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24/06/2021

Diretora da Fetranspor fala sobre crise do transporte público na Semana UITP América Latina

A diretora de Mobilidade Urbana da Fetranspor, Richele Cabral, participou da Semana UITP América Latina – Experiência Digital, promovida pela Divisão América Latina da União Internacional de Transporte Público (UITP). A conferência, realizada on-line, nos dias 22 e 23 de junho, teve como foco o futuro da mobilidade e reuniu, como palestrantes e participantes das sessões de debates, representantes das Nações Unidas, autoridades e especialistas em transportes das Américas, Europa e Ásia.

Em sua apresentação, no primeiro dia do evento, Richele fez um breve histórico dos investimentos em infraestrutura e no sistema de transporte na cidade do Rio de Janeiro, em especial os BRTs, iniciados em 2009, em função da Olimpíada de 2016. “Naquele momento, havia muito investimento chegando ao Brasil. Foram investidos mais de R$ 20 bilhões no sistema até 2016. O ápice se deu entre 2013 e 2015. E, com o início das obras, vieram muitos empregos, tanto para o sistema robusto que estava sendo criado, como para as pessoas que trabalhavam no entorno das obras”, lembra. “Houve uma reestruturação do sistema, passando pela organização de tarifas, redução, integração, licitação do sistema municipal, organização por consórcios. Foram implantados não apenas os BRTs, mas também os BRSs. Naquele momento, havia muito interesse, na cidade do Rio de Janeiro, em criar faixas exclusivas. E tudo isso gerando emprego”, acrescenta a diretora.

Richele falou também dos investimentos em infraestrutura a nível nacional, para preparar as cidades que seriam sedes da Copa de 2014. “Estávamos vivendo um grande boom de investimento”, afirma. Segundo a diretora, a partir de 2015 o quadro inverteu. “Números divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que, de 2015 a 2018 houve queda de quase 10% do PIB do transporte. Ou seja: menos 10% do investimento que estava sendo feito até o momento. E, segundo a própria CNT, é preciso crescer 7% anualmente para que a gente possa atingir os níveis da pré-crise de 2014. Esse é o grande desafio do setor e das autoridades federais, estaduais e municipais: voltar a um investimento que precisa crescer 7%”, explicou.

Sobre a questão do desemprego, a diretora revelou que “de 2015 pra cá, com a crise do transporte e a pandemia, no Estado do Rio de Janeiro, que tinha 110 mil postos de trabalho no setor de transporte público, houve uma redução para 58 mil postos. E o número de desligamentos passou a ser maior do que o número de admissões, em comparação com os demais estados brasileiros. O setor nacional, por sua vez, perdeu, em 2020, 66 mil postos de trabalho”. Segundo Richele, as demissões e reduções dos postos de trabalho e a degradação crescente na operação das empresas e, no Rio de Janeiro, o fechamento e piora de grande número de empresas apontam para o colapso do setor. “A gente precisa melhorar e reestruturar o sistema, mudar o modelo, melhorar a qualidade, fazer com que os dados sejam transparentes. E tudo isso dentro de um novo marco legal, que o setor pleiteia”, disse.