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29/05/2021

Estudo da NTU revela agravamento da crise do transporte público

Monitoramento sobre o impacto da pandemia no setor de transporte urbano, realizado pela NTU, no período entre 16 de março de 2020 e 30 de abril de 2021, mostrou que o agravamento da crise enfrentada pelos sistemas de transporte público por ônibus no Brasil, nesses últimos 14 meses, resultou num prejuízo de R$ 14,24 bilhões ao setor até o momento. Isso sem que tenha sido adotada qualquer ajuda emergencial federal para o conjunto das empresas. O levantamento destaca ainda a interrupção da prestação dos serviços de 25 operadoras e um consórcio operacional e demissões de 76.757 trabalhadores e indica a insatisfação da população com a redução ou interrupção da oferta de transporte público.

O estudo destaca também que 88 sistemas de transporte público por ônibus em todo o País foram atingidos por 238 movimentos grevistas, protestos e/ou manifestações que ocasionaram a interrupção da oferta de serviços em várias cidades. Na maioria dos casos, os protestos foram motivados pela falta de caixa nas empresas para o pagamento de salários e benefícios para os colaboradores, devido ao desequilíbrio econômico-financeiro causado pela forte queda na demanda de passageiros.

Quanto à suspensão da prestação do serviço, a pandemia também deixou um grave saldo negativo. No período avaliado, 13 operadoras e 1 consórcio suspenderam as atividades; duas operadoras, 1 consórcio operacional e 1 sistema BRT (do Rio de Janeiro) sofreram intervenção na operação; cinco operadoras encerraram as atividades; e quatro tiveram seus contratos suspensos.

“É muito importante destacar que, lamentavelmente, esse cenário só tende a piorar, enquanto o Poder Público nas três esferas de governo – federal, estadual e municipal – não atentar para as necessidades desse sistema. Há uma necessidade emergencial, de ajuda financeira imediata, e uma necessidade de longo prazo, de reestruturação total da forma de contratação e operação dos serviços, como já foi proposto ao Governo Federal. Essas mudanças são consenso entre todas as entidades do setor, especialistas e organizações da sociedade civil ligadas ao transporte público”, afirmou o presidente da NTU, Otávio Cunha. Ele enfatiza que, se nada for feito, o transporte público, em especial o ônibus coletivo urbano, não se sustentará por muito tempo e não sobreviverá após a pandemia, especialmente se for mantido o atual modelo de remuneração do serviço.