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12/06/2017

Levantamento aponta crise financeira no setor de transporte urbano

Pesquisa divulgada durante o seminário “Transporte público urbano: desafio e oportunidades”, realizado pelo jornal Valor Econômico, em parceria com a NTU, em Brasília, dia 1º de junho, mostrou que quase 30% das empresas (29,1%) de ônibus urbano têm dívida superior a 40% do faturamento anual. O endividamento médio do setor é de 33% do faturamento anual.

O levantamento foi realizado pelo Instituto FSB Pesquisa com 225 empresas, em 115 municípios, entre 23 de março e 12 de maio. De acordo com o presidente da NTU, Otávio Cunha, “nos últimos 20 anos, o setor tem perdido demanda, produtividade e sofre com a ausência de políticas públicas para socorrê-lo”. egundo a entidade, a queda de demanda de passageiros de 2015 para 2016 se manteve acima de 8%.

Como atender às demandas dos passageiros por preço justo e transporte de qualidade, tendo em vista a grave crise financeira das empresas de ônibus urbanos em todo o País? Esta foi a principal questão discutida durante o Seminário. Para o setor, esses anseios não vão se concretizar enquanto a tarifa continuar sendo a única fonte de financiamento do sistema. A esperança é que o Congresso aprove a Cide Municipal, um tributo sobre a venda a varejo de gasolina, etanol e gás natural veicular.

A cobrança ocorreria diretamente no preço pago pelos consumidores no momento em que abastecem seus carros particulares nos postos. O valor arrecadado iria para um fundo usado exclusivamente para custeio do transporte público.

Para Marcos Bicalho, diretor da NTU, outra questão crucial para o setor é definir fontes de recursos para as gratuidades, que são embutidas nas tarifas do passageiro pagante. “Não discutimos a necessidade das gratuidades, que são legitimadas pela sociedade, mas poderiam ser custeadas por recursos da Educação, no caso do passe estudantil e do Fundo Nacional do Idoso, no caso do passe livre para idosos”, esclareceu.