
A primeira palestrante foi Viviane Mosé, filósofa, psicóloga, psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas. Ela também foi apresentadora do quadro “Ser ou Não ser”, do Fantástico. Segundo Mosé, a luta mais organizada hoje é a luta das mulheres, ao lado da luta pela liberdade de gêneros. “Nunca existiu, em nenhum momento histórico, uma força tão determinante. Essas microlutas são essenciais e se tornam macrolutas”, afirmou. Para a filósofa, o assédio sexual é uma situação antiga, complexa e humilhante. “Muitas lutas precisam acontecer para se conquistar o respeito e uma sociedade mais ética e mais justa”, disse.
 
A palestrante destacou também o fato do Brasil ser um país erótico, “no melhor sentido”. “Tem que ter respeito, limite e consentimento. E para chegar nesse grau de consciência é preciso mudança de cultura”, defendeu. Para Mosé, a denúncia é um caminho essencial, mas também é necessário construir no transporte coletivo um espaço educativo, através de campanhas lúdicas e criativas.
 
A diretora de Relações Institucionais do BRT, Suzy Balloussier, informou que o público do ônibus e do BRT é, em sua maioria, feminino, ao contrário do que o consciente coletivo imagina. E que 86% das mulheres que utilizam o transporte público já sofreram assédio, porém a maior parte não é denunciada. Com base nessas informações, o BRT realizou algumas ações de conscientização para a questão do assédio, como a exposição “Nunca me calarei”, no Terminal Alvorada, que também recebeu o Ônibus Lilás, projeto da Secretaria de Direitos Humanos, que percorre vários municípios do Estado do Rio, levando atendimento jurídico e psicossocial a mulheres.
 
A terceira palestrante do Fórum, Jamily Normando, assistente de Comunicação do Grupo JAL, falou sobre a campanha “O ônibus é público, meu corpo não”, realizada em outubro passado, para combater o assédio sexual contra mulheres dentro dos ônibus, conscientizando motoristas, cobradores e clientes sobre como agir em casos de assédio. A ação se deu através da entrega de panfletos ao público e de porta-cartão para as mulheres. Os panfletos continham informações sobre o que é assédio sexual e sobre como as pessoas podem denunciar o crime, bem como os telefones da Central de Atendimento à Mulher e de algumas delegacias de Atendimento à Mulher na Baixada Fluminense, Zona Oeste e Centro do Rio. Já os portas-cartões de RioCard e Bilhete Único, traziam o slogan da campanha e os telefones das delegacias. Também foram realizadas blitzes educativas em pontos na Pavuna, no Centro de São João de Meriti, de Duque de Caxias e Vilar dos Teles. Em novembro, a campanha foi realizada no campus da UFRJ, na Ilha do Fundão.
 
Presente ao Fórum, a deputada Marcia Jeovani, autora da lei que cria o Programa de Prevenção ao Assédio nos Transportes Coletivos Públicos e Privados, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, sancionada dia 15 de janeiro, pelo Governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, também destacou a importância dessas ações educativas e da luta da mulher para conquistar seu espaço e respeito na sociedade. “Não se trata apenas de punição, mas de prevenção através da educação”, defendeu a deputada.