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24/04/2020

Coronavírus: pesquisa da NTU revela que transporte pode parar por falta de apoio

Levantamento realizado pela NTU junto a empresas associadas e entidades filiadas revelou que a crise do novo coronavírus resultou numa redução média de 80% no número de passageiros transportados. Em todo o País, estima-se que 32 milhões de pessoas por dia deixaram de utilizar o ônibus nos meses de março e abril, período em que foi realizada a pesquisa. O levantamento levou em consideração 279 sistemas municipais ou intermunicipais de transporte público. Não foram incluídos os 180 sistemas paralisados.

A queda na demanda gerou prejuízos que podem chegar a R$ 2,5 bilhões por mês. Isso porque a oferta (frota em operação) foi apenas parcialmente ajustada à queda da demanda, conforme determinação dos órgãos gestores em cada cidade: caiu em média 25% em todos os sistemas, sem considerar as cidades onde houve paralisação dos serviços.

O estudo revela também que, a partir da drástica redução de passageiros, muitas empresas precisaram dispensar funcionários. Até o momento foram registradas 1.413 demissões e 2.024 suspensões de contratos trabalhistas em 24 municípios do grupo pesquisado, afetando principalmente motoristas e cobradores. Entre as estratégias adotadas pelos operadores para evitar demissões em massa estão as férias antecipadas ou a redução de jornada e salários, que, na maioria dos casos, chega a 50%.

O levantamento incluiu todas as 26 capitais, o Distrito Federal e 14 regiões metropolitanas, além de várias cidades de grande, médio e pequeno porte. Os municípios da amostra reúnem 148,3 milhões de habitantes, respondendo por 70% da população brasileira, e representam 9,6% dos 2.901 municípios que são atendidos por serviço organizado de transporte público por ônibus urbano. Em todo o país são 1.800 empresas que operam uma frota total de 107.000 veículos e geram cerca de 1,8 milhão de empregos diretos e indiretos.

O presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, esclarece que a redução de passageiros gera impacto devastador nas finanças do segmento, já que a tarifa é praticamente a única fonte de custeio do serviço. “O levantamento traz um recorte da pior crise econômica já enfrentada pelo setor e antecipa o cenário de colapso que se aproxima, conforme a situação das empresas agrava-se em cada município”, afirma. Apenas 11 sistemas de transporte público por ônibus possuem algum tipo de subsídio público, em sua maioria para custear gratuidades de estudantes, idosos e pessoas com necessidades especiais.